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terça-feira, 19 de março de 2019

Fica comigo este dia e esta noite, Belén Gopegui [Opinião]

Fica comigo este dia e esta noite, de Belén Gopegui, foi publicado pela Bertrand Editora no final de 2018. A autora, que até então me era completamente desconhecida, é licenciada em Direito pela Universidade Autónoma de Madrid, mas tem-se destacado na literatura. O seu livro mais célebre, La escala de los mapas, publicado em 1993 foi distinguido com vários prémios e o seu terceiro livro, La conquista del aire, foi adaptado ao cinema por Gerardo Herrero. 

O meu exemplar foi amavelmente cedido pela editora, a quem desde já agradeço. 

Ao longo da leitura acompanhamos a Olga e o Mateo, dois amigos improváveis, de estratos sociais e gerações diferentes, que se juntam para apresentar uma candidatura de emprego à Google. Dito desta forma, parece que pouco haveria para abordar. Mas estas são apenas as linhas gerais da narrativa e não nos devemos fixar muito nelas. 

Confesso que esta leitura foi um pouco atribulada, essencialmente porque não se trata do típico livro que nos conta apenas uma história. Não tem aquela "fórmula básica" em que nos são apresentados os personagens, o contexto, o contratempo que irão enfrentar e o eventual desfecho. Penso que Fica comigo este dia e esta noite é um livro aberto a interpretação e com um objectivo disfarçado. 

Enquanto lia o livro, encontrei alguns comentários negativos que se focavam na escrita pouco cativante e no facto de a sinopse ser enganosa. Tenho que concordar que o estilo da autora não me agradou particularmente, mas quanto à sinopse, acho que assenta perfeitamente. 

Para além de nos contar a história da estranha amizade entre a Olga e o Mateo, o livro tem um certo semblante filosófico. Vivemos na era da informática, em que tudo está à distância de um clique num ecrã (por vezes nem isso). O comportamento de uma pessoa cabe dentro de estatísticas e previsões feitas com base no uso doméstico dos nossos aparelhos electrónicos, dos dados guardados pelos navegadores, pelo histórico de compras que fazemos (online ou registadas pelos extratos bancários). A publicidade que nos é casualmente apresentada em banners e pop-ups é deliberadamente seleccionada com base nestes dados. Ninguém é anónimo e quase tudo pode ser calculado e previsto por inteligência artificial. E estamos de tal forma habituados a esta realidade que a pouco e pouco, geração após geração, perdemos a capacidade de ver o lado negativo de tudo isto. 

O Mateo e a Olga tentam resistir a esta tendência e é nas suas conversas de café e pequenas discussões amigáveis que somos recordados de diversos aspectos que não podem, de facto, ser previstos por robots. E foi isto que acabou por tornar o livro muito interessante, pois muitos destes aspectos referidos nas conversas casuais entre as personagens, são banais no nosso dia a dia mas podem revelar-se muito importantes. Basta dar-lhes o devido contexto. 

Fica comigo este dia e esta noite é um livro para quem gosta de reflectir. 


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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Opinião - O Pranto de Maria Parda / Auto da Barca do Inferno [Clássicos Guerra e Paz]

Não se sabe ao certo a data de nascimento de Gil Vicente. Alguns historiadores apontam para 1460, 1466 ou mesmo 1470/75, mas não há um consenso e mesmo as datas sugeridas baseiam-se em estimativas relativas à datação de algumas das suas obras. 

Gil Vicente é considerado o pai do teatro português, para o qual contribuiu como poeta, músico, actor e encenador. A sua obra reflecte a mudança sentida nos tempos entre a Idade Média e o Renascimento, criticando uma sociedade regida por regras inflexíveis e assinalando a mudança para uma sociedade que questiona as lacunas existentes e procura corrigi-las.  

Ainda me recordo vagamente de ter estudado Gil Vicente na escola, apesar de já não saber ao certo em que ano escolar a sua obra é abordada. O Auto da Barca do Inferno é certamente uma das suas peças mais conhecidas, não só pela parte de ser estudada todos os anos a nível nacional, mas também por ser frequentemente exibida em alguma companhia de teatro.

Ainda assim, aproveitei o lançamento desta edição da Guerra e Paz para reler e recordar a obra. Não me canso de elogiar esta colecção de clássicos. Para além da enorme diversidade de títulos já disponíveis, as capas são lindíssimas e embelezam bastante as minhas estantes.

Sei que é muito pouco provável que quem está desse lado a ler estas palavras não esteja familiarizado com a história do Auto da Barca do Inferno, mas pelo sim pelo não aqui fica algum enquadramento…
O Auto da Barca do Inferno é a primeira parte da trilogia das Barcas, seguindo-se o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória. Trata-se de uma obra que retrata a sociedade lisboeta do séc. XVI e centra-se na “moralidade” da época, apesar de muitos dos assuntos criticados ainda serem actuais nos dias de hoje. 

A história desenrola-se num cenário pós morte, em que os personagens se preparam para entrar na barca que os deverá levar ao Paraíso. Mas ao chegarem ao porto encontram não uma, mas duas barcas. Na barca mais enfeitada encontra-se o Diabo, que tenta aliciar os personagens a entrar a bordo. A barca mais modesta pertence ao Anjo, que só transportará para o Paraíso aqueles que de facto mereçam o descanso eterno.

No entanto, e apesar de ser sempre bom reler o Auto da Barca do Inferno, o que me fez comprar o meu exemplar foi a referência a uma história de Gil Vicente que não conhecia: O Pranto de Maria Parda.

À semelhança do que encontramos noutras obras do autor, O Pranto de Maria Parda retrata as classes baixas e os seus vícios/ defeitos. Neste caso, Maria Parda é uma mulher alcoólica que vagueia pela cidade, mendigando vinho em todas as capelinhas que encontra e tentando ainda que os taberneiros tenham pena da sua sede insaciável e que fiem um copito ou dois.

Esta peça terá sido publicada em 1522 e supõe-se que a sede de vinho seja na verdade uma crítica às condições complicadas em que o povo vivia no séc. XVI. Talvez “crítica” não seja a palavra mais correcta neste contexto. As peças de Gil Vicente eram exibidas para os membros das classes altas e talvez esta peça surja mais como uma forma de lembrar/ mostrar aos nobres que o povo passava fome.  

Ler Gil Vicente é sempre um deleite mas, ao mesmo tempo, não é propriamente fácil. A linguagem não está adaptada aos dias de hoje. As notas de edição ajudam bastante, mas é claro que “traduzir” Gil Vicente para o português actual seria “castrar” a obra do seu encanto natural. Além disso, são obras muito nossas que apresentam um retrato muito fiel do que era à época o povo português. -Vamos fingir por um momento que muitos destes valores não continuam actuais. - A juntar aos benefícios da leitura também é importante referir que a escrita em forma de verso ajuda a que as páginas do livro voem rapidamente. E se por acaso voarem demasiado depressa, há mais obras do autor que vale a pena conhecer!

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Opinião - Um Pequeno Favor, Darcey Bell [Bertrand Editora]


Sim, a amizade pode revelar-se muito perigosa.

