Depois de perceber que
O Código d'Avintes não foi a melhor escolha para me iniciar na obra de Mário Zambujal, surgiu a necessidade de procurar outro livro para discutir no clube de leitura. O que eu não esperava, neste processo, era encontrar um novo apoio para o blogue.
Já não se Escrevem Cartas de Amor, foi gentilmente cedido pela Esfera dos Livros para opinião. Mas antes de passar ao livro propriamente dito, não posso deixar de elogiar a rapidez do envio! De um dia para o outro, tinha o carteiro a bater-me à porta. Fiquei bastante surpreendida :)
Ao abrir o embrulho deparei-me com uma edição muito bonita, em hardcover e com a jacket igual à capa. Como sempre, tirei-a e guardei-a na estante para que não se estragasse durante a leitura. Adorei o detalhe da fita para fazer a marcação das páginas, mas não imaginam o stress que foi ler ao pé do meu gato... Tive que estar sempre a segurar na fita porque à mínima distracção, fugia-me o livro das mãos... Gatos!
A história é narrada pelo protagonista, durante uma noite tempestuosa. Duarte, com pouco mais que 70 anos, aguarda com alguma preocupação o regresso da esposa, enquanto vai recordando a sua juventude de namoradeiro. E assim, somos transportados para a Lisboa da década de 50. À parte da história, foi precisamente este retrato da capital que me agarrou à leitura. Duarte é filho de um comerciante bem sucedido, o que lhe proporciona uma vida desafogada. São frequentes as noites glamorosas no Casino do Estoril, nas boîtes e as tardes passadas no Chave D'ouro. São cenários que não conheço (seria difícil, também...) mas segundo as imagens presentes no livro, fazem lembrar o emblemático Edifício Facha, em pleno Rossio de Portalegre (actual Hotel José Régio).
E apesar de Duarte ser um autêntico mulherengo, o seu coração é facilmente arrebatado por uma jovem muito bonita, chamada Erika. Ainda se lembram de escrever cartas de amor? Aquela insegurança nas primeiras linhas, o receio de dizer algo inconveniente, deitar tudo fora e começar de novo... Ao ler este livro lembrei-me das cartas de amor escritas em tempos de guerra, em que o medo e a saudade pesam em cada palavra. Não é exactamente o caso deste livro, no entanto fiquei com pena, e alguma inveja, de nunca ter escrito (ou recebido) uma carta de amor. Outros tempos...
A escrita do autor não me cativou particularmente. É simples, permitindo uma leitura muito rápida. Mas não reti nenhuma característica que deva ser referida num texto de opinião. Ainda assim gostei da história, apesar de não concordar com o final (que passa pela revelação da identidade da esposa de Duarte). Foi um final que não esperava, precisamente por ser um pouco óbvio. Penso que a história poderia ganhar mais algumas páginas se o autor tivesse optado por outra esposa para o protagonista. Mas pronto, é apenas a minha opinião e não será este pormenor que me impedirá de ler mais livros de Mário Zambujal.
Mais uma vez agradeço a simpatia e a disponibilidade da editora!