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domingo, 1 de novembro de 2015

O Dia dos Santos - repost


Este post não é novo, mas como é um tema actual lembrei-me de o publicar novamente. O texto foi originalmente escrito para o blogue de um amigo e copiado na íntegra para o Delícias, com alguns ajustes no Português.  A formatação ficou uma caca mas não consegui mesmo resolver o probelma... Não se assustem por eu dizer que o Dia dos Santos calhou a um sábado - não é sinal de demência, o texto é que foi escrito no ano passado. Espero que gostem!)


Com certeza já todos por aqui deverão ter ouvido falar da minha terra natal pois, apesar de ser apenas uma vila alentejana, gradualmente tem-se tornado conhecida um pouco por todo o mundo. Por vezes até aparecemos na televisão, seja pela altura da Páscoa ou em alguma reportagem que fale sobre a passagem dos judeus por Portugal, entre tantas outras ocasiões. Falo-vos de Castelo de Vide, uma pequena vila situada algures entre Portalegre e Marvão, onde podem encontrar imensos vestígios da história Portuguesa e com um vasto património cultural, entre tantas outras qualidades.
Acho que se pegarmos num calendário e apontarmos todas as romarias, festas e outras tradições de Castelo de Vide, dificilmente encontraríamos uma semana em que não se passe nada por cá. Já vos falei da Páscoa, que é talvez a festa que atrai mais turistas, mas há muitas mais que poderia referir. A Feira Medieval em Setembro, o festival de música alternativa Andanças em Agosto, o madeiro que arde todos os anos na noite de Natal para aquecer os mais carenciados, entre tantas outras datas importantes e tão nossas.
Este fim-de-semana, como bem sabem, comemorou-se o Dia dos Santos. Sim, eu sei que se comemora em todo o lado, mas em Castelo de Vide existe uma tradição que está cada vez mais a cair no esquecimento. Também há que lembrar que o dia 1 de Novembro já não é um feriado nacional e, como tal, é cada vez mais difícil fazer cumprir a tradição. Em parte porque as crianças não são dispensadas das aulas mas também porque os pais não podem deixar de ir trabalhar para acompanhar os filhos. E isto deixa-me triste pois recordo-me de passar o ano todo à espera que chegasse o Dia dos Santos, que me sabia ainda melhor que o Carnaval.
 Desta vez, o dia 1 de Novembro calhou em sábado o que permitiu que mais uma vez a tradição fosse cumprida. Pela manhã, bem cedo, as crianças reúnem-se em pequenos grupos e vão pelas ruas, batendo de porta em porta, a pedir os santos. Segundo os mais sábios, neste dia a festa celebra-se em honra de todos os santos e mártires. Cada criança leva uma bolsa, que por cá são as tradicionais bolsas de retalhos onde se guarda o pão, e recebem muitas vezes guloseimas, mas também nozes, romãs, castanhas, maçãs, e até alguns trocos.
As bolsas do pão - imagem retirada daqui

