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domingo, 17 de janeiro de 2016

O Código d'Avintes

O autor escolhido para o mês de Janeiro, pelo clube de leitura ABurgo, é Mário Zambujal. Se por um lado gosto quando ainda não conheço nenhuma obra do autor escolhido, por outro lado chateia-me quando não tenho nenhum livro na estante à espera de ser lido. Por razões óbvias: estou em contenção de custos! Infelizmente, era este o caso com Mário Zambujal. Nem um livro na estante para amostra, nem um e-book na minha biblioteca digital... Acabei por contactar o meu book dealer que me arranjou um pack que incluía O Código d'Avintes e Os Novos Mistérios de Sintra. Na altura pareceu-me a solução perfeita, pois ambos os livros contam com a participação do autor. Mais tarde percebi que foi uma péssima escolha, mas já lá vamos!

O Código d'Avintes, à semelhança do que acontece com Os Novos Mistérios de Sintra, é um livro escrito a "7 mãos". Sete autores nacionais rumaram a Avintes, junto de Gaia, para provar as famosas broas e conhecer a localidade. Mais tarde puseram as mãos à obra e criaram a história que foi passada entre mãos e escrita um pouco ao sabor do improviso. Tornou-se hilariante perceber os detalhes rebuscados que foram deixando ao longo da história, para depois passarem a batata quente ao escritor seguinte. E penso que não correu mal. Entre sociedades secretas, documentos misteriosos, personagens bem desenvolvidas e alguns assassinatos, os autores conseguiram criar uma história divertida e com sentido, desenvolvendo até as tais armadilhas que deixaram ao longo do caminho. 

O único aspecto que tornou este livro uma péssima escolha, foi a falta de identificação do autor que escreveu cada capítulo. Como o meu objectivo era ler e reter algumas características da escrita de Mário Zambujal, não me serviu de nada... Por outro lado, tendo em conta que todos os anos tento apostar mais em autores nacionais, acabei a leitura satisfeita por ter conhecido seis novos autores. Só a Rosa Lobato Faria não me era desconhecida e penso que consegui reconhecer a sua escrita poética em alguns capítulos. Mas claro que não tenho como ter a certeza. 

Foi uma leitura bem divertida e que me valeu umas quantas gargalhadas. Em especial pela Lili e as suas birras de miúda  mimada e loira dominatrix. Fiquei com vontade de repetir a experiência e ler Os Novos Mistérios de Sintra, mas como a pilha de livros para Janeiro aumentou exponencialmente (e Fevereiro também já está mais que planeado) terá que ficar para outra altura. 

Já leram algum destes livros?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Os Três Casamentos de Camilla S.

O clube de leitura tem vindo a apostar na escolha de autores nacionais para as suas discussões e, tendo em conta que os meus objectivos pessoais também passam por aí, não me importo nada com isso. Para Dezembro decidimos recordar a autora e actriz Rosa Lobato Faria, falecida em 2010. 

Tenho apenas dois exemplares da sua autoria na minha estante: A Trança de Inês (com opinião aqui!) e Os Linhos da Avó. Confesso que a época festiva e a proximidade com o fim de ano pesou bastante na minha escolha, pois faltam-me apenas três livros para cumprir o desafio anual do Goodreads, e precisava de um livro pequeno e simples de ler. Mas não me apetecia nada ler contos e assim recorri à minha biblioteca de e-books e escolhi Os Três Casamentos de Camilla S

Trata-se da auto-biografia de uma senhora, algures nos 90 anos, que escreve as suas memórias, mesmo as mais íntimas, para que a sua neta leia, reescreva e, talvez, publique um livro. Regressamos a Lisboa, no início do século XX, onde Camila é apenas uma criança órfã, acolhida pelos tios e criada por Paca, uma cigana vidente. Como forma de assegurar a sua segurança, os tios arranjam um casamento com um médico de meia idade, que se responsabiliza pela educação de Camila e a respeita até que chegue o momento de a tratar como sua mulher. O enxoval é bordado com um S, em vez do apelido de Emídio, para que se possa aproveitar nos casamentos seguintes, pois segundo as profecias de Paca todos os maridos de Camila terão o apelido começado por essa letra. 

A história está repleta de segredos próprios de uma mulher jovem, como o primeiro beijo e os amores secretos. Mostra-nos a sociedade Lisboeta no início do século e como ela muda após as duas grandes guerras. Leva-nos aos palacetes e aos bailes de época. 

Gostei da leitura, apesar de não me ter marcado particularmente. A verdade é que precisava de algo leve e simples e encontrei-o. A escrita de Rosa Lobato Faria é também simples e a roçar o poético. Notei, no entanto, que a minha edição tinha alguns erros ortográficos e de pontuação. Não sei se será algum problema da edição do e-book ou se foi escrito propositadamente desta forma, pois a Camila refere algumas vezes que não tem jeito para escrever e espera que a neta corrija e reescreva as suas memórias. Fiquei na dúvida.... Excepto isto, não tenho mais nada a apontar. Fiquei, uma vez mais, com vontade ler mais alguma coisa da autora e há muito que tenho As Esquinas do Tempo debaixo de olho. Talvez seja em 2016!




terça-feira, 9 de julho de 2013

A Trança de Inês

Este romance, da autoria da actriz e escritora Rosa Lobato de Faria, baseia-se na trágica história de amor de D. Pedro I e Inês de Castro. 
Foi a minha estreia nos romances da autora e gostei muito. 
Neste livro vamos encontrar um Pedro louco, preso num manicómio onde constantemente recorda episódios da sua vida presente, da sua vida passada e, se possível, de uma vida futura. Em todas as vidas encontra a sua amada Inês, com a sua cabeleira farta e dourada presa numa linda trança que ele tanto adora. São descritas três vidas, três paixões que se encaminham para o mesmo trágico destino. Quantas vezes mais terá Pedro que vir ao mundo para ser privado do seu amor por Inês? 
Ao inicio o livro é um pouco confuso porque tal como os devaneios na mente de um louco, são-nos apresentados os três cenários de uma forma pouco clara. Fiquei um pouco baralhada ao inicio. Mas com a continuação tudo se percebe perfeitamente.
O livro é pequeno, lê-se muito bem e além do tamanho também está escrito de uma forma muito pessoal, carregada de amor e de dor e de confusão, como se fosse o próprio Pedro a relatar a história. Acho que a autora conseguiu passar muito bem ao leitor os sentimentos que atormentam o personagem principal. Chego ao fim a pensar "será possível haver um amor assim tão grande que nem a morte consiga separar? Será que estamos destinados a voltar ao mundo para corrigir os nossos erros ou viver os mesmos dramas?" 
Gostei muito do cenário descrito no tempo Futuro, apesar de ter regras muito rígidas e cruéis, encontramos um mundo com pés e cabeça e foi com certeza muito bem pensado. 

Recomendo o livro e fico com curiosidade de ler mais algum livro da autora. Provavelmente "Os Linhos da Avó" ou "As Esquinas do Tempo".

Ultimamente ando cheia de sorte com os livros escolhidos! Têm saído todos muito bons.

Para mais informações acerca do livro podem consultar aqui!