Este blog não aderiu ao Novo Acordo Ortográfico!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Deus Ajude a Criança, Toni Morrison

Não posso afirmar que "adoooro" Toni Morrison porque isso seria falar com pouco conhecimento de causa. 

Li o Beloved há poucos anos, e gostei muito. Creio que na altura esse livro fez parte de uma leitura conjunta com a Su, para o nosso clube. A forma como a autora nos transporta para dentro da história e nos faz quase sentir na pele "o que é ser negro", como é sentir um medo constante da discriminação e das injustiças que o tom da pele atrai, ensinando o leitor mais um pouco sobre a escravatura - mais um pouco de algo que nunca deve ser esquecido - deixaram-me rendida a esse livro. E à autora. 

Ao procurar mais títulos queria não só repetir essa sensação, mas também conhecer mais um pouco do seu trabalho. Se gostei de Deus Ajude a Criança? Sim, na verdade gostei. Mas  também levo daqui uma certa cota de desilusão. 

A história centra-se mais nos dias de hoje, e portanto não toca tanto o tema da escravatura. Mas sente-se na mesma aquele clima de receio a pairar sobre as personagens. Especialmente com Sweetness, a mãe de Bride.

Bride, a protagonista, é uma rapariga de pele, olhos e cabelo muito negros, apesar de ser descendente de negros com um tom de pele claro. Esta diferença começou por lhe custar o pai, que ao ver a filha na maternidade recusou-se a assuma-la como tal. Sweetness cria a filha sozinha, mas por obrigação e não por amor, sentindo ela própria repulsa pelo tom de pele da filha. E é esta premissa que desperta a curiosidade para a leitura, que promete ser, no mínimo, interessante.

Mas não. Bride torna-se uma mulher bem-sucedida e aprende a tirar partido do tom de pele, usando-o a seu favor. A mãe acaba por ser apenas uma personagem distante, com quem a filha pouco fala. E a história acaba por enveredar por outros caminhos. Não fosse isto um autêntico balde de água fria para o leitor, ainda temos que gramar com capítulos narrados por personagens que não acrescentam nada à história. Como é o caso da melhor amiga de Bride, que de vez em quando lá vem contar a sua versão dos factos já relatados pela protagonista. A única coisa que se retém disso, é que a amiga de Bride está constantemente a desdenhar das opções da amiga, num tom que roça ali a inveja. Se passávamos bem sem isso? Sim, sem dúvida.

Como pontos positivos, é importante frisar de que se trata de uma leitura mais leve e que entretém, claro. Aquela escrita deliciosa da Toni Morrison, que conheci em Beloved, está cá. É um facto que a autora já vai na faixa dos 80, pelo que é normal que o produto final dos seus livros não seja tão trabalhado como outrora. Só por isso, está mais ou menos perdoada.

Posto isto, fica o apelo:

Sugestões de livros fantásticos da Toni Morrison, alguém tem?


Outros post's sugeridos:




terça-feira, 19 de junho de 2018

Fernando Pessoa, Cesário Verde e Fernando Rosas nas novidades da Guerra e Paz

CONSELHOS ÀS MALCASADAS:
AS MALCASADAS SÃO TODAS AS MULHERES CASADAS, E ALGUMAS SOLTEIRAS
Fernando Pessoa
Antologia de Manuel S. Fonseca
15x23
120 páginas
Ficção/Poesia
12,00 €
Nas livrarias a 19 de Junho
Guerra e Paz Editores

Da sexualidade de Fernando Pessoa nada sabemos. Terá morrido virgem? Foi um perverso polimorfo? Impossível saber. Conhecemos, isso sim, os seus escritos, onde muitas vezes surge o sexo, o erotismo, o desejo. Conselhos às Malcasadas – As Malcasadas São Todas as Mulheres Casadas, e Algumas Solteiras é a antologia desses textos, de Fernando Pessoa e dos heterónimos Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Barão de Teive, António Mora e Maria José. A antologia é de Manuel S. Fonseca, e o livro integra a colecção Os Livros de Fernando Pessoa.
Pessoa jura que toda a volúpia vem do cérebro. Aconselha as mulheres a trair os maridos, mas só em pensamento, a carne seria coisa banal e plebeia. Mas este é também o mesmo Pessoa que se atira a Ophélia, beijando-a sôfrega e tropegamente, escrevendo-lhe cartas ridículas, como ele dizia que eram todas as cartas de amor. Pessoa é Maria José, a corcunda, que olha à janela o amado, a quem nunca falará. Em suma, a superioridade do espírito face à matéria, mas onde, por vezes, assoma a dúvida – será tudo fingimento? Assim, propomos ao leitor que nos acompanhe, não à arca do poeta, mas à sua cama. E com ele partilhe a exaltação amorosa: sensualidade, desejo, sexo. Com ele e com os seus heterónimos, numa bela orgia literária.