Um Pequeno Favor, de Darcey Bell foi cedido pela Bertrand Editora para opinião no blogue.

Tudo começa com um pequeno favor. Emily e Stephanie são melhores amigas e como tal, partilham as tarefas que dizem respeito aos seus dois filhos. As boleias para casa, as brincadeiras e as actividades fora da escola, são planeadas de forma a que a agenda preenchida de Emily não prive o seu filho Nicky de ter uma infância feliz.

As história complica-se quando Emily desaparece, logo depois de pedir a Stephanie o favor de levar Nicky para sua casa, depois da escola, para que possa resolver um problema inesperado no trabalho. Nessa noite, Stephanie tenta manter a calma, convencendo-se que talvez não tenha percebido bem o pedido da amiga. Talvez Emily tenha pedido explicitamente que Nicky ficasse com Miles nessa noite, e Stephanie, que nem uma tonta, não percebeu. No dia seguinte, ainda sem sinais de Emily e com Nicky cada vez mais impaciente, é altura de entrar em pânico.  

Apesar do drama, não consegui sentir empatia por nenhuma personagem. Gostei apenas do feitio bitchie da Emily. Seja como for, quando as peças do puzzle começaram a encaixar, ainda tive pena de Stephanie pelo papel que desempenha no meio da história. A sua ingenuidade torna-a muito influenciável. Mas depois de ter as cartas todas na mesa, permanecer "no jogo" e permitir que continue a ser manipulada, já é pura burrice. 

Outra coisa que quase me fez atirar o livro ao ar, foi a referência às impressões digitais entre gémeos serem iguais, tal como o ADN. Percebo que a autora não tenha formação na área científica, mas esta questão era facilmente esclarecida com uma breve pesquisa no Google. Para que duas pessoas tenham as mesmas impressões digitais, teriam que ser clones. Mesmo entre gémeos verdadeiros as impressões digitais são sempre diferentes. Ao lerem o livro percebem porque é que este aspecto acaba por ser relevante. 

Fora isto tudo, posso dizer que gostei muito do livro. Com um relato feito alternadamente pelos personagens e através de posts da Stephanie no seu blogue, a leitura torna-se bastante fluída e quando nos apercebemos já passámos o meio do livro e é difícil pousá-lo. Em Outubro é frequente recorrermos a leituras mais assustadoras, em alusão ao Dia das Bruxas, e apesar de eu andar afastada (ou mesmo saturada) de desafios e leituras temáticas, Um Pequeno Favor é uma excelente escolha para esta altura. Especialmente para quem tem uma TBR enorme pela frente e quer ler algo que seja bom e, ao mesmo tempo, que nos prenda à leitura de tal forma que rapidamente viramos a última página.

Se o livro poderia estar mais bem trabalho em certos detalhes? Claro que sim. Mas pelo que percebi este é o primeiro livro da autora, portanto não acho que tenha feito um trabalho tão mau quanto isso. 

A adaptação cinematográfica estreou em Portugal a 20 de Setembro. Ainda não tive oportunidade de ver mais do que o trailer, mas acho que a escolha de actrizes está muito boa. Consegui imaginar perfeitamente ao longo da leitura a Blake Lively no seu papel de Emily, com as roupas elegantes de quem trabalha no ramo da moda e a Anna Kendrick sentada ao computador, a escrever posts para as "Mães" de todo o mundo. 




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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Gozam, gozam, mas a Maria Leal é que a leva direita

Pois é, hoje vamos falar um bocadinho desse fenómeno da música nacional que é a Maria Leal. Vocês já sabem que este blogue não é dado à coscuvilhice, muito menos se o assunto vier da Casa dos Segredos ou qualquer outro programa da TVI que vá dar na mesma treta.

Para ser sincera, é muito raro a minha televisão transmitir alguma coisa que não sejam os canais FOX e, precisamente por isso, quando se começou a falar da actuação da Maria Leal no programa do Goucha, dei por mim a tentar descobrir onde é que a rapariga teria estacionado a nave. Aparentemente já não são só os ex-concorrentes da Casa dos Segredos que ganham a vida com as presenças em discotecas e que são convidados por DJ's ou produtores musicais de cariz duvidoso para gravar um cd. Andar enrolada com algum ex-concorrente também dá direito a esse estatuto. Mas não me vou alongar nesse assunto porque a vida amorosa da Maria Leal não nos diz respeito. 

A verdade é que a Maria Leal se tornou famosa pelos piores motivos. Ela não canta nada - o que até podia ser considerado literalmente porque a rapariga só actua em playback. É o punts ta pum de fundo, é a vozinha bué fininha dela... (Volta Bernardinha, estás perdoada!) Ela não dança nada. Avisem lá a moça que andar ali a saltitar de uma ponta para a outra do palco não é dançar. E sentar no colo dos homens do público, não é ter presença em palco. No mínimo, é arriscar-se a levar com alguma namorada ciumenta pelo focinho. E vamos só esperar que a túnica a roçar a base da nalguinha (sim, eu disse nalguinha) a fazer as vezes de vestido, não vire moda. Tanta gente por aí que ainda não percebeu que leggins não são calças, não precisamos que venha a Maria Leal inventar modas novas! E digo mais. A túnica conjugada com a as botas de cano alto com os canivetes ali a balançar, é feio minha gente. A mulher não tem culpa de ser magrinha, mas então não arranjavam uns trapitos que a favorecessem? Já que ela não canta e não dança, ao menos não a dispam - estamos com o inverno à porta! 

Mas eu não tenho pena da Maria Leal. Se há uns dias pensava que a rapariga era uma coitadinha sem noção do ridículo, agora já acho que ela não é parva nenhuma. É que tornou-se tão giro rir das figuras da Maria Leal, que há pessoas dispostas a fazê-lo ao vivo e a pagar bilhete. Por cada novo vídeo que aparece no Youtube, quantas pessoas não estavam a assistir nas discotecas, onde o consumo nunca é barato? Pois é, enquanto o resto do mundo goza com a Maria leal, ela vai enchendo os bolsos à conta dos tansos que pagam para a ver a fazer figuras tristes. E quem a pode culpar por isso? Ela está apenas a realizar um sonho e a ser paga por isso - o que é, só por si, o sonho de muito boa gente - independentemente de ter talento ou não.

Como é que se costuma dizer? Ah sim: quem ri por último, ri melhor!


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Como cativar novos leitores?

Tenho pensado um pouco nesta questão, ultimamente. Acredito que parte daquilo que nos faz leitores assíduos é a familiaridade de ver alguém a ler com regularidade. Seja a mãe, o avô ou o tio.... A observação é uma boa forma de despertar a curiosidade das crianças e levá-las a "imitar" esse comportamento. Então, e quem não cresce num ambiente assim? 

No meu caso, apesar de ter crescido rodeada pelas estantes do meu avô, a verdade é que nunca o vi a ler. O meu avô cegou mais ou menos pela altura do meu nascimento, devido à diabetes. Por isso, pela minha ordem de ideias, mais depressa seria agora fã de orquestras e bandas filarmónicas que ele passava as tardes a ouvir, do que leitora. E não foi, certamente, no secundário que ganhei o gosto pela leitura. Recordo-me de ler com alguma regularidade, de ir à feira do livro de Páscoa com a minha mãe e trazer dois ou três livros de lá. Mas esses livros duravam quase até ao ano seguinte ou não chegavam a ser lidos. 

