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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Um inferno colombiano

Pouco passava do meio de Março quando fui finalmente empregada no restaurante onde fiz um extra pelo Carnaval. Já vos falei um pouco sobre essa aventura e como me custou imenso suportar as dores e o cansaço, mas lembro-me que na altura alguém (julgo que terá sido a Cátia Valente) me sugeriu que partilhasse as peripécias a que vou assistindo no meu novo trabalho. É que, parecendo que não, o atendimento ao público pode dar origem a situações bem caricatas e na altura eu nem fazia ideia!! Quem sabe não nasça daqui uma nova rubrica (já agora aceitam-se sugestões para o nome da mesma).

Para já vou começar por partilhar convosco um pouco do inferno que foi trabalhar no restaurante, nesta semana que passou. 

Eu gosto muito do restaurante do hotel. É um espaço agradável e muito bem decorado, com motivos tradicionais. Logo quando entramos, temos à disposição um sala ampla que serve de zona de bar, composta por mesas e cadeiras em verga muito confortáveis. O bar propriamente dito, tem um balcão circular composto por outras tantas cadeiras de verga a toda a volta, e o barman anda la dentro a servir os clientes. Nesta zona há também acesso à varanda com esplanada orientada para a Serra de S. Paulo e que dá acesso às piscinas do hotel. É um espaço muito agradável. Ao fundo da zona de bar, está o restaurante. Julgo que já vos contei que o meu horário inclui, neste momento, a preparação do buffet de pequeno almoço para os hóspedes do hotel e os jantares. 

Acontece que entre o BTT e o torneio de futebol dos putos (que não deviam tem mais de 8/9anos) era suposto ter havido ali um dia de pausa que correspondeu à folga da minha colega. Estava cansada, precisava de dormir uma noite como deve ser, mais ainda sabendo que no dia seguinte o hotel ia estar cheio (mesmo cheio - lotação completa) com pirralhos irrequietos que nos iam deixar os nervos em franja. Uma pausa a antecipar a semana que se avizinhava, tinha sido perfeito. Mas não foi assim que aconteceu e também percebi que a minha colega ainda não estava preparada para a rotina de montar o buffet sozinha. Ainda para mais, previam-se apenas 10 hóspedes para aquela manhã. Era canja!


Há muita coisa que já deixamos preparado de véspera. O queijo e o fiambre que vamos servir no buffet é cortado de véspera e tudo é contado consoante a lotação - tipo duas fatias por pessoa, dois pães por pessoa, estão a ver? Então, na manhã de quinta cheguei ao trabalho um pouco antes das 7h da manhã. Preparei e dispus os cestos de pão pelas bancadas do buffet (3 variedades diferentes), pus as travessas de queijo e fiambre, um jarro de leite frio e água, verifiquei o stock de cereais, servi leite quente, café e sumos nas máquinas automáticas, dispus bolo num prato - tudo sempre a pensar nos 10 hóspedes que ia receber daí a pouco tempo. Só que afinal os colombianos chegaram mais cedo e de 10 hóspedes previstos para o pequeno almoço, passei a ter quase 60. OH MEU DEUS! Muito à pressa tive que adaptar o buffet e correr a cortar mais queijo e fiambre. 

Às 7.30 abri as portas do restaurante e esperei que o caos se espalhasse. Pouco a pouco os hóspedes foram chegando e tomando o pequeno almoço e a manhã foi passando sem que se vissem colombianos... Coitados dos miúdos que já não dormiam uma noite de jeito quase há 48h, por causa da longa viagem. Calculei que tivessem chegado de madrugada e migrado para as camas. Mas não! Perto as 10h começaram a chegar ao restaurante e fiquei parva com a falta de supervisão por parte dos treinadores. Não se viam em parte alguma! Os miúdos chegaram e em menos de nada acabaram com o stock de chocapic e estrelitas que deveria dar, no mínimo, para 3 dias. Não estou a abusar. O pior é que viram naquele espaço restaurante-bar-esplanada um autêntico recreio e tudo lhes servia para brincar. Não é suposto os hóspedes saírem da zona do restaurante com a comida e não é permitido que se sentem no bar ou na varanda a tomar o pequeno almoço. Mas expliquem isso a miúdos daquela idade que não paravam por um segundo! Eu só pensava: MAS NÃO ESTAVAM COM SONO?? Nunca pensei que putos ensonados tivessem tanta energia... 

Quando dei por mim tinha as mesas do bar todas sujas, as cadeiras todas reviradas e a hora de fechar o buffet e ir para casa há muito que tinha passado. Faziam brindes de sumo de laranja em volta do bar circular, em ambiente de grande festa, e as palhinhas, estratégicamente dispostas ao longo do balcão, foram abertas para os meninos soprarem os plásticos uns para os outros. E estavam sempre a comer. Corriam e brincavam e de vez em quando lá vinham uns quantos comer mais alguma coisa. Depois corriam e berravam e lá vinham mais uns quantos comer. E no meio desta algazarra e na minha pressa de repor no buffet o que ia chegando ao fim, passou a hora de fechar o restaurante eu eu nem me apercebi. Não tivesse o rapaz da recepção vindo em meu auxílio e às 4h da tarde eu ainda estaria a servir o buffet de pequeno almoço à espera que aquela gente se fosse embora....

E houve mais, muito mais que poderia ficar aqui a contar-vos. Mas fica para outro post :)

7 comentários:

  1. Ois,

    Bolas que belas aventuras passas ai, pode ser muito cansativo mas acredito que guardes boas coisas também, às tantas já tens saudades dos miúdos eheheeh

    Bjs

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    1. Olá!

      Sim, é muito cansativo, mas também há coisas boas. Em relação aos miúdos, o mais engraçado era perceber que se preparavam para fazer asneiras. Quando eu ou mesmo o meu chefe passávamos por eles punham-se a olhar para o ar e a dizer que o restaurante era muito muito bonito e tal, assim que virávamos costas toca de ir fazer asneira. Opa, era uma barrigada de rir com a lata dos gaiatos. Mas saudades não! Deixa-os lá na terra deles, que aquilo são uns terroristas do pior. ahahaha

      beijinhos

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  2. Eich, Sofia!!! Isso é que foi a doer. Confesso que me assustam empregos onde a hora de entrada e de saída não está assegurada. Tenho sempre montes de cenas para fazer e tudo programado na minha cabeça. Quando me pedem para mudar um turno ou ficar até mais tarde eu aceito na boa, mas são casos excepcionais. :P

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    1. Também me custa um bocado, para ser sincera... Mas o pior é que, parecendo que não, acabo por ter o dia todo empatado por causa disto. Vou lá de manhã fazer 4horas e à noite outras 4h. Se quiser fazer algum plano pessoal ou mesmo arranjar um part time, é complicado. Eu até não me importava de acordar cedinho e fazer logo as 8 horas. Sairia às 3h da tarde e podia arranjar uma ocupação extra. Era perfeito, mas assim... nhé...

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  3. Parece que estou mesmo a visualizar a cena. Xiça.... Deve ter sido péssimo :S por acaso reparei que a claque nos jogos da final conseguia fazer mais barulho que o resto da malta. Não tinha ideia que os miúdos eram o equivalente...

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    1. Nem imaginas do que te safaste! É que a recepção do hotel foi transformada numa autêntica cresce. Imagina-te lá 8 horas no meio de berros e putos a pular por todo o lado...

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