O LIVRO DE CESÁRIO VERDE
E POESIAS DISPERSAS
Cesário Verde
15x23
168 páginas
Ficção/Literatura Portuguesa
11,50 €
Nas livrarias a 19 de Junho
Guerra e Paz Editores

Foi Fernando Pessoa – ou melhor, Alberto Caeiro – quem escreveu: «Leio até me arderem os olhos o Livro de Cesário Verde.» E é precisamente O Livro de Cesário Verde e Poesias Dispersas a nova aposta dos Clássicos Guerra e Paz, com a obra poética integral de Cesário Verde e fixação de texto, revisão e extratextos de Ana Salgado.
Com o fim do romantismo e o início do realismo, Cesário Verde, dividido entre o comércio e a literatura, publica os seus versos em jornais. Só em 1887, já postumamente, é publicado o seu primeiro livro: O Livro de Cesário Verde. Muito influenciado por Charles Baudelaire, o poeta cria um estilo próprio e encontra em Lisboa, caótica e sinistra, a sua grande personagem. Afinal, há poesia no real, no concreto, nos objectos banais, nos gestos, no dia-a-dia. Desfilam novas personagens, que já não musas, mas engomadeiras, varinas e operários. Paralelamente ao binómio cidade-campo, surge a figura feminina, a da mulher citadina, frívola e calculista em confronto com a mulher campestre, doce e pura.
Cesário Verde é um dos precursores do modernismo em Portugal. Inventa uma nova poesia quer na forma quer no conteúdo. É um discurso poético de ruptura. O poeta, muito atento ao pormenor, capta as impressões e invoca a realidade. É a poesia do quotidiano, dos sentidos.
Outrora desprezado e ostracizado, o reconhecimento do seu valor literário só chega com a geração de Orpheu. Fernando Pessoa chama-lhe «mestre». É hoje reconhecido como um génio pelas suas composições, como «O sentimento dum ocidental», «Num bairro moderno», «Nós». Aceitemos o convite de Mário Cesariny e vamos «todos para casa ler Cesário Verde / que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!»



FERNANDO ROSAS:
A HISTÓRIA COMO PAIXÃO
Diálogo com José Jorge Letria
15x20
160 páginas
13,99 €
Não Ficção/Biografia
Nas livrarias a 19 de Junho
Guerra e Paz Editores | o fio da memória

Fernando Rosas é o convidado de José Jorge Letria no próximo volume da colecção o fio da memória, publicada pela Guerra e Paz em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores: Fernando Rosas – A História Como Paixão.
Nascido em Lisboa, numa família com fortes tradições republicanas, Fernando Rosas empenhou-se no combate político desde muito jovem, o que implicou algumas prisões e a experiência da clandestinidade, acabando por se converter numa intensa e apaixonada carreira de investigação histórica, com destaque para a evolução dos regimes fascistas.
Co-fundador do Bloco de Esquerda, com Francisco Louçã, Miguel Portas e Luís Fazenda, candidato à Presidência da República em 2000, deputado durante oito anos, Fernando Rosas partilha as suas motivações intelectuais e políticas. Em diálogo com José Jorge Letria, recorda o avô Filipe Mendes, um militante e dirigente republicano que muito lhe ensinou sobre os combates pela cidadania e pela liberdade, partilha a evolução do seu pensamento político e reconhece, na comemoração dos 200 anos do nascimento de Marx, que o pensamento do filósofo continua vivo, embora não deva ser entendido como uma bíblia.

Estes livros estão disponíveis nas livrarias a 19 de Junho.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Nina - a cadela devoradora de livros

Quando se tem animais de estimação em casa, é frequente recorrer a toda uma panóplia de estratégias e artimanhas para tudo e mais alguma coisa. Seja para dar medicamentos, para ensinar truques, para fazer com que comam aquela comida que eles não gostam mas têm que comer.... 

Na minha casa não é excepção. Ou melhor, na casa da minha mãe. Tudo começou por causa do Nero e da Luna, os gatos, que faziam autênticas maratonas de sesta em cima da box da Tv. Claro que para além do sobreaquecimento do aparelho, também há a questão dos pêlos de gato que lá ficavam. Portanto, a minha mãe rodeou o aparelho de livros antigos, de forma a que os gatos não conseguissem ir para lá. E isto funcionou durante alguns meses. 