Então, como é que se incentiva alguém a aventurar-se neste mundo da literatura? Voltando à questão do secundário, dificilmente alguém fica rendido ao ler os sermões do Padre António Vieira, a poesia de Fernando Pessoa, ou excertos dos Lusíadas. Não pretendo com isto desvalorizar de alguma forma as obras estudadas no secundário, mas a verdade é que o nosso programa educativo de Português é péssimo para criar leitores. Bem sabemos que é preciso uma certa maturidade para ler determinadas obras e estas obras em particular requerem essa maturidade. Quantas vezes não repomos algum livro na estante por acharmos que ainda não estamos prontos para desfrutar daquela leitura? Parece-me senso comum. 

Eu tive alguma sorte nas professoras de Português do secundário. Ambas nos pediram um portfólio para a disciplina onde deveria constar, para além das redacções e dos testes feitos nas aulas, fichas de leitura para registar opiniões acerca dos livros que pudéssemos ler, bem como opiniões sobre qualquer artigo que encontrássemos em jornais ou revistas. Dava trabalho e requeria alguma pesquisa, mas era uma forma de nos obrigar a ler, a escrever e a formular opiniões. No entanto, não era um bom método para todos os alunos. Voltamos à mesma questão: nem todos liam e por vezes o mais fácil era procurar resumos na internet e "trabalhar" a partir daí. 

Se na altura isto não me fazia muita diferença, até porque cada um sabe de si, hoje acabo por atribuir parte das culpas às professoras. Lembram-se de quando começaram a ler? Das primeiras desilusões? Dos livros que não vos cativaram nada? De querer comprar um livro e não saber por onde começar a escolher porque nem os títulos nem os autores vos eram familiares? Acredito que é nesta fase que potenciais leitores desistem. No processo de descobrir que tipo de livros nos dão prazer, lemos tanta porcaria que não nos diz nada que acabamos frustrados. E é nisto que atribuo alguma culpa às professoras que não souberam incentivar os alunos e indicar-lhes livros que possam gostar. 

Posso assumir que um professor de Português está minimamente familiarizado com os novos lançamentos, com aquilo que os jovens andam a ler, que autores são mais falados.... Porque não perguntam aos alunos que tipo de filmes ou séries gostam de ver para fazer recomendações que se encaixem nesses géneros? Não quero com isto dizer que o método seja infalível e que todos os alunos do secundário saem de lá leitores ávidos. A minha questão é que nunca tive um professor que se preocupasse. Quantos dos meus colegas não levaram opiniões copiadas para as aulas? Quantos se limitaram a fazer resumos retirados de blogues? Parece-me que ao invés de incentivar a leitura, andamos a incentivar o plágio. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Top Blogues de 2014

Como hoje até me sinto inspirada, aqui fica mais um post acabadinho de sair do forno! 

Desta vez gostaria de partilhar convosco uma pequena lista dos blogues que mais visitei ao longo do ano. Alguns não são novos para mim, pois já os visitava antes mas por alguma razão se tornaram num local de visita mais regular. Possivelmente porque gosto do trabalho que por lá se faz, não é? Também me aconteceu a situação inversa, deixando de acompanhar alguns blogues com os quais já não me identifico tanto. 

Este ano foi muito rico em descobertas, o que me permitiu alargar a lista de blogues a seguir. Em boa parte, isto aconteceu depois de me juntar ao Cantinho do Corvo Fiacha, onde tive oportunidade de conhecer mais livrólicos, alguns autores, e uns quantos blogues - incluindo o do próprio Fiacha. À conta disto também tive o prazer de receber mais visitas ao Delícias, o que me deixa sempre feliz por ver o meu menino a crescer. 

Aqui vos deixo os blogues que mais visitei em 2014:

(Fiz uma pequena edição a este post pois quando o escrevi não consegui adicionar o blogue do Nuno, mas já está resolvido!)

Como seguidora do Mil Folhas, este ano acordei para a vida e descobri a existência dos Vlogs, através do Youtube. Não que eu não soubesse da sua existência, mas nunca tinha encontrado um que me fizesse sentir tentada a seguir. Custa-me imenso estar a tentar perceber a opinião acerca de um livro através de uma pessoa que passa a maior parte do vídeo a fazer "ahhhmmmm" e a olhar para o ar à espera da próxima coisa que lhes venha à cabeça (vê-se logo que não preparam nada antes de ligar a webcam). Falar em público não é para todos e ninguém disse que era fácil. Eu mesma não me vejo a criar um Vlog, e acredito que é um acto de coragem dar a cara e expor-se desta forma.

Este ano lá descobri Vlogs que vale a pena seguir!


 E por agora é tudo. Espero que tenham gostado das minhas escolhas e fico à espera de saber os vossos poisos favoritos!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

After Dark - Os Passageiros da Noite

Foi com After Dark, de Haruki Murakami, que voltei a reencontrar o gosto pela leitura, depois de algum tempo de pausa. Escolhi-o essencialmente porque queria um livro pequeno e de preferência, de um autor que não me desiludisse. E de certa forma até foi uma boa escolha, já que, ainda que devagarinho, lá cheguei ao fim. Por outro lado, esperava mais do Murakami. 

Não é que o livro não seja bom, e já se sabe que do Murakami podemos sempre esperar coisas estranhas e sem sentido. Mas normalmente acabamos o livro com uma ideia do que se pode estar a passar na história, uma teoria que explique pelo menos algumas das coisas estranhas que são relatadas. 

Neste livro ficamos a conhecer Mari, uma rapariga meio Maria-rapaz, que se encontra sozinha num café a ler um livro enorme, que (Spoiler alert!) nunca chegamos a saber qual é. Ainda se faz algum mistério em volta do livro, mas  nunca se chega a saber o que a rapariga está a ler. Sabemos, no entanto, que Mari se prepara para passar a noite toda sozinha, sem ter que ir a casa e sem que a sua família descubra a sua ausência. Entretanto é abordada por um rapaz de aspecto estranho, que se auto-convida a sentar-se na mesma mesa e lhe explica que é amigo da sua irmã mais velha, Eri. A partir daqui, digo-vos que muita coisa acontece. Não vou entrar em mais detalhes da história, porque acontece mesmo muita coisa pelo meio, ao longo da madrugada. Surgem vários personagens, alguns bem estranhos, alguns mafiosos, todos com uma história que de certa forma acaba por ficar mal explicada. Mas pronto, já se sabe como é.

No entanto há uma coisa que tenho mesmo que relatar, e que gostava realmente de ter percebido no final do livro. A irmã de Mari é referida várias vezes ao longo da história e percebemos que se encontra a dormir, muito profundamente e que não quer acordar. Alguns capítulos do livro dedicam-se a descrever o sono profundo e sereno de Eri, como se fossemos um observador que na verdade não está lá. Somos apenas um ponto de vista. Eu só não percebo porque é que em todos os livros do Murakami há uma mulher que, basicamente, não joga com o baralho todo e a quem acontece coisas que não lembram a ninguém... 

