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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Estratégias para ler "Os Maias"

Podia dizer que tudo começou com um vídeo da Neuza, do blogue e canal Mil Folhas, onde ela fala um pouco sobre as leituras obrigatórias e se propõe a ler Os Maias este ano. Mas isso não seria totalmente verdade. Foi como se juntasse mais um peso à balança, quando a ideia já lá estava há algum tempo. Eu quero ler Os Maias

Como acontece com imensas pessoas por esse país fora, eu não li a obra no secundário. Tentei, juro que sim. Sabia de antemão que se tratava de uma leitura mais pesada e optei por começar a ler logo no 10ºano. Só que a descrição detalhada do Ramalhete logo no início é muito cansativa e acabei por voltar a guardar o livro. No 11ºano fui buscá-lo novamente à estante. Disseram-me para saltar a descrição do Ramalhete e passar logo ao início da história. Mas eu achei que isso era fazer batota e que, se a descrição está lá, no início do livro, já é o início da história. E voltei a ler tudo e continuei até que os personagens se conhecem e pouco depois, o livro voltou para estante. 

Acredito que muitas vezes a culpa não seja dos livros, ou dos autores, ou de qualquer outra desculpa que sirva para devolvermos livros à estante de consciência tranquila. Por vezes somos nós. Os livros que adorámos durante a juventude, quando relidos anos mais tarde já não têm o mesmo impacto, ou já não nos identificamos com que está lá escrito. E o mesmo acontece com as leituras que teimamos em por de parte. Talvez ainda não estejamos preparados para aquele livro? O que sei é que, na altura que era suposto ler Os Maias, as minhas leituras não iam muito além de Paulo Coelho, Dan Brown e pouco mais. Leituras leves que não me prepararam para ler algo mais sério. 

Agora, muitos livros depois, a lembrança constante "daquele" livro que não li começa a ser como uma pedra no sapato. E, apesar de ainda não ter decidido quando vou começar, está mais que decidido que o vou fazer. As parcerias serão sempre prioritárias e certamente vou precisar de intercalar com outras leituras mais leves. Por isso, fiz uma lista com algumas estratégias que podem ajudar no momento de pegar no livro. Este post foi pensado para quem esteja a estudar a obra e precise de reter ideias e tirar apontamentos, mas eu própria vou usar alguns tópicos quando começar a leitura.

  1. Começar a leitura atempadamente
  2. Dividir o livro por partes. Se sabemos que o tempo para ler a obra é limitado, podemos usar esse tempo a nosso favor. Seis meses, por exemplo. Dividir a edição em 6 partes iguais, fazendo os devidos ajustes para não interromper a leitura dentro de capítulos. A cada mês, ler uma parte. 
  3. Se ajudar, usar post-its ou sublinhar as partes consideradas importantes, de modo a facilitar consultas rápidas. 
  4. A cada capítulo (ou a cada x páginas) elaborar um resumo ou uma lista de tópicos com os acontecimentos mais importantes da leitura, o que facilita na revisão de matéria durante o estudo. 
  5. Arranjar um parceiro de leitura para comparar notas e interpretações da história. Ou só para falar sobre o livro, mesmo que seja para dizer que é uma grande m**** e argumentar à volta disso. Pode parecer que não, mas isto ajuda a continuar a leitura. 
  6. Consultar opiniões em blogues ou no Goodreads. Conhecer a obra pela perspetiva de outros leitores pode ajudar a assimilar algumas ideias.


São ideias muito simples, mas certamente facilitam a tarefa. Quem já leu, tem mais algum ideia que possa ajudar quem vai estudar a obra este ano? E para o leitor comum, como eu, o que recomendam?

10 comentários:

  1. eu cá não precisei de estratégias! Adorei o livro e demorei apenas uma semana para o ler. É uma obra-prima da literatura portuguesa, cheia de humor e críticas sociais que ainda hoje se aplicam!