Acontece que de há algumas semanas para cá, a minha cadela Nina tem feito das suas...
Sendo a mais nova e mais irrequieta da casa, já sabemos de antemão que 99% das asneiras são da sua autoria. Baldes derrubados, comida espalhada, mantas pela casa.... Agora são os livros, que vão sendo cada vez mais escassos. Começou por roer precisamente os rodeavam a box e depois fez um upgrade para os albuns de fotografias que estavam dispostos numa prateleira lá perto. Só posso imaginar a alegria da cadela a esfanicar os livros. Desde o barulho que aquilo faz ao rasgar, ao lixo que fica espalhado pela casa. Deve ser divertidíssimo - para ela. 

Ah e tal, os livrólicos gostam de cheirar os livros... Será que também são um bom petisco? 



sábado, 2 de junho de 2018

Um guia prático que recupera os ensinamentos das nossas avós

JÁ A MINHA AVÓ SABIA
Erin Bried
15x23
296 páginas
Não Ficção/Vida Prática
16,50 €
Nas livrarias a 05 de Junho
Guerra e Paz Editores


Já a Minha Avó Sabia, de Erin Bried, é um livro que recupera a sabedoria preciosa das nossas queridas avós. Elas ensina­ram-nos a ser auto-suficientes, a poupar dinheiro, a divertir-nos e, acima de tudo, a valorizar o que é realmente importante na nossa vida. Chega às livrarias a 5 de Junho.

Já a Minha Avó Sabia reúne mais de 100 dicas sobre cozinha, limpeza, jardinagem, lazer, poupança e tantos outros temas da vida quotidiana. Quer aprender a planear a ementa semanal? Sabia que pode usar o vinagre para limpar quase tudo? Precisa de truques para remover a maior parte das nódoas? Sabe como perfumar a casa sem velas? E como conseguir uma boa noite de sono? Quer dominar a técnica de fazer comprar sem crédito? Precisa de dicas para iniciar um pé-de-meia? Qual a melhor forma de lidar com um problema no seu bairro? Entre muitas outras utilidades do dia-a-dia, neste livro, como num baú que se vai buscar ao sótão, está o que as nossas avós nos ensinaram e que nunca devemos esquecer. Era assim que as nossas avós faziam: soluções práticas e simples. Nunca falham.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Novidades Editoriais - Os Livros De Junho - Grupo Leya

 O Nosso Avô Foi à Guerra, de Clemente e Nuno Rogeiro (DOM QUIXOTE)

Cem anos depois, Clemente e Nuno Rogeiro descobriram o diário do avô na I Guerra Mundial. Investigaram também vários aspectos menos conhecidos do conflito: da espionagem sobre Portugal ao papel das forças especiais alemãs (as «Unidades Röhr»), da desmontagem de mitos sobre Tancos e La Lys aos reais segredos da nossa entrada em combate, com recurso a novas fontes e arquivos. Joaquim Simões Costa acabou a Grande Guerra como tenente do exército português, na arma de infantaria. Foi um dos primeiros militares a entrar nas trincheiras, na primeira linha, face ao inimigo, em Ferme du Bois. No Dia de Santo António, em 1917, ainda sargento, tombou gravemente ferido. Por iniciativa sua, a subunidade que comandava desobedeceu a ordens de retirada, e resistiu mais uma hora, para dar tempo à entrada em acção da nossa artilharia. À venda a 12 de Junho



O Fundo da Gaveta, de Vasco Pulido Valente (DOM  QUIXOTE)

Novo livro de Vasco Pulido Valente é colocado à venda a 19 de junho, com apresentação pública a 28 de Junho, na Livraria Leya na Buccholz. A Monarquia Constitucional portuguesa explicada por VPV. Num primeiro ensaio, A Contra-Revolução, esclarece como D. Miguel falhou a tentativa de restaurar o absolutismo. Com o irmão, D. Pedro IV, precipitou o país para as Guerras Liberais. Ressurreição e Morte do Radicalismo, o segundo ensaio, descreve a posterior tentativa falhada de modernização do país, que não conseguiu reformar o Estado, fazer a economia crescer e educar a sociedade. Assim se conduziu o país para uma nova revolução, a republicana, de 1910. Com o seu estilo inconfundível, O Fundo da Gaveta é uma descrição brilhante do Portugal oitocentista e uma poderosa metáfora do nosso país. 



Sexo, Drogas e Selfies (SDS), de Francisco Salgueiro (Oficina do Livro)

O autor de O Fim de Inocência – livro transformado em filme no ano passado – regressa com a história da Joana, de 15 anos, que quer repetir todas as experiências de Inês (a personagem principal desse livro). Perdeu a virgindade aos 12 anos e é uma das raparigas mais populares do colégio. Ela e as amigas, aparentemente perfeitas para os pais, escondem um dia-a-dia de sexo com estranhos, sem preservativo, e muitas drogas. Noites levadas ao limite para contornarem o aborrecimento de um quotidiano em que estão sempre agarradas ao telemóvel. É o retrato de uma geração que não vive o momento porque cada instante só lhes parece real se for registado pela câmara de um telemóvel. É a geração que depende das selfies e dos likes.  À venda a 12 de junho.