No meu tempo (sim porque já faço parte daquela faixa etária em que se pode usar expressões como esta), juntava-me sempre com uma prima. Temos a mesma idade e fomos sempre da mesma turma. Andávamos sempre juntas, fosse no Dia dos Santos, fosse no Carnaval ou fosse outro dia qualquer e nos apetecesse companhia para brincar. E lá íamos nós, ela com a bolsa do pão e eu com a minha bolsa, que não era feita de retalhos, mas sempre tive muito carinho por ela porque foi uma prenda da minha avó paterna. Era toda feita em renda azul clarinha, com um forro a combinar, e é uma das poucas recordações que tenho dela. Todos os anos as bolsas vinham cheias de rebuçados, pastilhas, chupa-chupas, e frutos da época. A minha prima detestava que lhe dessem fruta, principalmente nozes. E se as moedas fossem de 1 escudo, quase fazia caretas às pessoas (felizmente continha-se!). Qual é a criança que gosta de receber moedas de 1 escudo?? Ok, nenhuma. Mas não me fazia confusão. Normalmente eram as pessoas mais idosas que davam moedas pequenas. Se em todas as casas por onde passávamos nos dessem uma moeda de 1 escudo, ao fim da manhã estávamos ricas. Ok, não literalmente. Mas para uma miúda de 5 ou 6 anos, juntar cerca de 100 escudos já era uma pequena fortuna.
 Ao final da manhã voltávamos a casa para o almoço em família. Quando ainda era uma criança de colo, era o meu pai que me levava a pedir os santinhos à casa das tias e das vizinhas, enquanto a minha mãe ia para casa da avó ajudar com o almoço. E o que se come no Dia dos Santos, perguntam vocês? Só coisas boas! Não me perguntem porquê, mas por aqui é tradição comer um prato de papas de milho ao almoço, neste dia. As papas são acompanhadas de açúcar louro, mel ou apenas leite. Como nunca gostei de papas, não percebo quem é que se lembra de comer isto ao almoço (só um parêntesis para dizer que a minha mãe adora….). Passando à frente: migas! Ah que maravilha, não é? Umas belas migas de pão ou de batata, que por cá come-se das duas maneiras, já marchavam! Depois para sobremesa come-se o arroz doce, não por ser tradicional deste dia, mas porque qualquer ocasião especial por cá pede uma travessa de arroz doce à mesa.
Para além disto, também se costuma comer bolo finto, que não é bem uma sobremesa. Funciona mais como um snack ou uma gulodice para qualquer altura do dia. Não há ano que passe sem que chegue a esta altura e me recorde dos tempos da escola primária, em que a mãe de uma amiga (cujo pai era padeiro) entrava pela sala de aula com um saco cheio de bolos fintos mais pequenos, ainda quentinhos. Para além dos bolos serem deliciosos, só o gesto de carinho já nos deixava felizes. Era como o ponto alto do nosso outono: o dia em que nos ofereceriam bolos fintos. Eu sei, como éramos ingénuos…
E porque estou para aqui a contar-vos uma tradição de há minhentos anos e, ainda por cima, a falar-vos em comida? (Já vos falei das migas, certo?)
Porque a tradição está a morrer. E a cada ano que passa há menos crianças na rua a pedir os santinhos e há também menos pessoas a abrir a porta às poucas crianças que ainda o fazem. Ainda ontem encontrei um texto do Nuno Markl em que ele contava como foi a sua noite de Halloween, acompanhando o filho e mais algumas crianças no “trick-or-treating”.
Não tardou para que, de adulto fixe e irresistível, gerindo com bonomia um grupo de divertidas crianças, eu passasse a sentir-me o cabeça experiente de uma organização terrorista, usando os meus pequenos esbirros para espalhar o susto e a angústia entre a terceira idade. 

Uma senhora em roupão lamenta: "Mas eu estava deitada...". 

Outra senhora revela-se tão idosa que não consegue abrir a sua própria porta da rua. Ou então foi incrivelmente inteligente.

Outra senhora, outro roupão: "Eu não estava preparada para isto...". 

"Então vamos ter de fazer travessuras!", respondem os gaiatos, implacáveis. E eu penso: "Mais? Não chega obrigar senhoras de idade a levantarem-se?".


 No meio disto tudo, não percebo porque tentamos todos os anos adoptar uma tradição que não é nossa e que para nós não tem qualquer significado, excepto ser um bom pretexto para tirar os fatos de Carnaval do baú, e em paralelo atirarmos para trás das costas aquilo que é, de facto, nosso. Será que os meus filhos, que um dia terei, irão pedir os santinhos ou pregar partidas pela noite fora?
(Publicado originalmente no blog Leituras do Fiacha, o Corvo Negro, 3-11-2014)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Estou de volta, espero eu....

Olá Olá!!

Não imaginam as saudades que tive de vir ao blogue. Antes de mais quero agradecer as palavras de apoio que me deixaram no post anterior. Sim, este verão não foi nada fácil e ainda está tudo um pouco turvo, mas agora que já estou na minha casa, que aos poucos vai-se compondo, começo a recuperar o folgo. 

E pois é, sou oficialmente independente. Por momentos penso em como a vida está difícil e fico cheia de medo pelo passo que dei, mas a verdade é que sempre gostei de ter o meu espaço e acima de tudo sinto-me feliz. Completei 26 anos este mês e isto de estar mais perto dos 30 que dos 20 começa a doer. É inevitável não comparar a minha vida com a dos meus amigos de infância que já vivem com os respectivos companheiros, que já têm filhos ou que até já se casaram. Não devo ser a única pessoa à face da terra a fazer este tipo de comparações, claro. Mas na verdade, qual é a pressa?

Quanto à casa nova, as arrumações estão a ser feitas a passo de caracol. A cozinha e o quarto - o essencial - já estão orientados. A casa de banho ficou ontem oficialmente pronta, quando o meu namorado afixou o espelho na parede. Mas a sala ainda está um caos! Vou mobilar esta divisão aos poucos, porque na verdade não é prioritário. E eu gosto de saber que, apesar de levar tempo e de ser difícil, o que quer que lá ponha vem do esforço do meu trabalho. Nestas coisas sou um pouco orgulhosa. E posto isto, não tenho mesa de jantar, nem sofá, nem tv, nem estantes para os livros.... Aos poucos lá chegarei. Em vez disso, são caixas e sacos e ferramentas por todo o lado. O pior mesmo são os livros! Só agora tenho noção da quantidade de livros que tenho dentro de caixas e que por enquanto vão ficar à espera de estantes novas - que também cá chegarão um dia. 

