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segunda-feira, 6 de maio de 2019

A Hora Má: O Veneno da Madrugada, Gabriel García Márquez [Opinião]

A Hora Má: O Veneno da Madrugada, de Gabriel García Márquez foi o livro que antecedeu a fama do autor conseguida com o Nobel da Literatura em 1962. 

De vez em quando gosto de pegar nestes livros mais pequenos do autor. São, regra geral, leituras muito agradáveis para um domingo à tarde passado em casa. 

A história decorre numa pequena cidade perdida algures no interior de um país latino- americano, possivelmente a Colômbia, onde pela madrugada são afixados pasquins anónimos um pouco por toda a povoação. Estes pasquins revelam segredos e boatos sobre qualquer habitante, sejam verdades ou...bem, boatos!

Certa manhã, enquanto o padre Ángel celebra a missa, um ganadeiro abate a tiro o suposto amante da esposa, depois de ter recebido o pasquim que denunciava um caso amoroso entre os dois. Nenhum habitante estava imune, fosse qual fosse a classe social. 

Apesar da intriga criada pelo autor ser bastante interessante, para mim a melhor parte da história foram as referências a Macondo. Para quem não sabe, é em Macondo que decorre a história de Cem Anos de Solidão, livro que valeu o Nobel ao autor. O padre Ángel terá passado, na sua juventude, pela paróquia de Macondo e também se fala brevemente no Coronel Aureliano Buendía e na Mamã Grande. 

Também é importante referir o paralelismo/ crítica, muito frequente nos livros de Márquez, às duas entidades autoritárias tradicionais. De um lado está o Estado, representado pelo alcaide tirano e corrupto que enriquece ao tentar evitar guerrilhas da revolução. Do outro lado está a igreja, representada pelo padre Ángel que vive de caridade e tenta liderar por exemplo uma sociedade que vive oprimida pelo medo. 


Mais um exemplo de boa literatura, que recomendo!


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sábado, 4 de junho de 2016

Ninguém Escreve ao Coronel, Gabriel García Márquez

Ainda há dias comentava com a Su que não ia conseguir cumprir o Desafio Inverso deste mês. Basicamente, precisava de um livro pequeno que desse para encaixar entre as parcerias, sem me ocupar muito tempo, e que já habitasse a estante há um ano. E eu, pobrezinha, não tinha nem um livro com estes requisitos! Parece impossível... Depois lá encontrei este na estante e, sendo de Gabriel García Márquez, veio mesmo a calhar.

Ninguém Escreve ao Coronel foi publicado pela primeira vez em 1961, e retrata a situação precária de um casal após a morte do seu único filho. Apesar de ter sido alfaiate de profissão, o rapaz (que agora não me consigo lembrar do nome), apostava em lutas ilegais de galos, que mais tarde lhe custaram a vida. Os pais vivem na miséria, contando tostões, enquanto esperam por notícias da reforma do Coronel, dos tempos em que serviu ao lado de Aureliano Buendía, em Macondo. Mas 15 anos se passam e a carta não chega. Enquanto isso, alimentam o galo na esperança de mais tarde lucrar com as lutas ou mesmo com a sua venda. E com esse objectivo em mente, vão passando fome numa casa degradada onde falta muito mais que comida.

O que mais me fascinou nesta história foram as referências a Macondo e ao Coronel Aureliano Buendía, cenário e personagem de Cem Anos de Solidão do mesmo autor. Já não me recordo de muitos detalhes da história, mas muita coisa se avivou na memória ao ler Ninguém Escreve ao Coronel. E depois há qualquer coisa na escrita de Gabriel García Márquez que nos prende de forma incompreensível. Talvez tenha um certo charme latino.... Não sei. O que sei é que é como beber água quando se tem sede. É como se sentíssemos falta de alguma coisa e só nos apercebemos quando voltamos a tê-la connosco. É estranho, mas é um estranho muito bom.

Com isto, acabo esta curta leitura com imensa vontade de ler mais alguma coisa da sua autoria, especialmente Os Funerais da Mamã Grande, cuja a acção se passa novamente em Macondo, mas que ainda não habita a minha estante.