Surf (ing) The Next Step, de António Pedro Sá Leal e André Carvalho (Casa das Letras)

Uma pequena jóia da literatura portuguesa

OBRAS DO DIABINHO DA MÃO FURADA
António José da Silva (O Judeu)
15x23
136 páginas
11,90 €
Ficção/Literatura Portuguesa
Nas livrarias a 05 de Junho
Guerra e Paz Editores

O livro Obras do Diabinho da Mão Furada é uma peque­na jóia da literatura portuguesa. Foi escrito no século XVIII, quando em Portugal ainda as garras da Inquisição se faziam sentir. A Inquisição vitimou, aliás, o autor, António José da Silva, conhecido como O Judeu, queimando-o, em auto-de-fé, em Lisboa, em 1739. 

O soldado Peralta, vindo das guerras da Flandres, dirige-se a Lisboa. No Alentejo, encontra um ser demoníaco, o Diabi­nho da Mão Furada, que o irá acompanhar na viagem, tentan­do-o ao pecado. Conseguirá Peralta resistir?
Pelo caminho, o demónio faz das suas: cria divisões, espa­lha a confusão, faz travessuras, divertindo-se sempre. Peralta depara-se com personagens excêntricas e situações insólitas. Viaja até ao Inferno, vê os tormentos por que passam as almas pecadoras. Visita o palácio onde se encontram os sete peca­dos capitais.

Foge da casa da Cobiça. O real e o sobrenatural misturam-se em pleno Alentejo, numa verdadeira novela dia­bólica.
Oriundo de uma família de cristãos-novos que se refugiara no Brasil, António José da Silva Coutinho é considerado o dramaturgo português mais importante entre Gil Vicente e Almeida Garret.
Esta edição de Obras do Diabinho da Mão Furada inclui nota introdutória, lista de personagens e o texto «O Fradinho da Mão Furada», um conto popular recolhido por José Leite de Vasconcelos, que terá servido de inspiração para este livro. 

Chega às livrarias a 5 de Junho.

Não faça um bicho de sete cabeças. Chegou o mais completo dicionário de palavras cruzadas de Portugal



Qual o símbolo químico da prata? A capital da Bulgária é…? Como se escreve 900 em números romanos? Como se chamam os pescadores em Aveiro? E o cavalo do Zorro? E uma outra maneira de dizer «antigamente»?

Não faça de umas palavras cruzadas um bicho de sete cabeças! No Dicionário Enciclopédico de Palavras Cruzadas, de Mário Bernardo Matos, encontrará a solução. Um livro destinado a cruzadistas, curiosos ou simplesmente a todos aqueles que pretendem aumentar a sua cultura geral. Chega às livrarias a 5 de Junho.

Fazer palavras cruzadas só traz benefícios, podendo ser um verdadeiro ginásio cerebral. É um excelente exercício para treinar a memória; estimula o raciocínio e melhora a concentração; enriquece o vocabulário; desperta a curiosidade e relaxa e diverte.

«O Dicionário Enciclopédico de Palavras Cruzadas, que reúne mais de 17 500 entradas, tem como objetivo principal oferecer, para além do seu conteúdo enciclopédico e rico em sinonímia, a possibilidade de uma busca prática, acessível e coerente. No entanto, é evidente que um di­cionário deste género se reveste de uma pecu­liaridade incontornável: ao contrário dos dicio­nários tradicionais, este parte de uma definição para chegar a uma palavra, e não de uma pala­vra para chegar a uma definição.»

Que a consulta do Dicionário Enciclopédico de Palavras Cruzadas se revele, portanto, um prazer para o utilizador, ao conjugar a aquisição de cultura com o divertimento do cruzadismo.




Mário Bernardo Matos
15,5x23
464 páginas
Não Ficção/Lazer
19,50 €
Nas livrarias a 05 de Junho
Guerra e Paz Editores

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Quem são os vilões do planeta cor-de-rosa? Sábado, 2 de Junho, 19h00, Praça Leya, a propósito do livro Planeta Cor-de-Rosa, de Luísa Jeremias


Velhos contos para novos tempos. E boas piadas que nunca passam de moda

 


A Guerra e Paz sabe bem que o que é nacional é muito bom. E, por não querer que falte nada aos leitores, prepara-se para publicar dois títulos que exaltam essa qualidade única que é ser português, entre histórias que se contam à lareira e anedotas que fazem soltar boas gargalhadas: Contos Tradicionais PortuguesesPiadas à Portuguesa chegam às livrarias a 5 de Junho.