Não posso deixar de me lembrar da Naoko, da Sumire e da Fuka-Eri, todas elas com a sua dose de estranhesa... E agora reparo: Fuka-Eri em 1Q84, Eri em After Dark... Às vezes penso que estas coincidências, assim como as semelhanças entre outros personagens ou mesmo alguns acontecimentos nos diversos livros, são mais importantes do que o autor quer fazer crer. Por vezes tenho a sensação que ele nos anda a contar a mesma história de formas diferentes, como se fosse uma espécie de código. Mas pronto, são divagações minhas... Quem já leu, o que achou? 

Seja como for, não deixei de apreciar o livro, mas confesso que não foi dos meus favoritos deste escritor. Ainda aqui tenho na estante mais dois livros dele para ler. 

Para já, resta-me escolher o livro que se vai seguir =)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A propósito da vontade do Salgueiro Maia...

Não sei se viram o post em que divulguei a petição pública a favor da vontade de Salgueiro Maia. Até ontem tinha aqui de lado a app que encaminhava directamente para a petição, mas entretanto retirei. Ainda assim, não deixa de ser importante continuar a divulgar e desta vez não me vou abster de opinar. 

Para quem não sabe, o Capitão Salgueiro Maia encontra-se sepultado em Castelo de Vide, que por sinal é a minha terra natal. Recentemente foi divulgado no Jornal Sol, o testamento do capitão de Abril onde se pode ler a sua última vontade.

"Determino que desejo ser sepultado em Castelo de Vide, em campa rasa, e utilizar o caixão mais barato do mercado, o transporte do mesmo deve fazer-se pelo meio mais económico, de preferência, em viatura militar"


Recentemente, o senhor Manuel Alegre lembrou-se que seria giro transladar o corpo de Salgueiro Maia para o Panteão Nacional, o que tem dado origem a alguma polémica. Não tenho nada contra o Manuel Alegre e suponho que se esta ideia tivesse surgido noutra altura, talvez não fosse tão criticada. Seria uma decisão da família e talvez se ficasse por aí. Mas infelizmente, a ideia surgiu agora. E numa altura em que só se fala de crise, em que há imensas pessoas sem trabalho, há quem passe fome e frio, há quem perca o pouco que tem, há quem conte o mês ao fim dos tostões... Numa altura destas é que se lembraram que não há mais nada para fazer e têm um tempinho para vir cá buscar o Capitão. Nem vou dizer se concordo ou não que ele seja levado para o Panteão Nacional. Se calhar até merece mais do que muitos dos que lá estão sepultados. Mas é melhor nem entrar por aqui... 

A questão aqui prende-se na última vontade de Salgueiro Maia. Há quem defenda que a sua vontade já foi cumprida, o corpo já se degradou, restando apenas os ossos. Pessoalmente, não concordo, tal como muitas das pessoas que assinaram a petição, e acredito que o corpo deve continuar onde está, quanto mais não seja porque há coisas bem mais importantes para fazer em Portugal. 

Depois há ainda a hipocrisia dos senhores que temos no poder. Salgueiro Maia referiu: 

"Não se preocupem com o local onde sepultar o meu corpo. Preocupem-se é com aqueles que querem sepultar o que ajudei a construir"

Não é precisamente isto que tem acontecido nos últimos anos? Fico com a sensação que com esta ideia peregrina da transladação do corpo, os nossos governantes estão a passar paninhos quentes nas porcarias que têm feito... Talvez a culpa seja nossa. Tanto cantámos a música "Grândola Vila Morena" em manifestações, que eles se lembraram do Capitão. 

Na verdade não sei se a petição vai ter alguma utilidade, nem sei se é preciso algum número mínimo de assinaturas para ter algum efeito. Mesmo assim, não custa tentar. 

E vocês, o que acham deste assunto?




sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Diário da Madrasta

Nunca tinha sequer ouvido falar desta autora, até que vi O Diário da Madrasta em pré-venda. A sinopse cativou-me e pouco tempo depois resolvi adquirir. Como quase todos os livros da minha estante, esteve por lá alguns meses a ganhar pó até que chegou o dia de lhe pegar. 

Confesso que este livro suscitou em mim sentimentos um pouco contraditórios, em que por vezes adorei, por vezes irritou-me e por vezes não lhe quis pegar. Eu sabia que não devia ter ficado tão contente por já ir no terceiro livro de Janeiro. Obviamente que não ia correr bem. Mas não me interpretem mal, eu gostei do livro. Só tenho pena do tempo que demorei a terminá-lo por causa dos tais sentimentos contraditórios...

O Diário da Madrasta é, na verdade, narrado pela mãe da madrasta, Emily, que é psicanalista e juntamente com o seu namorado Barnaby analisam os diários de Sappho. 
Esta não é uma vulgar história sobre a madrasta malvada, até porque os tempos mudam e actualmente quem é realmente malvado são os enteados, que fazem de tudo para que o papá não se volte a casar. O livro torna-se ainda mais interessante por causa das teorias freudianas de Emily que resumem muitos dos problemas na vida de Sappho às cenas primordiais, a ausência do pai na infância e um pouco de sado-masoquismo psicológico. Aprende-se um pouquinho sobre psicanálise.

O que mais me irritou nesta história foi facto de se perceber perfeitamente os erros que a Sappho comete ao longo da sua vida, casando com um homem mais velho, que claramente a manipula até ter o que quer, e ela deixa-se levar que nem uma parvinha. Irritou-me ainda mais perceber que na vida real é mesmo assim que acontece. Uma pessoa apaixonada deixa-se levar por todo o tipo de conversas e quando abre os olhos já é tarde. Acreditem, sei do que falo! E quando o Gavin deixa cair a sua máscara, é impossível pousar o livro. 

O final da história revoltou-me um pouco. De certa forma, tudo acaba bem. É verdade que os bens materiais pouco importam, mas mesmo assim tive pena que a Sappho não tenha conseguido reaver o que era dela por direito. Também, quem é que no seu perfeito juízo, mete metade de uma casa de família em nome do marido e, mais tarde, ainda pega na sua metade e põe em nome dos enteados? Estava-se mesmo a ver que ia dar merda...

Recomendo este livro, quanto mais não seja porque se aprendem umas coisinhas que podem dar jeito nos dias de hoje. Os meus sentimentos contraditórios não são propriamente uma coisa má, pois só demonstra que o livro não me foi indiferente. Vou investigar mais livros da Fay Weldon!

Entretanto já escolhi o próximo livro: vou ler A Irmã de Freud. Espero que isto não seja muito Freud junto... Mas o livro é da Su e já o tenho cá em casa há muito tempo. Já é uma vergonha! Quanto ao Não Matem a Cotovia, não estranhem estar a demorar tanto tempo. O livro tem andado na minha mala para aqueles momentos em que apanho alguma seca (tipo, à espera de alguém ou quando o meu namorado se põe a falar de carros e motas com alguém) mas ultimamente isso não tem acontecido muito (o que não deixa de ser uma pena)...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A Propósito das Praxes...