O Tobias está enorme!! Já tem 3 meses e é um reguila do pior. Só quer roer cabos e a morder-me as mãos. E dormir, claro. Acho que quando eu estou no trabalho, ele aproveita para dormir. Já lhe disse que podia ir arrumando qualquer coisa, mas ele faz de conta que não me percebe. Há muito que não tinha um gato bebé e não me recordava como tudo em casa fica mais complicado. Eu varro, ele espalha; eu passo a ferro, ele derruba; eu lavo o chão, ele patinha; etc. As primeiras noites juntos não foram muito fáceis porque quando eu chegava a casa e tentava dormir, ele queria atacar-me brincar.... Mas ao fim de duas semanas, acho que já estamos mais sintonizados no que toca a horas para brincar e dormir. Ainda assim é um fofo e tem-me feito muita companhia. Queria mostrar-vos uma foto dele, mas ficam sempre tremidas - porque ele não consegue estar quieto!!!

Em relação ao blogue, espero agora voltar ao meu ritmo anterior. Sinto falta de escrever e de pegar num livro, que foi coisa que também não fiz neste período de ausência. Chegaram alguns livros cá a casa por parte de parcerias e também como prenda de anos (de mim para mim, claro) mas como ainda falta chegar alguns livros, mostro-vos tudo mais tarde num outro post. Já sabem que as aquisições vão passar a ser escassas por aqui, pois todo o dinheiro que consiga juntar faz falta para mobilar o resto da casa. Mas de vez em quando cá chegará um ou outro.... Continuo a ter o meu caderno cheio de ideias para posts e aos poucos vou dedicar-me a elas. 

É bom estar de volta! Espero encontrar-vos desse lado :)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Vou mudar de casa. E agora?

Olá Olá! 

Ao fim de dois anos a viver em casa dos papás, chegou novamente a altura de me fazer à vida. Estou cheia de medo, porque desta vez é uma decisão mais definitiva do que ir apenas estudar para outra cidade, e a probabilidade de não correr pelo melhor é sempre elevada nos dias que correm.  Mas a verdade é que, ao fim de 30 anos, os meus pais resolveram por um ponto final no seu casamento e não têm sido dias (semanas) nada fáceis, para ninguém. Quando a bomba rebentou ponderei as minhas hipóteses e pensei seriamente me manter-me na casa que vai continuar a ser da minha mãe, mas este processo de mudança familiar tem sido tão desgastante que acho que está na altura de ter o meu próprio espaço. E eu bem sei que, pela minha forma de falar pode parecer que estou a levar tudo com muita calma, mas acabei por ir abaixo com isto tudo. Não foi só a falta de tempo e o cansaço que me impediram de por as leituras em dia e actualizar o blogue, e agora já percebem melhor a minha ausência.

Isto tudo para vos dizer, também, que vou continuar ausente. Em primeiro lugar, pelo mesmo motivo. Em segundo porque na próxima semana começa a Universidade de Verão do PSD, que se realiza todos os anos em Castelo de Vide (sim, vamos aparecer nas notícias) e já me comprometi a fazer 12h todos os dias. E por último, pela mudança propriamente dita que à conta da próxima semana vai ser feita a passo de caracol. 

A casa é bem fofinha! É um T1 na zona histórica, todo remodelado e com renda acessível - que é o que se quer! Já tenho a chave e na semana passada comecei a levar para lá os meus tarecos de cozinha. Minha gente, não imaginam a quantidade e variedade de conjuntos de café que acumulei ao longo dos anos!! Nem eu tinha noção, grande pancada! Se calhar, quando tiver tudo orientado ainda faço um post a mostrar-vos. 

Uma coisa é certa: apesar de tudo, a ideia de sair de casa e ir arranjando o meu espacinho aos poucos tem-me dado algum ânimo para ultrapassar esta fase menos boa. Eu já nem sei há quanto tempo não pego num livro, até porque nem me consigo concentrar... Tenho posts para comentar e mensagens para responder, que não estão esquecidos, mas já perceberam que o estado de espírito não tem sido o melhor... 