Contos Tradicionais Portugueses aceita o desafio de voltar à literatura popular, oferecendo-nos os mais belos contos perten­centes à tradição oral. São histórias conservadas e contadas pelo povo: a acção é simples predominando o elemento mágico sobre­natural, o sentimento, a jocosidade, o maravilhoso. Ah, sejamos claros, neles até os animais ganham vida e falam.
Estas histórias revelam muito do país que somos, da cultura popular, dos nossos costumes e tradições. Leia-as agora e volte a contá-las, ao calor da lareira ou aos seus amigos nas redes sociais, e como se diz correntemente «acrescente um ponto».

Contos Tradicionais Portugueses reúne mais de 50 contos, escolhi­dos das obras de Adolfo Coelho, Ana de Castro Osório, Consiglieri Pedroso, José Leite de Vasconcelos e Teófilo Braga.
Por entretenimento ou consolo, adentremos neste maravilhoso bosque do imaginário da cultura tradicional portuguesa e retiremos daí uma ou outra lição. Ou… talvez possa­mos apenas ler, sorrir e retirar alguma beleza do tesouro que aqui se compila. E, como não há ninguém a contar anedotas como os por­tugueses, aproveite a boleia para contar umas anedotas com Piadas à Portuguesa. É uma sina: rir-nos das nossas desgraças. Secas ou molhadas, inocentes ou indecentes, são o melhor remédio! Ria-se como se não houvesse amanhã!

Não vamos dizer qual o cúmulo do ridículo, mas damos a conhecer muitas anedotas, algumas calinadas e até deixamos umas dicas!


(RE)DESCUBRA AS ANEDOTAS PORTUGUESAS, DIVIDIDAS EM:

«MIÚDOS, OS TENEBROSOS DIABRETES» – as típicas anedotas do Joãozinho e companhia;
«Ó TINDER DOS MEUS AMORES» – anedotas picantes e sobre relacionamentos;
«PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, RI-VOS!» – quem se lixa é o zé-povinho;
«LOIRAS, LOIRINHAS, LOIRAÇAS, LOIRONAS» – as anedotas que as morenas contam com dor de cotovelo;
«AVENTURAS E DESVENTURAS DE UM ARTISTA PORTUGUÊS» – entre ingleses, franceses, espanhóis… levamos sempre a melhor;
«DE SÃO BENTO PARA O MUNDO: AS REPÚBLICAS EM CUECAS» – chistes sobre quem governa;
«BOLAS ROLANTES E OUTROS FUTEBÓIS» – as piadas do desporto;
«QUID IURIS, OU O FORROBODÓ NA BARRA DO TRIBUNAL» – as anedotas sobre a Justiça;
«IN NOMINE DEI: GLÓRIAS DIVINAS, PRAZERES TERRENOS» – freiras, padres… ninguém escapa ao humor português;
«A ETERNA PLANÍCIE: ORAÇÕES SAPIENCIAIS ALENTEJANAS» – a boa disposição do Alentejo;
«METE-LHE ÁGUA, MUITA ÁGUA» – as secas que todos contam, mas fingem não gostar;
«WELCOME TO THE DARK SIDE OF THE FORCE» – o lado mais negro do humor.



CONTOS TRADICIONAIS PORTUGUESES
Adolfo Coelho, Ana de Castro Osório, Consiglieri Pedroso, José Leite de Vasconcelos e Teófilo Braga
15x23
256 páginas
Ficção/Contos
15,90 €
Nas livrarias a 05 de Junho
Guerra e Paz Editores

PIADAS À PORTUGUESA: SECAS, MOLHADAS, INOCENTES E INDECENTES
Guerra e Paz Editores
15x23
208 páginas
Ficção/Humor
15,90 €
Nas livrarias a 05 de Junho
Guerra e Paz Editores




A Rosa do Adro e Palavras Cínicas. Dois bestsellers que a Guerra e Paz traz de volta às livrarias




Há livros que marcam a nossa portugalidade. É o caso de A Rosa do Adro, de Manuel Maria Rodrigues, ou Palavras Cínicas, de Albino Forjaz de Sampaio. Seja em jeito de romance, onde não falta um trio amoroso com cenário numa aldeia do Minho, ou no formato de crónicas mordazes de crítica social, êxito estrondoso junto dos leitores no início do século passado, estes dois livros carregam consigo, na sua linguagem e estilo de escrita, em tudo o que abarcam, o fado de ser português. Duas pérolas que a Guerra e Paz traz de volta às livrarias.

