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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Duas edições, o mesmo livro # 5

Esta rubrica começou como uma brincadeira com o meu pai, quando descobri alguns livros em comum nas nossas estantes. Desde então, sempre que encontro várias edições do mesmo livro, nasce um post :)

Uma das minhas leituras actuais é A Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz, que foi reeditado recentemente pela Guerra&Paz, incluído na nova colecção de clássicos portugueses. As capas desta colecção são lindíssimas e os livros contam com uma breve nota inicial da autoria de Helder Guegués. O meu exemplar foi cedido pela editora, para opinião no blogue. 

Só depois iniciar a leitura me lembrei que o meu pai tem uma edição antiga deste livro, que lhe foi oferecido quando terminou a tropa. Lembro-me que lho pedi emprestado e acabei por guardá-lo na estante do meu antigo quarto. Só não me lembrava de o ter trazido para a minha nova casa, junto dos meus livros. Por isso, quando perguntei pelo livro ao meu pai, há algumas semanas, e ele teimou que mo tinha dado, entrei em pânico e pensei que o tinha perdido. Aliás, estava convencida que o tinha devolvido. Mas quando revirei as estantes, lá estava ele... 

A edição do meu pai é de capa dura, editada pela Livros do Brasil. No entanto, não indica o ano da publicação, referindo apenas que se baseia nos manuscritos e na edição de 1901. 









É engraçado perceber que o livro pertence ao meu pai desde 1983, muito antes de eu ter sequer nascido. E pela primeira vez nesta rubrica não consigo escolher um favorito! Vocês conseguem?

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Duas edições, o mesmo livro # 4

O post de hoje é dedicado a uma autora por quem tenho muito carinho, não só pelo seu trabalho, mas também pela sua simpatia. Falo-vos da Isabel Ricardo.

No ano passado, por esta altura, decorria no Cantinho do Corvo Fiacha a leitura conjunta do livro O Último Conjurado. Foi uma experiência muito boa, não só pela qualidade do livro, mas também pela forma como os participantes trocavam ideias e discutiam a leitura. Mais importante ainda, podemos contar com a participação da autora! Este ano voltamos a repetir a peripécia, como forma de comemorar a reedição do livro A Revolução da Mulher das Pevides. 





No entanto, quando se começou a falar nesta leitura conjunta, ainda não havia certezas acerca da reedição. Durante a visita da Isabel  a Castelo de Vide, tive oportunidade de folhear a edição antiga, ler a sinopse e conversar um pouco acerca do livro. Fiquei imediatamente com vontade de o ler e, meses mais tarde, comprei um exemplar! 

Hoje recebi a nova edição, através da parceria com a Saída de Emergência. E se querem saber se me faz confusão ter dois livros iguais, digo-vos já que não. Até porque a história termina de forma diferente em cada livro. Para além disso os livros são muito diferentes e quero mostrar-vos tudo em detalhe!


Não consigo gostar apenas de uma capa. Talvez a da SDE, por ser mais simples, mas não deixo de gostar da primeira edição. O livro foi originalmente publicado em Outubro de 2010, pela Planeta Editora. Por dentro, gosto mais desta edição.




Por outro lado, a edição da Saída de Emergência tem outros detalhes que também a tornam muito bonita.


As fotografias tremidas são da responsabilidade do Tobias, o pestinha.
Ainda não tive oportunidade de começar a leitura, mas espero que isso mude ainda hoje. Como as duas edições são diferentes, o meu plano é começar pela mais antiga e, na última fase da leitura conjunta ler o final das duas edições. Quero ver de final vou gostar mais :)

Seja como for já fiz as devidas marcações das fases combinadas no Cantinho do Corvo.





De que edição gostam mais?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Duas edições, o mesmo livro # 3

Já perceberam que eu recebi o novo livro do Murakami pelo Natal, certo? Não me quero tornar repetitiva, mas a verdade é que, sem querer, a Su recebeu uma prenda igual à minha.

Ao que parece, a moça fez o favor de dar várias dicas ao meu namorado, para que ele me oferecesse um livro do meu agrado. Falaram em Ken Follett, Agatha Christie e Murakami. Fiquei toda contente por ele se lembrar que eu adoro este último e ter optado por um livro dele. Mas qual não é a coincidência, quando a Su abriu a prenda do seu Huguinho e viu lá dentro A Peregrinação do Rapaz Sem Cor... Há coincidências engraçadas!

Esta tarde fomos beber o último cházinho de 2014 e levámos os livros para fazer comparações. O meu é hardcover e o dela é paperback. Então lá estivemos a namorar as capas e a comparar o papel e essas nerdísses que só nós, livrólicos, compreendemos. À primeira vista até não parecem muito diferentes, mas na minha edição a jacket sai e a capa é branca com a borboleta desenhada a preto, como podem ver aqui!

São lindos, não são? Abençoados namorados!



quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Duas edições, o mesmo livro #2

No final de Setembro partilhei convosco dois livros de capas diferentes, mas que no fundo, são a mesma história. Uma das edições é minha e a outra pertence a uma colecção de clássicos já antiga que o meu pai comprou durante a sua juventude. Tal como prometido nessa altura, hoje venho mostrar-vos com que outro livro nos aconteceu uma situação semelhante.

Acontece que o livro antigo, em questão, tem uma história um pouco infeliz por trás pois, na verdade, ele não pertencia ao meu pai. Mas eu conto-vos a história!