Em relação a livros, serão a última coisa a levar para a casa nova e é possível que permaneçam em caixas durante os primeiros meses. No meio de tanta coisa para comprar, estantes novas não são uma prioridade. Mas estou a pensar num sistema de organização para conseguir encontrar facilmente algum livro que queira ler, durante esse tempo. E como podem calcular, também não vão chegar muitos livros cá a casa nos próximos tempos. Talvez só de parcerias e mesmo assim, não será muito. Mas não é grave porque, no final de contas, foi precisamente para um momento destes, que acumulei de forma compulsiva 177 livros para ler. Como forma de despedia das compras de livros, adquiri ontem o livro da Mónica, do blogue e canal A Dona de Casa Perfeita, que deverá chegar amanhã. Se não conhecem o trabalho dela, vão lá espreitar!





Ah e não vou mudar-me sozinha! Não, o meu namorado não vai comigo, por enquanto. O facto de ter um namorado mais novo e que nunca saiu de casa dos pais pesa muito na balança, mas já fico muito agradecida com todo o apoio (e paciência) que ele me tem dado neste momento menos bom. Ponderei levar dois gatos cá de casa, mas como eles estão habituados a este espaço e à companhia uns dos outros, achei que não seria justo. Também não é como se eu fosse para muito longe e não os pudesse ver todos os dias. Acontece que no sábado passado, a minha mãe encontrou um gatinho escondido debaixo de um carro. Deixou-se apanhar porque tinha os olhos fechados com uma crosta que eles às vezes têm quando as mães não os lavam bem. Já foi ao doutor, já tem os olhos limpinhos e até já tinha um potencial dono. Só que eu também quero uma companhia na minha casa nova. Então.... lá fiquei com o Tobias :)




É um reguila!! Passa as noites a querer brincar, quando eu só quero dormir! Mas é tão fofo e meigo....

Com isto, pedia-vos um pouco mais de paciência com a minha ausência, que espero que não se prolongue por muito mais tempo. A verdade é que eu adoro esta interacção com o blogue e convosco e sinto falta disto, mas não tenho conseguido chegar a todo o lado. A prioridade neste momento é a mudança e talvez venha daí alguns temas novos para o blogue (sim, já pensei nisso) mas terá que ser daqui a mais uns tempos. 

Espero continuar a "ter-vos" desse lado :)

terça-feira, 28 de julho de 2015

Será que... compro muitos livros??

Podia ser uma pergunta retórica, mas hoje apetece-me mesmo falar sobre este tema. Aliás, tenho quase a certeza que todos os bloggers acabam por abordar este assunto mais tarde ou mais cedo, porque é um "problema" com que lidamos todos os dias!

A verdade é que podemos definir planos de compras, podemos estabelecer limites, auto proibir-nos e fazer trinta por uma linha, mas livrólico que é livrólico arranja sempre uma boa desculpa para gastar dinheiro em livros que não precisa e que nem vai ler em breve, mas que quer muito ter na estante. Seja porque tem algum dinheiro extra ao final do mês, ou porque encontrou uma promoção espectacular, porque o livro está quase esgotado ou porque acabou de sair, seja porque faz anos ou é quase Natal ... Admitam: desculpas é connosco! Vale tudo. E quando damos por nós, temos as estantes a rebentar pelas costuras e uma pilha gigante de livros por ler.

Eu não sou excepção, claro. Se der um saltinho ao meu Goodreads, digo-vos já que neste momento tenho 177 livros em casa por ler e sei que esta contagem não está actualizada... O meu namorado não perde a oportunidade de me lembrar a quantidade de livros que tenho por ler, sempre que me vê a fugir para uma livraria (ou para a zona dos livros do Continente). Mas nem isso adianta, porque se eu quiser comprar e tiver dinheiro que chegue, o assunto está encerrado. Há uns anos atrás esta atitude compulsiva incomodava-me, apesar de tudo. Podia poupar para ir passear, ou para comprar roupa quando precisasse, ou só mesmo por poupar para algum momento de aperto. Mas não... 

Hoje em dia procuro ver as coisas por uma perspectiva diferente e que me deixa a consciência mais tranquila em relação a este assunto. A verdade é que se gasto muito dinheiro em livros é porque, mal ou bem, o posso fazer. Viver em casa dos pais, com uma quantidade limitada de despesas tem-me permitido aumentar a minha biblioteca pessoal aos poucos. E se me perguntarem o que me leva a gastar tanto dinheiro em livros, posso dizer-vos que não é apenas pela compulsividade do momento da compra. A verdade é que estou a "acumular" para quando não tiver possibilidades de o fazer. Parece-me um bom motivo, não acham? 