Nos últimos dias tem-se ouvido de tudo um pouco acerca das praxes, devido à tragédia do Meco. Ainda hoje encontrei um post num blog publicitado na página da sapo (não me recordo o nome) em que alguém partilhava a sua própria experiência dos tempos de estudante. Como tal, gostaria de deixar também a minha opinião(que não passa disso - apenas a minha opinião).

Há uns dias quase fui crucificada por ter dito que fui praxada e gostei. E isto vindo de uma pessoa que nunca pôs os pés numa universidade. Também não admira, pois a única coisa que conhece de praxes, é o que vê na televisão e aí só mostram o que de pior houver para mostrar. Fui tratada como se pelo facto de ter gostado do meu tempo de praxes, tivesse feito sei lá o que... Mas também tenho que dizer que, no meu caso a praxe não foi assim tão má. Não gostei de ter sido obrigada a limpar uma cozinha imunda, juntamente com as minhas colegas. Os "Senhores Estudantes", que é como são chamados os alunos de terceiro ano em Évora, até foram simpáticos e encheram uma mesa com enchidos, queijo, pão e outras coisas para podermos lanchar à vontade depois da maldita faxina. Mas eu estava tão farta e tão zangada de ser obrigada a limpar a porcaria dos outros que preferi não comer nada só para que o tempo passasse mais depressa e me deixassem ir para casa. Vá lá, não me obrigaram a comer! Foi o meu primeiro dia de praxes e não estava a ser fácil. E sinceramente, limpar a badalhoquice dos outros (ainda que a badalhoquice esteja lá de propósito), não é praxe não é nada...

Com o passar dos dias foi sendo mais fácil. Já começávamos a conhecer os senhores estudantes e já percebemos melhor quando estavam a brincar connosco. Nunca nenhum foi incorrecto e felizmente fomos praxados quase só por rapazes. Sim, isto é bom porque nos safámos dos berros e dos castigos estúpidos que as raparigas gostam de dar. Enfim... Fazíamos jogos, guerras de cursos (que ganhámos várias vezes, mesmo sendo uma turma de cerca de 10 pessoas!), jantares de convívio. Também bebíamos mas nunca me obrigaram a nada e não deixavam ninguém ficar bêbado. Quem é que no seu perfeito juízo quer aturar gaiatos bêbados?? É do pior que há...

Mas é verdade que vi muita coisa e nem toda a gente que praxe devia ser autorizado a fazê-lo. Para muitos, praxar é uma forma de humilhar e descarregar as próprias frustrações nos outros. No meu segundo ano, por exemplo, lembro-me que houve uma altura que choveu imenso e os jardins de Évora estavam cheios de poças de água. Uma delícia para quem praxa. Um dia, ia eu a passar perto do pólo do Espírito Santo e vinha um grupo de estudantes com os seus bichos e de repente, uma das estudantes vinha zangada com alguma coisa, puxou de três bichos e obrigou-os a saltar dentro de uma poça e só depois ir embora. Dois deles saltaram e calaram, mas a terceira rapariga recusou-se muito acanhadamente e disse "Mas Senhora Estudante, só tenho estes ténis e não os vou conseguir secar com este tempo. Não posso andar com os ténis molhados a semana toda..." Acham que isto tocou o coração daquela besta? Ficou histérica e só se calou quando a rapariga saltou lá pra dentro da poça. Isto revoltou-me tanto... Mas estava no segundo ano, não sabia assim tanto de praxes e fiquei calada. Ainda hoje me arrependo. 

Por muito que se diga que nas praxes ninguém é obrigado a nada, realmente não é bem assim porque há sempre quem goste de insistir ou começar com gozos ou insultos... Só alguém com uma personalidade muito forte consegue impor-se... Muitas vezes são obrigados a se declarar anti-praxe e ficam banidos de tudo o que é tradição académica. Incluindo queimar as fitas, que na verdade, mais do que um dia especial para um estudante, é um dia especial para os seus pais que vêm com orgulho o dia em que os filhos são licenciados. E é uma cambada de gente parva que se acha no direito de dizer "não queres ser praxado, então daqui a  anos também não podes queimar". Isto não faz sentido nenhum, a meu ver. Julgo que bastava que fossem proibidos de praxar. Afinal também é preciso muita lata para alguém que nunca quis ser praxado, depois andar a praxar os outros.

A parte da integração é verdade. Pelo menos no caso da minha turma, foi. Talvez por nos termos visto todos em situações embaraçosas, ridículas ou mesmo quando alguém perdia o controlo e começava a chorar, lá estávamos todos a apoiar-nos e acabámos por nos tornar um grupo bem porreiro. Houve ainda uma colega que se recusou sempre a ser praxada e inventava desculpas todos os dias para fugir às praxes e acabou por ter mais dificuldade em integrar-se. Não digo que a praxe seja obrigatória para uma pessoa se integrar, mas a verdade é que ajuda. E refiro isto, principalmente pelo que aconteceu   anos depois, quando foi a nossa vez de praxar. 

Como já referi a nossa turma era pequena, mas calharam-nos duas turmas de primeiro ano para praxar. Juntámo-nos e planeámos os jogos, os fatos de praxe, criámos canções que ainda hoje recordo tão bem, organizámos jantares nas casas uns dos outros com os bichos, estudávamos os horários das aulas (deles e nossos - ninguém faltava a aulas e se fosse preciso, faltávamos nós e nunca os bichos) para podermos praxar. Tudo isto saiu dos nossos bolsos, nunca um aluno de primeiro ano contribuiu para o que fosse durante o tempo de praxes, tal como fizeram connosco. Mas a dita colega, e mais uma amiga, quase nunca se juntavam a nós nem perguntavam se queríamos ajuda com alguma coisa nem nada.Uma noite, depois de termos alimentado os bichos, fomos dar uma volta com eles pela cidade para "conhecerem as capelinhas". Tínhamos poucos bichos naquela noite. De noite não há praxes e todos estão mais descontraídos e a tentar conviver, mas deve haver alguma cordialidade entre bichos e senhores estudantes. Qual não é o nosso espanto quando chegamos a um bar e estão as nossas colegas numa mesa com uma data de bichos que ainda mal as tinham visto nas praxes, a pagar-lhes bebidas, a fazer praxes soft e a dar "hi5's" aos bichos...

E qual não foi o nosso espanto quando no dia da escolha dos padrinhos, as meninas se puseram na escadaria do Espírito Santo, e tiveram mais afilhados do que qualquer um de nós (que estivemos com eles todos os dias, que lhes pagámos jantares, que os acompanhámos a todos os sítios que eles precisavam e não sabiam onde era, que lhes mostrámos a universidade e a cidade de uma ponta à outra...). Foi revoltante...

Isto das praxes tem muito, muito que se lhe diga. Compreendo perfeitamente quem é contra, porque vi muita coisa que me revoltou bastante. Mas também há exemplos bons, em que em vez de andarmos a berrar e humilhar as pessoas, tentámos conhecer-nos em modo de brincadeira. Os exemplos contam e o facto de termos sido praxados por uma boa equipa fez com que o fizéssemos da melhor forma. E realmente não devemos ter feito um mau trabalho, já que ao longo dos anos que passaram estudávamos todos juntos e estávamos constantemente a dar apontamentos ou ajudar em alguma disciplina ou mesmo a partilhar histórias de algum professor. Quando as coisas são bem feitas, vale a pena. É triste que nem sempre seja assim...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Criaturas Maravilhosas


Não é agradável olhar para o nosso desafio de leitura, que em apenas 14 dias já conta com 3 livros terminados? É bom, não é? Pena é a ilusão de que o resto do ano vai continuar a assim... Pelo menos, estou a começar bem, já não é mau. 