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    1. Olá Maria Francisca,

      Isto de criar estratégias vem um bocado do medo que algumas pessoas nos impingem. Que é horrível e uma enorme seca!!! Conheço uma pessoa que já o leu três vezes, por isso acredito que seja um bom livro. Espero também gostar e conseguir lê-lo com essa rapidez :)

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  2. Olá Sofia
    Li o livro este ano, como leitora comum também eheh. A minha leitura teve altos e baixos, gostei muito, mas houve partes mais aborrecidas que outras (se quiseres espreitar a opinião: http://encantodashistorias.blogspot.pt/2015/09/os-maias-opiniao.html). A minha estratégia era ter de ler um capítulo por dia, mas nas partes que estava a gostar acabava sempre por ler mais, por isso acabei por lê-lo em relativamente pouco tempo. Intercalei também com outras leituras mais leves, para descomprimir um bocadinho.
    Espero que gostes :)
    Beijinhos

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    1. Olá Sara,

      Não sabia que também tens blogue, mas já estou a seguir-te. Vou espreitar a tua opinião, sim.
      Também tenho algum receio das partes mais aborrecidas. Lembro-me que quando li O Memorial Do Convento, passei um mau bocado naquelas partes super descritivas e que podiam ter sido contadas em menos de nada. Também adorei esse livro, mas acabei por demorar imenso tempo a lê-lo só por isso.

      Em principio vou guardar esta leitura para 2016, espero gostar :)
      beijinhos

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  3. Olá Sofia
    Faço parte do grupo que teve que ler Os Maias no 11º ano. Mas não correu lá muito bem, apesar de ter terminado o livro.
    Tal como tu, fiz uma primeira tentativa para o ler nas férias de verão, entre o 10º e 11º, mas não consegui ultrapassar a descrição do Ramalhete.
    Depois durante o ano escolar, voltei a tentar ler. Comecei no início e cheguei até ao capítulo 10, mas desisti. Fiz mesmo a prova global sem ter lido o livro todo, nem sequer nenhum resumo. E nem sabia o que acontecia no fim.
    E só depois, nas férias de verão entre o 11º e 12º é que voltei a pegar no livro. Recomecei-o do início e li-o todo! E até gostei!
    Mas continuo a achar que, naquela idade, não a maioria dos estudantes, não tem maturidade literária para este livro. É o melhor do Eça? Muito provavelmente sim, com toda aquela crítica social, mas julgo que talvez se poderia ler outro livro do autor menos "trabalhado". Ainda para mais sendo uma leitura obrigatória, já se sabe que "assusta" mais.
    Eu na altura, já tinha livro As Brumas de Avalon da MZB e vários livros de Paulo Coelho . Ok, são livros mais leves, mas não era como alguns dos meus colegas que eram "alérgicos" aos livros.

    Quanto a mim, conto reler o livro em 2016 e acho que desta vez vou adorar =D

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    1. Olá Tita,

      Estou a ver que tiveste uma experiência parecida com a minha. O pior em desistir de um livro é que depois acabamos sempre por lhe voltar a pegar já com essa ideia pré-concebida de que não vamos gostar e que vai ser um bico de obra... Também fiz a prova sem ter lido o livro, sem saber o fim e sem ler resumos. Por acaso não me recordo se saiu algum excerto no meu exame nacional.... O Memorial do Convento (também na ordem das leituras obrigatórias) também não foi nada fácil. Mas insisti e acabei por adorar o livro. Espero acabar por gostar também deste.

      Concordo plenamente que para essas idades não são as melhores leituras... E se para nós, que mesmo com leituras mais leves tínhamos o hábito de ler, imagina para os que são alérgicos a livros. Se calhar numa turma, há dois ou três leitores, num total de 20 ou 30 alérgicos... Podiam adaptar melhor a coisa.

      Também acho que vou guardar esta leitura para o inicio de 2016 intercalando com as leituras que ando a planear com a Su :)

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  4. Ois,

    Olha obrigado pelas dicas quem sabe nao venha a utilizar noutras leituras, Tolstoi por exemplo :D

    Bjs

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    1. Olá,

      A minha ideia também era essa. Dá jeito nessas leituras mais cmplicadas. Eu devo usar na Anna Karenina

      beijinhos

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    2. Que boas dicas! Como o Fiacha comentou, devem dar jeito para as obras "de peso". Não me lembro de muita coisa do livro, mas já sabes que podemos combinar umas assembleias para o comentares :p

      beijinhos

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    3. Acho que no próximo ano vamos precisar de algumas estratégias deste género!

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