Tenho algumas pessoas próximas a quem empresto livros com alguma regularidade porque, seja pelas despesas de casa, filhos ou por estarem desempregados, não se podem dar a estes pequenos luxos. E eu olho para estes exemplos e não quero ser assim. Entre as minhas manias de livrólica, nada me dá mais prazer do que percorrer a minha estante e pegar num livro de entre as imensas hipóteses que tenho à escolha. Não me importo de ler livros emprestados, mas não é a mesma coisa. Não gosto de estar sempre a apressar-me para devolver o livro ao dono, nem de estar sempre com medo que aconteça alguma catástrofe a um livro que não é meu. E além disso, quando gosto de um livro, quero tê-lo na minha estante.

Por isso sim, eu compro muitos livros. Em promoções, em segunda mão e, muito raramente, novinhos em folha. Mas faço-o porque um dia não vou poder comprar livros cada vez que me apeteça e esse dia pode estar próximo. Pois, sabem... está na altura de sair de casa dos papás :)

E vocês, também sentem este peso na consciência? Como lidam com o assunto?

domingo, 19 de julho de 2015

7 Leituras que continuam a ser adiadas...

Todos temos aquela lista de livros que, apesar de estarmos mortinhos por ler, acabamos sempre por adiar! Os motivos podem ser os mais variados e todos são válidos. Mas quem nunca??
Hoje trago-vos a minha lista, claro. Podia alongá-la a todos os livros que quero muito ler, mas que vou adiando comprar, mas achei por bem restringir isto apenas aos livros que já tenho na estante.

1 - O Miniaturista



Este é daqueles livros que me deixam com a sensação que "já todo o mundo leu, menos eu"... Está na estante há meses e ouço falar tão bem dele que mal vejo a hora de lhe por as mãos em cima. E o pior é mesmo isso: não consigo pôr-lhe as mãos em cima! Ora não se encaixa no desafio mensal, ora não consigo arranjar tempo para mais leituras além do desafio, ora surge algum livro de parceria... E assim vai apanhando pó na estante.





2 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres


Neste caso poderia incluir toda a trilogia, pois desconfio que mal consiga pegar no primeiro vou acabar por ler tudo de seguida. Andei anos (mesmo anos!) a tentar arranjar os livros um pouco mais baratos do que o preço de venda e aos poucos acabei por conseguir. Depois, não quis começar a leitura sem ter os restantes na estante. Só que, agora que já os tenho todos, apoderou-se de mim um medo enorme de não gostar da história e ando a evitar pegar-lhes. Sim, eu sei: todas as pessoas que conheço adoraram esta trilogia. Mas a Su não!! Tinha que haver alguém do contra.... E a opinião da Su conta muito, para mim, porque temos gostos parecidos. Mas ela também não gostou de ler o primeiro livro do Hunger Games, e eu adorei... Ando muito baralhada das ideias, é um facto!


3 - Forbidden



Conheci este livro através do Booktube e gostei tanto da premissa que não hesitei e acabei por comprar um exemplar. Só que, é em inglês... E eu até decidi que este ano ia começar a ler em inglês, porque a carteira também agradece bastante, só que ler noutra língua requer um pouco mais de concentração e ultimamente não tenho tido tempo para me dedicar tanto a um livro. Mas quero lê-lo ainda este ano, juro!





4 - A Cabana do Pai Tomás


Desde miúda que me lembro de ter um exemplar deste livro em casa, bem velhinho, já com as páginas amareladas e dobradas nas pontas. Nem sei ao certo de quem é o livro... Do meu pai? Da minha mãe? Do meu avô? O que sei é que sempre tive vontade de o ler e cheguei mesmo a pegar-lhe quando era miúda, mas acabou por não me cativar. Agora que penso nisso, talvez fosse muito nova para me interessar por temas mais sérios, como é o caso da escravidão, mas apesar disso trata-se de um livro juvenil... Ficará para um dia destes...
  




5 - Um Mundo Sem Fim


Mais um livro (ou dois, vá) que andei anos e anos a tentar comprar mais barato. Este ano consegui, finalmente, e estou ansiosa por começar a leitura. Mas parece-me que terminar o segundo volume d'Os Pilares da Terra já é o suficiente "de Ken Follett" para este ano e, além disso, tenho que esticar esta leitura até que a continuação seja publicada em 2017... 







6 - Não Matem a Cotovia


Quando li o Criaturas Maravilhosas fiquei super curiosa com este livro e lá tive vontade de comprar um exemplar. Bo Ridley é um dos personagens favoritos de Lena e ao longo da história há imensas referências a esta história. Aguçou-me a curiosidade, na verdade. No ano passado comecei a lê-lo mas julgo que surgiu pelo meio um livro de parceria e acabei por lhe dar prioridade. Ainda hoje tem o marcador na página onde fiquei mas, provavelmente, quando voltar a pegar-lhe regressarei ao início. Resta saber quando será isso....