 Passando ao livro! Criaturas Maravilhosas, de Garcia e Stohl, é um livro do género fantástico, com muito romance à mistura. Antes de iniciar a leitura andei à procura de opiniões de outros leitores e vi muitos comentários negativos. Em geral acharam o livro chato e igual a tantos outros. Ainda assim, atirei-me de cabeça e com grandes expectativas. Já tinha visto o filme e foi isso que me motivou a experimentar o livro.  Confesso que ao inicio ainda achei que estava perante mais uma história tipo Crepúsculo, mas rapidamente mudei de opinião. Até percebo que algumas pessoas possam não gostar da história por ser muito fantasiosa e um tanto juvenil, mas não sei como podem achá-la chata... Pelo menos não me recordo de nenhum momento que me sentisse aborrecida. 

A acção decorre em Gatlin, uma cidade sulista cuja população é muito reservada e toda a gente se conhece. Os domingos são passados na igreja e quem não o faz não é visto com bons olhos, e pior ainda se for algum forasteiro. Até porque, em Gatlin, um forasteiro há-de ser sempre um forasteiro. As senhoras ocupam os seus dias agarradas aos telefones, a comentar as vidas alheias, bem como a conspirar contra todos os que são apenas diferentes e têm outras formas de ver a vida. Para grande diversão das senhoras de Gatlin, a mais recente forasteira é Lena Duchannes, sobrinha de Macon Ravenwood, que se muda para Gatlin para viver com o tio e que começa a frequentar o liceu local. A má fama de Macon por estas bandas acaba por se alargar a Lena, que é automaticamente posta de parte e gozada pelas colegas do liceu. Lena é acusada de tudo o que acontece de estranho em Gatlin. O que ninguém sabe é que Lena é uma Encantadora cuja vida vai mudar em breve. 

Como já devem ter percebido, eu gostei muito do livro e apesar das minhas elevadas expectativas, não saí nem um bocadinho desiludida. Para quem já viu o filme, como eu, esqueçam! a história não tem nada a ver. Para além de algumas deixas usadas no filme que são exactamente iguais no livro, a história em si segue rumos muito diferentes e mesmo o final acaba por não estar muito parecido. O livro é bem mais misterioso e há detalhes e segredos que no filme nem sequer são referidos. 

Um dos personagens que mais gostei foi a Marian (que no filme nem existe...), que era a bibliotecária de Gatlin e é também tia emprestada de Ethan. Tinha sempre uma citação adequada a cada momento. Apesar de ter gostado do Ethan, achei que para um rapaz de 16 anos, tem uma mentalidade de quem tem 30, o que acho altamente improvável... 

O final da história acabou por se tornar um pouco confuso. Depois de tudo "acabar bem", deu-me a sensação que no final Ethan não se recorda do que aconteceu, tal como chega a acontecer no filme. Fiquei com esta ideia quando ele refere que tem uma música nova no IPod, coisa que acontece logo no inicio da história. Tenho que ler o segundo livro para perceber melhor. Para quem já leu, o que acharam?



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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Os da Minha Rua

Os da Minha Rua, de Ondjaki, foi o livro escolhido para participar numa tertúlia que se irá realizar na minha terrinha, como já tinha referido aqui no blog. Gostei da iniciativa uma vez que é uma ideia que já tinha discutido com a Su, mas calculámos que a aderência deveria ser pouca. Ainda nos lembrámos que se a tertúlia fosse feita com livros do Paulo Coelho e da Margarida Rebelo Pinto, aderência não faltaria. Dá para pensar um pouco nisso...

De qualquer forma, a tertúlia deveria realizar-se algures em Janeiro mas até ao momento ainda não soubemos qual a data correcta e começo a recear que tenham desistido da ideia. Era pena. 

O objectivo para esta tertúlia, pelo menos para este mês de Janeiro, seria conhecer um pouco melhor a literatura africana e para já foi escolhido o Ondjaki. A partir daqui, cada um poderia escolher um livro a seu gosto deste escritor. Eu escolhi este livro e a Su escolheu o livro Quantas Madrugadas tem a Noite, que também quero ler um dia destes. 

Este livro é dedicado à infância do autor, recordando a rua onde viveu, os amigos que o acompanharam, bem como a família que o viu crescer. Não sei se os capítulos narrados são baseados em acontecimentos  da sua vida ou se são apenas ficção, mas não fiquei com essa ideia... Cada capítulo narra um episódio diferente da vida de Ndalu, que é quem nos narra a história, que por algum motivo ficou gravado na sua memória. Situações como a morte de um familiar, uma mudança de escola, uma viagem a um lugar diferente, as brincadeiras com os amigos, o cão que a família teve... São situações que marcam a vida de uma criança de forma diferente que a de um adulto. 

Julgo que com este livro, Ondjaki tenta fazer-nos recordar o que é ser criança e perceber como mudámos desde então. Neste momento, já adultos, já não nos recordamos bem como víamos o mundo em crianças, como pensávamos e interpretávamos alguns acontecimentos que, para os adultos poderiam ser banais, mas aos olhos de uma criança tinham um colorido diferente. Mesmo a forma como as crianças interagem, desde as brincadeiras, as conversas, as mentirinhas e as gabarolices, são coisas que ficaram no passado e hoje já não acontecem. (Ou não deviam acontecer...)

Foi principalmente esta a ideia que o livro me transmitiu. Por várias vezes dei comigo a recordar a minha infância, altura em que via o mundo com outros olhos e não compreendia muita coisa porque era coisa de crescidos. 

Gostei da forma como o livro está escrito, pois parece realmente que foi escrito por uma criança. Alguns capítulos deixaram-me um pouco triste no final por perceber a pobreza em que algumas famílias viviam. Ainda assim, eram famílias felizes e humildes. Dá que pensar... Um exemplo disso eram as filhas do Sr Tuarles. Eram cinco e todas viam muito mal e apenas uma, a Charlita, tinha um par de óculos amarelos e muito feios. Na hora da novela os óculos eram partilhados pelas irmãs, pois de outra forma só ouviam o que se passava, mas a cenas mais interessantes era a Charlita que via porque era a dona dos óculos. 

É um livro simples, mas acima de tudo, muito bonito. Vale a pena conhecer.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O Diário Azul

O Diário Azul, de James A. Levine, é um livro um pouco difícil de ler. Não pela forma como está escrito ou algo do género, mas porque aborda um tema triste e algumas cenas podem chocar os mais sensíveis. Confesso que como mulher, me custou muito ler alguns excertos deste livro. Para além disso, este género literário não é bem a minha praia, pelo que normalmente evito este tipo de livros. Já sei que o ser humano é capaz das maiores barbaridades, dispenso que estejam sempre a lembrar-me. A sério! Há temas que me chocam e não percebo como é que ainda acontecem certas coisas hoje em dia.