A Rosa do Adro, romance publicado pela primeira vez em 1870, é a obra mais popular de Manuel Maria Rodrigues. Com numerosas reedições, foi também alvo de várias adaptações e de duas versões cinematográficas. Numa aldeia minhota, a umas cinco ou seis léguas do Porto, esta é a história das aventuras e desventuras amorosas de Rosa.
A Rosa do Adro «era a alegria e o enlevo de toda a gente, a rainha, o tudo daqueles lugares». Cobiçada por todos os «moços», é difícil resistir aos seus encantos, que o diga Fernando e António. Constitui-se assim um trio amoroso.
Rosa ama Fernando, que a corresponde mas se ausenta para acabar o curso de Medicina no Porto. António ama Rosa, e, sempre atento, quer protegê-la e até deseja vingança. A partir daqui, o enredo está criado e ainda surge Deolinda, a filha da baronesa, uma «alma nobre e generosa»…
Estamos diante de um dos romances mais vendidos de sempre e, que inexplicavelmente, a crítica ignorou. A Rosa do Adro, romance de Manuel Maria Rodrigues reeditado milhares de vezes durante o século XX, na actual centúria encontra-se esquecido. Afinal quem é esta Rosa? Quem a conhece nos dias de hoje? Outrora tão comentada, hoje abafada, queremos dar-lhe nova vida.

Trinta e cinco anos depois, em 1905, Portugal conhecia, com espanto e admiração, a primeira de muitas edições de Palavras Cínicas, um dos livros mais vendidos do século XX. A crónica de crítica social catapultou-o para a fama e, aquando da morte do Autor, o livro já contava com 46 edições. Em apenas 100 páginas, destrói-se o amor, a família, a religião. Quem consegue ficar indiferente a tamanha língua viperina?
A publicação das oito cartas que compõem este livro daria ori­gem a um leque de reacções, do aplauso fervoroso à condenação feroz. O pessimismo e a mordacidade da voz de Albino Forjaz de Sampaio atingiram de forma certeira algumas das fundações do edifício português: o clericalismo enfatuado, a moral balofa, o populismo sabichão. Mais de cem anos depois, encontrarão estas cartas os mesmos destinatários?

Estão disponíveis em todas as livrarias a 5 de Junho.


A ROSA DO ADRO
Manuel Maria Rodrigues
15x23
224 páginas
Ficção/Romance
13,90 €
Nas livrarias a 05 de Junho
Guerra e Paz Editores

PALAVRAS CÍNICAS
Albino Forjaz de Sampaio
15x23
112 páginas
Ficção/Crónicas
11,90 €
Nas livrarias a 05 de Junho
Guerra e Paz Editores

terça-feira, 29 de maio de 2018

As Faces de Victória Bergman - Trilogia, Erik Axl Sund

Agora que começo a recuperar a minha rotina de leitora, bem como o gosto de ler livro atrás de livro, ainda noto uma certa dificuldade em vir até aqui e escrever algo que se pareça com uma opinião. Sempre ouvi dizer que a arte de escrever deve ser trabalhada como um músculo e é mais que certo....

Para me facilitar um bocadinho a vida, e também por uma questão de lógica, resolvi condensar a opinião da trilogia num só post, para evitar largar alguns spoilers pelo meio. 

Portanto, como podem ter percebido, A Rapariga-Corvo, de Erik Axl Sund, foi o livro que me trouxe de volta do estado letárgico em que me encontrava. Precisava de um livro marcante, cativante e se possível, que chocasse. Recordo-me de estar parada em frente à estante, à espera que algum livro saltasse à vista. E lá estava ele, à espera desde 2015. 

A história encaixa nas categorias de Drama/ Policial, que estou convencida que seja a especialidade dos autores nórdicos.

Quando surgem crianças mumificadas em vários pontos de Estocolmo, a agente Jeanette Kihlberg é a responsável pela investigação destes macabros assassinatos. O estado de conservação das crianças, bem como a evidência dos maus tratos e mutilações sofridas ainda em vida, são descritos de uma forma muito directa e crua, tornando a leitura bastante apelativa, mas também difícil em alguns momentos. Para além das dificuldades que Jeanette e a sua equipa encontram para identificar as vítimas, cedo percebem que se tratam de crianças que "ninguém perdeu", o que encaminha a investigação para a possibilidade de se tratar de tráfico humano, pedofilia e pornografia infantil. 

Lá está, não é nada fácil escrever sobre esta trilogia sem entrar em spoilers... O próprio conceito de "as faces de Victória Bergman", anunciado na capa como um sub-título, é algo que deve ser descoberto ao longo da leitura, pois nem tudo é o que parece. E não somos só nós, leitores, a levantar o véu a uma série de mistérios. Os assassinatos das crianças mumificadas dão o mote para algo maior. 