7 - As Dez Figuras Negras


O Delícias conta já com algumas críticas tecidas a livros da Agatha Christie, em boa parte devido à maratona que fiz no final de 2013. Na altura restringi a maratona à série Poirot, apenas, mas neste momento já tenho alguns livros da Miss Marple na estante. O ideal, para mim, seria ter a colecção completa com todos os livros publicados pela autora. E lê-los, claro! Mas no meio de todos os livros de Christie que quero muito ler, destaca-se As Dez Figuras Negras. Leiam a sinopse, procurem opiniões em blogues e no Booktube, e depois venham cá dizer-me se não ficaram com vontade de o ler!





E vocês, também têm uma lista de livros que querem muito (muito, muito...) ler, mas que acabam por adiar? Que livros fazem parte da vossa lista?

terça-feira, 7 de julho de 2015

Isto de ter um blogue literário...

Perguntam-me com alguma frequência o que me levou a criar um blogue e, naturalmente, a minha resposta não varia muito. Refiro como senti necessidade de encontrar mais pessoas que partilhem o gosto pela leitura, como quis criar um género de "base de dados" dos livros que vou lendo e como a existência de outros blogues literários me ajudou a alargar horizontes e a descobrir novos autores. E ao fim de dois anos e meio sinto que as minhas expectativas não foram defraudadas e em alguns aspectos até foram superadas.


Mas isto de se ter um blogue literário não é apenas um hobbie ou um prazer: vem com uma certa dose de responsabilidade. Em primeiro lugar porque começamos a ter um certo público que, uns mais do que outros, comentam e partilham as suas opiniões connosco. Torna-se importante tentar responder aos comentários dos leitores que dispensam um bocadinho do seu tempo para vir ler as nossas publicações, especialmente os que aparecem pela primeira vez. Acima de tudo queremos que cá voltem, que digam de sua justiça, que se sintam à vontade para concordar e discordar daquilo que dizemos e, parecendo que não, uma simples resposta aos seus comentários pode fazer toda a diferença. Não odeiam quando até gostam de um blogue (ou canal), comentam os seus conteúdos porque acham que têm qualidade e são divertidos e nunca recebem uma resposta em troca? Eu não gosto nada!

Depois surgem as parcerias, tanto com editoras ou autores. Podemos fazer o papel de leitor beta, como ter oportunidade de receber livros que ainda não estão à venda nas lojas, ou simplesmente receber algumas novidades gratuitamente. Tudo isto, em troca de uma opinião sincera. Acho que algumas pessoas se esquecem que não recebem livros grátis em casa só porque têm um blogue. É preciso lê-los e formular a sua opinião acerca dos mesmos, de modo a que as editoras consigam fazer uma maior divulgação. Há alguns meses chamaram-me a atenção para uma review a um livro que eu li e nem queria acreditar na forma como a blogger o classificava. Por muito que as opiniões contrastem, é difícil que um livro macabro seja classificado como divertido (e isto descrito e repetido ao longo de meia dúzia de linhas). É preciso ter um humor muito negro e, se calhar, até era mesmo o caso mas fiquei com a sensação que a rapariga nem leu o livro...

Isto das opiniões sinceras também tem as suas nuances. Eu tenho sempre algum receio de não gostar dos livros que peço para parcerias, porque afinal estão a fazer-me uma oferta a troco de divulgação. Se eu disser mal de um livro, não vou afastar potenciais compradores? Quando isto acontece tento ao máximo focar os aspectos negativos e os positivos, de forma construtiva. Especialmente se o autor for português e estiver a dar os primeiros passos neste mundo. Não há necessidade de desmoralizar as pessoas, como por vezes acontece, e se a crítica for bem construída também estamos a ajudar o autor a melhorar o seu trabalho. 

E vocês devem estar a perguntar desse lado, a que propósito vem esta conversa toda, não é? Na verdade nem sei bem, deu-me para aqui... Recordo-me que quando comecei a escrever no Delícias, ainda com meia dúzia de seguidores e a ler apenas o que tinha na estante, partilharam comigo o link para um blogue que tinha acabado de escrever uma crítica muito polémica. Não me lembro do blogue, mas recordo-me que é daqueles que têm para lá de muitos seguidores e parcerias com aquelas editoras que todos queremos, mas só os mais afortunados conseguem. No post em questão, a rapariga criticava um livro recentemente publicado por uma autora portuguesa (também não me lembro qual, para ser sincera), cedido pela mesma para opinião no dito blogue. Só que a blogger não se limitou a não gostar do livro e a dar uma crítica negativa. Ela gozou e insultou como bem lhe apeteceu tanto o trabalho, como a própria autora. Algumas pessoas acham que são boas a fazer críticas porque não têm medo de dizer o que pensam. Mas na altura achei que a rapariga só estava a ser extremamente rude. Certamente que encontrava forma de dizer civilizadamente o que não gostou na leitura, sem insultos e palavrões, se assim lhe apetecesse. Não lhe deve ter apetecido... Ainda hoje penso nisto, cada vez que tenho que fazer uma crítica negativa. Se calhar serviu-me de lição... E por vezes dou por mim a pensar que o elevado número de seguidores nestes blogues não se deve apenas à qualidade dos seus conteúdos, mas à polémica de "lavar a roupa suja" que os portugueses tanto gostam. E isto é triste, só.