Pelo que percebi (não sei se será mesmo assim) esta história é apenas fictícia, no entanto parece bem real. 


A história decorre na Índia, mais propriamente em Mumbai, onde Batuk vive no seu ninho e escreve um diário às escondidas da Mamaki. Nesse diário faz o relato dos seus dias e deposita os seus pensamentos. Explica-nos que faz pão doce todos os dias, desde que chegou à cidade, fala-nos dos seus amigos com quem partilha o mesmo destino. 

Batuk é uma menina de 15 anos que foi obrigada a tornar-se prostituta. A sua família, oriunda de uma pequena aldeia indiana, perdeu o seu dinheiro e, levados pelo desepero de ter muitos filhos para alimentar, decidiram vendê-la. 

Eu sei, eu sei...

O início do livro fez-me lembrar As Memórias de um Gueixa, pela forma semelhante como ambas as personagens foram vendidas pela própria família e também pelo leilão que é feito à virgindade de Batuk. A diferença, é que Sayuri já era crescidinha e sabia mais ou menos o que se ia passar. A Batuk tem apenas 9 anos, quando a sua virgindade é leiloada por homens nojentos, porcos e suados, e não faz ideia do que se iria passar. Resultado: é violada, obviamente, vezes sem conta. Só posso imaginar, felizmente, qual poderá ser o efeito que algo deste género tem numa criança. 

Regra geral, gostei do livro e admito que é um bom livro. A escrita é simples e acessível e um tanto juvenil. Vale a pena passar algum tempo com ele, pois permite ter uma ideia de como o ser humano consegue ser diabólico e mesquinho, e se pudermos aprender alguma coisa com isso, tanto melhor.  Não é fácil para mim escrever uma opinião acerca deste livro pois não despertou em mim sentimentos agradáveis. Senti-me revoltada e enojada por saber que o que estava a ler acontece realmente, não é apenas ficção. Acho que só por despertar sentimentos tão fortes, já merece alguma consideração. 

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domingo, 15 de dezembro de 2013

Lennox

Lennox, de Craig Russel, já é residente da minha estante há alguns meses. Desde que veio para cá morar, que tinha imensa curiosidade acerca da história que guardava e, cada vez que olhava para a estante e via as letras Lennox, bem grandes, parecia que chamava por mim.

Estava complicado conseguir acabar o livro por causa daquela idiota, a falta de tempo, para variar. Mas finalmente cheguei lá.

A história decorre em 1953, em Glasgow e o protagonista, Lennox, é um ex-combatente da segunda Guerra Mundial que se refugiou nesta cidade, onde trabalha como detective privado. O lema de vida em Glasgow é "novo dia, a mesma merda", basta ler o livro para se perceber que se trata de uma cidade cinzenta, corrupta e um tanto mafiosa. Os cenários descritos surgiam-me sempre como que retirados do Sin City, e as personagens eram mais uma mistura entre esse filme e O Corvo. Já deve dar para terem uma ideia.

Não me vou alongar muito na descrição da história. Refiro apenas, tal como podem ler na sinopse do livro,  que um dos gangsters de Glasgow é encontrado morto e Lennox é considerado o principal suspeito. Cabe a Lennox encontrar a melhor forma de tentar provar a sua inocência. Neste momento sei que a sinopse é muito sucinta em relação à história, e ao ler o livro percebi que há muito mais a descobrir. 

Eu acho que acabo por dizer isto de todos os policiais que leio, mas vou repetir. Adorei, é um dos melhores policiais que já li. Não se compara, por exemplo ao Hipnotista, pois são livros muito diferentes, tanto na forma como estão escritos, como nos cenários e mesmo nos métodos adoptados pelos respectivos detectives. Mas a descrição destes cenários tão obscuros, fascinou-me. 

Fiquei um pouco preocupada quando estava já a cerca de 40 páginas do final do livro porque estava mesmo a ver que ia chegar ao fim só para perceber que teria que ler o segundo volume. E é aqui que está o problema! Existem quatro livros do Lennox já publicados, e apenas este está traduzido em português. Além, disso, na feira do livro onde o comprei, estava na secção de "raros", o que não me parece um bom sinal caso queira ler mais algum. Já não é mau terem traduzido o primeiro livro, em vez do terceiro ou o quarto, como acontece às vezes...

De resto, recomenda-se!

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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Duas Gotas de Sangue e um Corpo Para a Eternidade

Li há instantes o conto Duas Gotas de Sangue e um Corpo Para a Eternidade, da autoria de Carina Portugal. Quem quiser conhecer e deixar a sua opinião à autora pode fazer o download gratuito aqui.

Para começar devo referir que não sou fã de contos e tenho imensa dificuldade em lê-los. Nem sei bem qual o motivo. Quando li os livros de pequenas aventuras do Poirot (que funcionavam como contos) acabava sempre por ficar desiludida. Em menos de nada já o detective belga tinha resolvido o caso e eu nem tinha percebido quem eram os suspeitos... Faltava aquele desenvolvimento mais detalhado da história. Há uns tempos tentei ler o Danças e Contradanças da Joanne Harris. Céus! Que sacrifício...
No entanto, já li contos que gostei bastante, que não custaram assim tanto a ler e no final ainda fiquei com vontade de ler mais. Refiro-me ao grupo Fantasy & Co onde já tive oportunidade de ler outros contos da Carina.

A história decorre em Inglaterra nos finais do séc. XVI, quando a Inquisição levava à fogueira todos os que eram suspeitos de bruxaria, traição, mentira, e até mesmo os que se atreviam a pensar pela sua própria cabecinha. Logo no inicio da leitura conhecemos duas irmãs gémeas, curandeiras, que estão a assistir (com muita dificuldade) à execução do antigo curandeiro da vila. Já no leito de morte, o curandeiro lança uma maldição a todos aqueles que acusaram e perseguiram os inocentes. Nos dias seguintes, a vila é invadida por espíritos malignos que, a cada vez, levam consigo a alma de um dos habitantes. Por quererem o bem dos seus conterrâneos, as gémeas imploram aos espíritos que reconsiderem e deixem a população.Depois poderão saber onde isso as levará. Basta ler o conto!

Gostei muito do conto, não senti que estava a ler uma narrativa curta. A história desenrolou-se normalmente, sem aquela pressa característica dos contos. Senti que fiquei a saber tudo o que precisava para perceber e conhecer a história. Resta-me dar os parabéns à Carina pelo seu trabalho (tanto este como os restantes que já tive oportunidade de ler) e espero sinceramente que continues partilhar connosco as tuas histórias, sejam elas em forma de contos ou de livros. Por cá ficarei à espera de mais!

domingo, 17 de novembro de 2013

A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol

Aqui está mais um terminadinho. Encontrei tanta coisa que poderia referir no momento de opinar, que pela primeira vez peguei no bloco de notas e fui apontando tudo. Aviso que esta opinião vai ser longa.