A verdade é que não podia ter escolhido melhor. Esta é uma série que marca, talvez para toda a vida. Só o final deixou a desejar e não fez jus ao trabalho que os autores foram construindo desde o início. Ficaram pontas "mal atadas" como se de repente lhes desse a pressa para acabar a história. Não me importava nada de ter mais 200 páginas se isso significasse deixar tudo arrumadinho, como a construção da história fazia prever.

Em diversas ocasiões me passou pela cabeça que esta trilogia daria uma boa adaptação para tv. Nada de filmes! Se assim já o final da história foi contado quase de fugida, nem quero imaginar os cortes que isto levava se passasse para o grande ecrã. Eu acompanharia esta série, sem dúvida :)



Outras sugestões de leitura:

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Tenho Medo de Partir. Um livro de viagens de Fernando Pessoa & heterónimos

TENHO MEDO DE PARTIR – UM LIVRO DE VIAGENS
Fernando Pessoa
Antologia de Manuel S. Fonseca
15x23
192 páginas
13,50 €
Ficção/Poesia
Nas livrarias a 2 de Maio
Guerra e Paz Editores

Tenho Medo de Partir é o segundo livro da colecção Os Livros de Fernando Pessoa. Nesta colecção cada livro é uma antologia de textos de Fernando Pessoa & heterónimos à volta de um tema, organizada por Manuel S. Fonseca. Depois das drogas pessoanas –Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos – este livro convida o leitor a entrar nos comboios, carros ou navios em que viajam Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Fernando Pessoa ou Bernardo Soares. Este livro retoma em edição revista e acrescentada, doLivro de Viagem, publicado pela Guerra e Paz em Novembro de 2009. Esta edição contém mais 33 textos de Fernando Pessoas e seus heterónimos. Chega às livrarias a 2 de Maio.

O organizador, Manuel S. Fonseca, justifica assim esta antologia: 
«Suponhamos por um momento que o empregado comercial Fernando Pessoa, o mestre Alberto Caeiro, os seus dois discípulos, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, e ainda o ajudante de guarda-livros Bernardo Soares eram membros de uma associação secreta de viajantes. Mesmo a associação secreta mais estacionária, e por maioria de razão uma movente associação de viajantes, precisa de uma senha que permita aos seus membros reconhecerem-se sem serem reconhecidos. A antiquíssima associação a que pertenceria Pessoa e o seu heteronímico estado-maior só podiam adoptar como senha este mote omnisubjacente a quase todas as viagens de que este livro dá testemunho: Para que precisa de viajar com o corpo quem tão bem viaja com a alma!

Hoje, nenhuma agência de viagens os aceitaria e até para voos low cost seriam imprestáveis viajantes. Porém, na imaginação dos clandestinos membros de tão secreta associação, desfilam comboios absolutos,chevrolets ideais a cada curva de estrada, luxuosos paquetes, a sombra de piratas e velhas naus, os lenços brancos da despedida em gares cheias de vapor, a saudade de não sentir saudades do Cais de onde nunca se parte.

Viajantes diferentes de todos os viajantes, Pessoa & Companhia podem até parecer iguais ao viajante comum, quando relatam o alvoroço de cada partida, a emoção da turba febril, o adeus. Não lhes escapa sequer o trivial gesto do viajante que pega na sua mala rejeitando a ajuda do moço carregador, não lhes escapa a ânsia do Oriente, da China, do sol do Pártenon ou da Acrópole. Campos, Soares, Caeiro, Reis, Pessoa ele mesmo, todos viajam e buscam o fim do mundo. Mas em que parte, se é que em parte alguma, o procura quem, obsessivo, grita que sabe ser mais verdadeiro sonhar com Bordéus do que desembarcar em Bordéus?

Viajantes duma mesma obscura seita, poetas todos, mas tão diferentes na sua formação, que inclui um tradutor de cartas comerciais, um contabilista, o mais jovem dos mestres, um engenheiro, um latinista semi-helénico, cada um formula diferentemente a mesma convicção neoplatónica da viagem. Deixaram numa arca os mapas, as recordações, os diários dessas viagens.  Há meio mundo a devassá-los. Mal seria se não corrêssemos a espreitá-los nós também.»

A próxima antologia vem a caminho. Tem conselhos de Fernando Pessoa a casadas, mal-casadas e algumas solteiras.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Eugénia com Lobo Antunes no Festival de Poesia de Bucareste


As ruas de Bucareste vão encher-se de versos e poetas, de 14 a 20 de Maio. Mais de 150 poetas de todo o mundo foram convidados para o Festival Internacional de Poesia de Bucareste, na Roménia, cujo programa prevê leituras públicas, debates, mesas-redondas, lançamento de livros e, também, muita música. 