Há uns anos atrás o meu pai estava a trabalhar numa quinta e os patrão era um senhor já idoso, tal como a sua esposa. Só que era um pouco... avarentos, embirrentos, sei lá.... Para terem uma ideia, o meu pai recebia à semana e era rara a sexta-feira que ele chegasse ao trabalho e o patrão estivesse lá para pagar. Saíam de madrugada, com o pretexto de ir visitar o filho ou ir de férias ou algo do género e assim se iam acumulando semanas e semanas sem o meu pai ver um chavo. Estão a ver a situação, não estão? 

Um dia, o meu pai chegou ao trabalho e encontrou uns poucos de sacos cheios de livros antigos cujo destino era a lixeira. Diz ele que havia de tudo um pouco, desde livros técnicos antigos a literatura clássica. Só que o meu pai teve a ideia infeliz de falar com o senhor e, já que os livros iam para o lixo, o meu pai ficava com eles, coisa que o senhor levou muito a mal e no dia seguinte os sacos tinham desaparecido. Estas coisas revoltam-me. Se não os queria, podia tê-los doado a uma biblioteca, ou à escola ou, sei lá, tê-los vendido na feira da ladra! Mas não, foram para o lixo e não se fala mais nisso. Só que o meu pai ainda conseguiu desviar alguns, discretamente. Julgo que ele tencionava fazê-lo aos poucos, mas acabou por não ter oportunidade para mais. 

Com isto, um dia deparámo-nos com mais duas edições de um mesmo livro:





Eu já tentei ler o meu exemplar, juro! Recordo-me de um dia estar na estação rodoviária de Évora a ler, enquanto esperava o meu autocarro. Só que, de súbito, encontrei um diálogo entre alguns personagens em que não se percebia quem dizia o quê e acabei por me assustar e desistir. Já agora aproveito para perguntar: já alguém por aí leu?

sábado, 27 de setembro de 2014

Duas edições, o mesmo livro

Hoje, depois de almoço comecei a discutir com o meu pai um sitio apropriado cá em casa para colocar uma nova estante. Já tinha pedido à minha mãe para tirar aquelas loiças que toda a gente tem de exibição nos armários de sala, mas como a resposta foi um redondo não, vou ter mesmo que fazer o investimento. A sério, não seria mais útil ela ceder-me o espaço para por alguns livros, em vez das terrinas e das chávenas que ninguém usa? Mas a casa não é minha, não sou eu que mando na decoração e não posso simplesmente aparecer aqui com um armário novo e pô-lo onde quiser. 

Entretanto já tenho um cantinho estudado juntamente com o senhor pai e aprovado pela dona mãe e já só falta mesmo a estante. Talvez esteja para breve... 

Com isto tudo, acabei por andar a mostrar ao meu pai algumas das minhas mais recentes aquisições, com especial orgulho nos clássicos da Civilização, que apesar de estarem expostos na sala de estar, ele ainda não tinha reparado. Também ainda só são cinco, passam bem despercebidos. Tentei sondá-lo para ver se ele acertava no preço de cada livro e acho que ficou surpreendido quando lho revelei. A verdade é que há muito que o meu pai perdeu o hábito de ler, agora só diz que lhe dá sono, mas ainda me lembro de quando era pequena, o ver de volta de algumas colecções que ele comprou na sua juventude. Confesso que sempre tive algum respeito pelos livros do meu pai e não me lembro de alguma vez lhes ter mexido, a não ser para lhes limpar o pó. E por isso, nem sabia ao certo sobre o que tratavam. 

Posso também dizer que, apesar de há muito tempo ter perdido o hábito de ler, o meu pai é talvez a única pessoa que não me mói o juízo por causa da quantidade de livros que compro. Ou pela bagunça em que o meu quarto se encontra por causa da falta de estante - como podem imaginar, é um problema sério. A última prenda que o meu pai me ofereceu, digna de ter esse nome, foi o livro do Mo Yan Peito Grande, Anca Larga, que eu cismei que queria ler mas ainda não li. Normalmente bem posso pedinchar bugigangas que ganho sempre as mesmas. Mas naquele dia calou-se enquanto eu argumentava, sem parar, os motivos pelos quais eu não iria sobreviver se não levasse o livro para casa naquele momento. E eu falei e insisti e contei o dinheiro que tinha na carteira e faltava-me só 10 euros para poder comprar o livro. E no fim, ele estendeu-me uma nota para comprar o livro na totalidade e disse-me, muito calmamente, que gastar dinheiro em livros nunca é mal gasto. E depois rematou com um "só não digas à tua mãe!" Ok, combinado :)

No meio dos livros que lhe mostrei hoje, houve um que saltou à vista na colecção dos clássicos: Quo Vadis. Comprei-o já este mês, depois dos meus anos e vou mostrá-lo melhor no próximo post sobre novas aquisições. E qual não é o meu espanto quando ele me disse imediatamente que tinha aquele livro. A principio não acreditei, pensei que estivesse a fazer confusão. Eu mesma só conheci o livro este mês. E depois ele mostrou-me a sua edição, que neste caso se divide em dois volumes:


Esta é a segunda vez que me deparo com um livro antigo do meu pai, que eu adquiri entretanto sem saber que ele tinha um exemplar. Um dia mostro-vos o outro livro com que isso aconteceu. Para já fica a pergunta: qual das edições gostam mais?