Começo por referir que notei uma coisa muito curiosa nos livros do Murakami. Por exemplo, neste livro, quando começamos a ler, damo-nos conta que se trata apenas de um dos personagens a relatar factos da sua vida (desde a infância até à idade adulta). E o relato prolonga-se ao longo de quatro, cinco, seis capítulos sem que se perceba qual é o objectivo da história. Se fosse outro escritor a fazer isto, o mais certo seria acabar por me aborrecer e por o livro de lado. No entanto isso não aconteceu. Continuei a ler com entusiasmo e curiosidade, mesmo quando a história não revelava nada de especial.  Porque será? A sério, pergunto mesmo: porquê? Será somente aquela expectativa de estar a ler um livro do Murakami e já estar à espera que algo de fantástico acabe por acontecer? Ou será que o senhor escreve tão maravilhosamente bem (e de uma forma tão simples) que nos consegue prender ao livro, mesmo quando nos fala sobre a coisa mais banal do mundo? Dei por mim já a meio do livro (ainda não tinha chegado a nenhum desenvolvimento em concreto) a pensar sobre isto.

A história em si é semelhante a tantas outras, feita de paixões, mudanças, encontros e desencontros. Nada de novo no mundo do Murakami a que já estamos habituados. O personagem principal, Hajime, conta-nos como conheceu a sua melhor amiga, Shimamoto, e como se apaixona por ela quando tinham apenas 12 anos. Com o tempo acabam por se afastar, por terem que seguir escolas diferentes, e Hajime continua relatar a sua vida, desde que vai para a universidade de Tóquio, namora com outras raparigas, casa, monta o seu negócio, tem filhos e, passado muitos anos, até que volta a encontrar Shimamoto. Julgo que é aqui que se pode considerar que começa realmente a história. 

Não sei se viram as Assembleias de Bruxas que eu e a Su fizemos há uns meses dedicadas exclusivamente ao Murakami, mas fiquei com a sensação que poderíamos agora completar as nossas ideias ainda melhor. Tal como referimos na altura, também neste livro encontrei muitas semelhanças com outros livros do autor. Vou enumerar algumas, para ser mais simples:
  • Ambos os protagonistas tinham uma paixão por livros, gatos e música jazz. Tal como acontecia em Norwegian Wood, passavam muito tempo juntos a ouvir discos de jazz ou música clássica. 
  • Achei curioso que os romances que os personagens costumam ler são normalmente clássicos, cujos  autores já morreram há muito tempo. Em Norwegian Wood também havia esta referência. Será alguma critica do autor à literatura de hoje em dia?
  • Hajime torna-se dono de um clube de jazz onde aparece todas as noites para ouvir música, beber alguma coisa e conversar com os clientes. Mais uma vez é como se o próprio Murakami entrasse na história. 
  • Paixões que despertam na infância e que duram na idade adulta. Há uma cena em que Shimamoto pega na mão de Hajime e a sensação do seu toque fica gravada na palma da sua mão. Fez-me lembrar o Tengo e a Aomame. 
  • Durante o tempo em que esteve na universidade, Hajime participa em manifestações politicas. Esta também é uma referência ao autor que, no seu tempo também fez parte das manifestações dos estudantes. Só descobri este facto ao ler este livro, mas lembrei-me que em Norwegian Wood também se fazia referência às mesmas manifestações, no entanto, Toru mantinha-se à parte.
Estes são apenas alguns dos pontos que anotei. Tinha aqui mais, mas só vou tornar o post ainda mais longo e assim deixo o resto para descobrirem. 

Outro aspecto que sinto que é interessante abordar é a referência a filhos únicos. Isto porque também eu sou filha única e notei algumas semelhanças com o personagem principal. Aparentemente, no Japão dos anos 50, ser filho único era uma excepção à regra. Hajime cresce a odiar a expressão "filho único" porque faz com que seja automaticamente julgado por mimado e mal educado e egoísta. Também já levei com estas conversas. Em termos de personalidade, Hajime é reservado, tem tendência para se isolar, gosta de desportos individuais, sente necessidade de estar só, reflecte bastante antes de agir, entre outras características. O Murakami sabia o que é ser filho único quando criou este personagem. Gostei que tivesse sido tão fiel à personalidade típica de um filho único.

Quanto ao final da história, mais uma vez fica em aberto, apesar de não ser tão confuso como o Sono ou o Sputnik, Meu Amor. Deu para ficar com uma ideia do que poderá ter sido o final da história. Como poderão ver ao lerem o livro, a vida de Hajime transforma-se num furacão a partir do momento em que Shimamoto volta a aparecer em cena. Aqui sim, acontecem coisas inexplicáveis (que não vou contar). Mas ao chegar ao fim da história só posso concluir que Hajime ficou louco ou então terá vivido uma vida paralela onde Shimamoto existia. Isto porque ele refere algumas vezes que tem a sensação que o corpo não lhe pertence e que parece estar a viver a vida de outra pessoa.

Em suma, gostei muito e recomendo. Continuo a ter como favorito o Norwegian Wood, mas este não lhe ficou muito atrás.
Por fim deixo as músicas que me acompanharam na leitura (isto também é importante!). A primeira é a música que os dois personagens mais gostavam de ouvir e a segunda era tocada todas as noites no bar como uma cortesia a Hajime, por parte da banda. Gostei muito das duas. 




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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Crime no Campo de Golfe



Crime no Campo de Golfe é o segundo livro da série Poirot e é também a segunda colaboração entre o detective belga e o seu amigo Hastings. Nesta altura, os dois personagens ainda não são considerados parceiros. Poirot começa a dar os primeiros passos como detective privado em Londres e Hastings, depois de duas ser considerado fisicamente inapto para a guerra, começa a trabalhar como secretário de um politico inglês. 

Um dia, Poirot recebe uma carta a solicitar os seus serviços em França e Hastings acompanha-o. O crime, como sempre, revela-se muito confuso e com algumas  contradições ao inicio e a pouco e pouco vamos sendo guiados pelo detective na descoberta da verdade. Desconfiei um pouco do momento em que Hastings e Poirot discutem o caso e Poirot lhe revela a sua teoria. Achei estranho já que normalmente os factos são revelados no final da história, quando já alguém foi preso. Desta vez foi diferente e pouco depois do meio do livro já quase se sabia quem era o autor do assassinato. Restavam apenas algumas dúvidas que ainda teriam que ser confirmadas. 

No entanto, Agatha Christie pretende apenas despistar-nos um pouco e até ao final da história muita coisa acontece e o final é completamente inesperado.
Este livro é também especial uma vez que é nesta história que Hastings conhece a sua Cinderela. Como em todas as histórias de amor mais bonitas, num primeiro encontro, Hastings não gosta nada da Cinderela mas com o tempo acaba por perceber que está apenas a fugir aos seus sentimentos. Não sabia que a autora fosse tão romântica. 

Gostei muito deste livro, em particular do desempenho que Hastings apresenta no decorrer da história. Apesar das suas teorias fantasiosas, por vezes lá dá uma para a caixa e, além disso, adorei a forma como protege a sua Cinderela. 

O livro que se segue na colecção é o Poirot Investiga mas, como já li este livro, vou passar para o seguinte da série: O Assassinato de Roger Ackroyd.

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