Eugénia de Vasconcellos, autora da Guerra e Paz Editores, foi a poeta portuguesa eleita para representar o nosso país. Outro autor português presente será António Lobo Antunes, que a organização escolheu como convidado de honra do evento.

Eugénia de Vasconcellos é autora de O Quotidiano a Secar em Verso, mas também do ensaio Camas Politicamente Incorrectas da Sexualidade Contemporânea, tendo traduzido a poesia de Claude Le Petit, reunida em O Bordel das Musas. É ainda autora da versão do Cântico dos Cânticos, incluída na colecção Livros Amarelos, num volume com o Manual de Civilidade para Meninas, de Pierre-Félix Louÿs.

Em breve, a Guerra e Paz publicará novo livro de poemas da autora.

Nobel da Economia em Portugal para lançar Economia do Bem Comum



Jean Tirole, Prémio Nobel da Economia 2014 e um dos economistas mais influentes da actualidade, estará em Portugal para a sessão de lançamento do livro «Economia do Bem Comum», que decorre a 15 de Maio, às 18h30, no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Uma sessão que, além da presença do autor, conta com apresentação de Guilherme d’Oliveira Martins e Pedro Pita Barros.

Com o seu primeiro livro destinado a um público abrangente, o Nobel da Economia Jean Tirole confronta-nos com os assuntos que afectam o nosso quotidiano: a economia digital, a inovação, o desemprego, as alterações climáticas, a Europa, o Estado, as finanças, o mercado.

Convicto defensor da razão, contra os populismos de direita e de esquerda – no caso francês, assumidamente contra as ideias económicas de Marine Le Pen e as teses radicais de esquerda de Jean-Luc Mélenchon, Jean Tirole, no seu Economia do Bem Comum aborda, num discurso acessível a todos, os grandes temas da economia do mundo actual:

1.         A ligação da sociedade à economia enquanto disciplina e paradigma.
2.        As nossas instituições, Estado e mercado, na sua dimensão económica.
3.        Os grandes desafios macroeconómicos actuais: o clima, o desemprego, o euro, a finança.
4.        As questões microeconómicas fundamentais para o futuro da nossa sociedade: a política da concorrência e a política industrial, a revolução numérica – os seus novos modelos económicos e os seus desafios sociais –, a inovação e a regulação sectorial.

«Até aos anos 80, compreender a economia tinha menos valor do que hoje. O Estado decidia tudo, controlava os preços, geria o direito de concorrência… mas hoje vivemos num mundo em que tudo isso mudou», sustenta Tirole. E adianta em seguida o que entende por bem comum: «A economia do bem comum é fazer com que os interesses privados estejam em linha com o interesse geral.» A convite do primeiro-ministro socialista Leonel Jospin, Jean Tirole foi membro do Conselho de Análise Económica, em França: “Servi governos de direita como de esquerda. O que me interessa são as ideias, não sustentar este ou aquele partido, este ou aquele homem político.»

Para Tirole, em países como França ou Portugal é comum dar-se uma definição errada do termo «liberal». O termo é associado à ideia de deixar fazer tudo, ou de que o Estado não faz nada, o que Tirole nega: «Ser liberal, pelo contrário, é responsabilizar os indivíduos para evitar que adoptem comportamentos nefastos para a sociedade, não os deixando poluir, não deixando que a banca assuma riscos excessivos…»

Jean Tirole contraria também a ideia de que cada economista, cada sentença, apontando para o consenso que a maioria dos economistas estabeleceram já em todo o mundo em temas como, por exemplo, o facto da redução das horas de trabalho não criar mais postos de trabalho de uma forma permanente. Outro elemento consensual: a entrada de imigrantes num país não só não rouba emprego aos nacionais como, a médio e longo prazo, gera mais emprego, porque o trabalho em quantidade fixa é um sofisma.

Jean Tirole nasceu em 1953, em Troyes, França. Foi galardoado com o Prémio Nobel da Economia em 2014. É presidente da Escola de Economia de Toulouse, membro fundador do Instituto de Estudos Avançados de Toulouse e director científico do Instituto de Economia Industrial. Engenheiro geral de pontes, água e florestas, director de estudos da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais, é também professor convidado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Jean Tirole vem a Portugal a convite da Guerra e Paz Editores e do Institut Français.

ECONOMIA DO BEM COMUM
Jean Tirole
15x23
560 páginas
32,00 €
Não Ficção/Economia
Nas livrarias a 15 de Maio
Guerra e Paz Editores