Ao fim de dois anos e meio a escrever no Delícias, apercebo-me que nós, bloggers, somos "formadores de opinião", quer queiramos ou não. Raramente compro livros sem procurar reviews em blogues e a verdade é que uma crítica bem elaborada pode fazer toda a diferença entre comprar o livro sem pensar duas vezes ou desistir completamente de o ler. Quando uma crítica é "bem elaborada", explicando bem o que gostámos ou não na leitura e porquê, penso que não estamos a denegrir a imagem do livro ou mesmo o trabalho do autor. O que para mim pode ser um ponto negativo, para outra pessoa pode ser algo que a leve a querer ler a história. Penso que enquanto "formadores de opinião" também temos que ter algum cuidado com o que dizemos, ou melhor ainda, com a forma como o dizemos.

Tenho pensado muito neste assunto, ultimamente, ainda que sem um motivo em particular. Gostava de saber o que têm a dizer sobre isto! Digam-me tudo nos comentários :)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Os livros envelhecem connosco

Sempre que o meu aniversário se aproxima vou entrando lentamente numa mini depressão que se agrava consideravelmente no dia em questão. Vejo-me cada vez mais perto dos 30 e sem grandes objectivos de vida cumpridos, o que acaba por ser normal nos jovens de hoje em dia mas que nem por isso deixa de me afectar. Eu bem tento não pensar no assunto e afastar estas ideias negativas assim que elas se lembram de me atormentar, mas nem sempre consigo pensar em alguma coisa que me anime e me tire desse "buraco". Mas calma, não estou aqui para vos deprimir! E a mim também, pelo meio do caminho...

Há uns dias dei por mim a ser resgatada do meu estado depressivo quando constatei que uma boa parcela da minha boa disposição e (vá, arrisco-me a dizer) felicidade é preenchida pelos livros que vão chegando cá a casa e que são guardados cuidadosamente nas estantes, que são folheados e me levam a sítios longínquos sem sair do conforto da minha casa. É mágico, não é? Depois acabei por me imaginar um pouco mais madura e com a minha biblioteca de sonho, construída ao longo de todos estes anos e que me fará companhia na velhice, antes de ser atacada pela miopia e, possivelmente, pela demência. Quase, quase, quase me dá vontade de largar tudo e saltar já para esse momento. E de repente dei por mim a pensar no meu avô e na sua pequena biblioteca pessoal, cujos livros estavam devidamente carimbados e assinados por ele. E já que falo nisso, tenho que arranjar um carimbo desses! Imaginei como seriam os livros no momento em que os terá comprado, pois recordo-me perfeitamente das suas capas gastas, as páginas amareladas e aquele cheiro característico dos livros velhinhos. Pergunto-me como seriam as suas capas novas e acabadas de sair das gráficas. E o cheiro do papel de antigamente, teria o mesmo cheiro que os livros novos que compramos agora?

Infelizmente, já não posso perguntar nada disto ao meu avô. Se assim não fosse, pegaria em alguns livros da minha estante e pedia-lhe que os comparasse com os seus de há muitos anos atrás. Será que o meu avô teria noção de como os seus livros mudaram ao longo dos anos? Pergunto-me se esta percepção não será semelhante à forma como encaramos o nosso próprio envelhecimento, que só é constatado quando pegamos numa fotografia tirada há 2, 6, 10 anos e notamos a pele mais lisa e brilhante, os olhos mais joviais, a roupa mais ajustada ao corpo. Pequenos detalhes que nos passam despercebidos ao longo dos anos e que nesse momento encaramos com algum choque.