Post recomendado:

Cem Anos de Solidão

Apesar da opinião vir atrasada, esta leitura conta para o Desafio Inverso de Maio, para o tema "um livro que está na estante há mais de um ano"



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cem Anos de Solidão

Tenho este livro na minha estante há coisa de dois anos. A vontade de o ler era enorme, mas o medo conseguiu sempre sobrepor-se. Isto porque sempre me fizeram desta história um bicho de sete cabeças! Disseram-me que era um livro excelente, mas muito confuso e que a escrita se tornava maçadora. Ouvi de tudo um pouco e acabei por o deixar descansadinho na estante, à espera do momento certo. 

Este mês, à conta das leituras impingidas, a Su recomendou-mo e decidi que o momento havia chegado. Sinto que esta opinião não vai sair grande coisa, tal o estado em que o livro me deixou. É mais uma daquelas vezes em que se gosta tanto de um livro que nem se sabe bem o que dizer a seu respeito, estou praticamente sem palavras...

Antes de mais posso dizer-vos que foi o primeiro livro de Gabriel García Márquez que li e, à conta deste livro, chegaram mais dois da sua autoria à minha estante. Irei mostrar-vos tudo noutro post de aquisições mais tarde, quando já estiverem todos comigo. O que mais me deixava curiosa acerca deste livro, era a forma como estava escrito e que todos gabavam. Nisso eram unânimes e devo dar razão a todos os que me recomendaram esta leitura. É uma escrita tão simples e, ao mesmo tempo, soberba. Não percebo como alguém a pode ter achado maçadora! Eu achei a escrita muito cativante, e por várias vezes foi difícil pausar a leitura.

Percebo, no entanto, porque me diziam que o livro era confuso. Cem Anos de Solidão conta-nos a história da família Buendía, desde o primeiro da estirpe, José Arcádio Buendía, até ao seu último descendente. Acompanhamos todos ao longo de um século, num total de sete gerações. O que torna o livro um pouco complicado de ler é a repetição de nomes ao longo das várias gerações, particularmente José Arcádio, Aureliano e Remédios. As edições mais recentes trazem a árvore genealógica da família nas primeiras páginas, mas quem tem uma edição mais antiga deve procurar a genealogia da família. Eu fiz o tpc e encontrei várias na net, mas são tão detalhadas que se tornam um pouco confusas. A da minha edição é mais simples e, por isso, partilho-a convosco:


Esta é uma família de loucos! Todos os Buendía das primeiras gerações têm uma aptidão especial. Os José Arcádio interessam-se por filosofia, ciência e por literatura; Os Aurelianos são bons artesãos, mas acima de tudo, são bons líderes. Estas características vão-se repetido ao longo de todas as gerações. Em relação às mulheres da família não é assim tão linear, mas acabamos por encontrar alguns fenómenos bizarros. O que toda a família tem em comum, mesmo ao fim de cem anos, é a solidão em que se encontram, cada um à sua maneira. 

Ao longo da narrativa conhecemos todos os personagens ao pormenor juntamente com os seus destinos, quase todos trágicos. A evolução da aldeia de Macondo também é muito interessante. Gostei muito de acompanhar o seu desenvolvimento até entrar em declínio. Torna-se difícil escolher personagens favoritos, por causa da tal repetição de personalidades. Posso dizer-vos que a Fernanda me irritou imenso com tanta presunção e também pela forma como trata os restantes personagens mas, acima de tudo, pela forma como chega a casa dos Buendía e "rouba" a autoridade à matriarca, Úrsula. O último Aureliano foi o meu favorito de todos, em boa parte pela forma como a história terminou. E que final! Por muito que tentasse imaginar o final da história, nada me preparou para o que acabei por ler. Li e reli a última frase várias vezes com um misto de surpresa e tristeza por ter chegado ao fim. 

Bem sei que esta review não é nem de perto das melhores que já escrevi, mas a verdade é que continuo sem palavras para descrever esta obra. Uma obra que valeu o prémio nóbel. Sinto que nada do que possa dizer fará justiça ao livro (não gosto nada quando isto acontece) e, por isso, o melhor é mesmo lerem!



Este foi o primeiro livro impingido de Fevereiro. De seguida vou pegar na Papisa Joana, mas ainda vou receber alguns livros de parcerias e estou a pensar intercalar as leituras. Vamos ver como corre. Quem já leu o Cem Anos de Solidão, que tem a dizer sobre este livro?