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sábado, 28 de março de 2015

O Meu Nome é...

O livro O Meu Nome é..., de Alastair Campbell, foi editado pela Bizâncio ainda no final de 2014. Na altura em que o Delícias estabeleceu a parceria com a editora visitei o separador referente às novidades, no site, e deparei-me com este livro. Automaticamente pensei "hum... A Lua de Joana... dispenso..." e acabei por escolher o livro do Bradbury. E não me interpretem mal, eu li A Lua de Joana duas vezes, ao longo da minha adolescência, talvez entre os 11 e os 13 anos e gostei. Na altura foi um livro que me marcou e tenho pena de nunca ter ouvido falar n'Os Filhos da Droga, pois certamente também o teria lido. E o meu cepticismo, digamos assim, em relação a este livro prendia-se no facto de o tempo em que estas leituras me deviam passar pelas mãos, em que é importante descobrir os efeitos das drogas e do álcool e tantas outras coisas das quais devemos fugir, já ter terminado.
Mas acabei por mudar de opinião quando li (e vi mais tarde, no Youtube) a opinião da Neuza, do blogue Mil Folhas, onde ela elogia a forma como o livro está escrito. Mas já lá vamos. A verdade é que quis ver por mim mesma e acabei por pedir um exemplar à Carla, que prontamente me fez a vontade e a quem aproveito para agradecer.

Iniciamos a leitura com o nascimento de Hannah, relatado pela sua mãe, Kate, e que é um acontecimento muito feliz para toda a família. O momento em que os pais pegam na sua menina pela primeira vez, seguram a sua mão, contam os dedinhos e a contemplam, é descrito com muita ternura. Só que a família de Hannah é muito disfuncional e rapidamente nos apercebemos disso. O pai é um mulherengo incurável e o que começa por ser uma enorme paixão pela filha, acaba por ir acalmando ao longo do tempo e, com o passar dos anos, praticamente deixa de estar presente na sua vida. Quando cheguei ao final do livro dei por mim a notar a ausência de Pat, precisamente no momento em que a Hannah chegou ao fundo do poço, como se costuma dizer... A juntar ao drama surge ainda uma irmã mais nova, a Vicki, que tem mais atenção e cuidado por parte da mãe. Apesar de tudo, as duas irmãs dão-se bem, mas não se pode esperar que este distanciamento da mãe ajude na situação de Hannah.

A protagonista é uma rapariga muito bonita, inteligente, atlética, mas que no fundo está triste (deprimida?) e acaba por encontrar no álcool uma fuga para a dor que sente dentro de si. Estão a ver no que isto vai dar, não é? Acontece que a Neuza tinha razão e, apesar da história ser fascinante, o que de facto me agarrou ao livro foi a escrita do autor. Ao longo da narrativa vamos conhecendo a vida de Hannah, não por ela própria, mas pela perspectiva de todos os que a rodeiam e que se juntam para nos contar de que forma a Hannah marcou as suas vidas. Cada capítulo começa com a frase "O meu nome é..." e assim, vamos conhecendo os seus pais e tios, os amigos, o primeiro "namorado", a psiquiatra e até a senhora que fazia limpezas na instituição onde a Hannah inicia o tratamento. É, no mínimo, uma forma muito original de contar a história.

Vou guardar este livro religiosamente na minha estante para o caso de um dia ter filhos. Tenho alguns casos de alcoolismo na minha família (e não teremos todos? seja em relação a álcool ou drogas, há sempre alguém...). O meu avô materno, por exemplo, praticamente não conheceu o pai porque este era alcoólico e suicidou-se quando o meu avô tinha apenas 9 meses. E como a genética é uma cabra e não vá o diabo tecê-las, nunca é demais encontrar formas alternativas de educar os nossos filhos. E não só! A forma como a Hannah foi educada acaba por ser um bocado negligente e quem sabe se de outra forma as coisas não acabariam por ser diferentes.

Recomendo a leitura, para qualquer idade.


6 comentários:

  1. Parece ser um bom livro :D

    Beijinho e boas leituras.

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    1. Sem dúvida :) Uma boa leitura para qualquer idade.

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  2. Olá Sofia!
    Já quando a Neuza falou no livro achei-o bastante interessante e agora, ainda acredito mais que vale a pena =)
    Beijinhos

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  3. Olá Sofia
    Tenho uma enorme curiosidade em ler este livro, mas como estou em contenção de despesas terá de ficar para outra altura.
    Boas leituras e beijocas;)

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    1. Olá!

      Não sei se tiveste oportunidade de ler A Lua de Joana ou Os filhos da Droga, mas este é dentro do mesmo género. O que realmente é inovador é a forma como está escrito, que cativa a leitura. É uma boa aposta, para qualquer idade.

      beijinhos :)

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