Os livros envelhecem, tal como nós. Daqui por 30, 40, 50 anos as minhas capas estarão menos coloridas, as páginas estarão amareladas e aquele cheiro agradável do papel novo desaparecerá lentamente sem que eu o sinta. Serei capaz de notar a diferença?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Um inferno colombiano

Pouco passava do meio de Março quando fui finalmente empregada no restaurante onde fiz um extra pelo Carnaval. Já vos falei um pouco sobre essa aventura e como me custou imenso suportar as dores e o cansaço, mas lembro-me que na altura alguém (julgo que terá sido a Cátia Valente) me sugeriu que partilhasse as peripécias a que vou assistindo no meu novo trabalho. É que, parecendo que não, o atendimento ao público pode dar origem a situações bem caricatas e na altura eu nem fazia ideia!! Quem sabe não nasça daqui uma nova rubrica (já agora aceitam-se sugestões para o nome da mesma).

Para já vou começar por partilhar convosco um pouco do inferno que foi trabalhar no restaurante, nesta semana que passou. 

Eu gosto muito do restaurante do hotel. É um espaço agradável e muito bem decorado, com motivos tradicionais. Logo quando entramos, temos à disposição um sala ampla que serve de zona de bar, composta por mesas e cadeiras em verga muito confortáveis. O bar propriamente dito, tem um balcão circular composto por outras tantas cadeiras de verga a toda a volta, e o barman anda la dentro a servir os clientes. Nesta zona há também acesso à varanda com esplanada orientada para a Serra de S. Paulo e que dá acesso às piscinas do hotel. É um espaço muito agradável. Ao fundo da zona de bar, está o restaurante. Julgo que já vos contei que o meu horário inclui, neste momento, a preparação do buffet de pequeno almoço para os hóspedes do hotel e os jantares. 

Acontece que entre o BTT e o torneio de futebol dos putos (que não deviam tem mais de 8/9anos) era suposto ter havido ali um dia de pausa que correspondeu à folga da minha colega. Estava cansada, precisava de dormir uma noite como deve ser, mais ainda sabendo que no dia seguinte o hotel ia estar cheio (mesmo cheio - lotação completa) com pirralhos irrequietos que nos iam deixar os nervos em franja. Uma pausa a antecipar a semana que se avizinhava, tinha sido perfeito. Mas não foi assim que aconteceu e também percebi que a minha colega ainda não estava preparada para a rotina de montar o buffet sozinha. Ainda para mais, previam-se apenas 10 hóspedes para aquela manhã. Era canja!


Há muita coisa que já deixamos preparado de véspera. O queijo e o fiambre que vamos servir no buffet é cortado de véspera e tudo é contado consoante a lotação - tipo duas fatias por pessoa, dois pães por pessoa, estão a ver? Então, na manhã de quinta cheguei ao trabalho um pouco antes das 7h da manhã. Preparei e dispus os cestos de pão pelas bancadas do buffet (3 variedades diferentes), pus as travessas de queijo e fiambre, um jarro de leite frio e água, verifiquei o stock de cereais, servi leite quente, café e sumos nas máquinas automáticas, dispus bolo num prato - tudo sempre a pensar nos 10 hóspedes que ia receber daí a pouco tempo. Só que afinal os colombianos chegaram mais cedo e de 10 hóspedes previstos para o pequeno almoço, passei a ter quase 60. OH MEU DEUS! Muito à pressa tive que adaptar o buffet e correr a cortar mais queijo e fiambre. 

Às 7.30 abri as portas do restaurante e esperei que o caos se espalhasse. Pouco a pouco os hóspedes foram chegando e tomando o pequeno almoço e a manhã foi passando sem que se vissem colombianos... Coitados dos miúdos que já não dormiam uma noite de jeito quase há 48h, por causa da longa viagem. Calculei que tivessem chegado de madrugada e migrado para as camas. Mas não! Perto as 10h começaram a chegar ao restaurante e fiquei parva com a falta de supervisão por parte dos treinadores. Não se viam em parte alguma! Os miúdos chegaram e em menos de nada acabaram com o stock de chocapic e estrelitas que deveria dar, no mínimo, para 3 dias. Não estou a abusar. O pior é que viram naquele espaço restaurante-bar-esplanada um autêntico recreio e tudo lhes servia para brincar. Não é suposto os hóspedes saírem da zona do restaurante com a comida e não é permitido que se sentem no bar ou na varanda a tomar o pequeno almoço. Mas expliquem isso a miúdos daquela idade que não paravam por um segundo! Eu só pensava: MAS NÃO ESTAVAM COM SONO?? Nunca pensei que putos ensonados tivessem tanta energia... 

Quando dei por mim tinha as mesas do bar todas sujas, as cadeiras todas reviradas e a hora de fechar o buffet e ir para casa há muito que tinha passado. Faziam brindes de sumo de laranja em volta do bar circular, em ambiente de grande festa, e as palhinhas, estratégicamente dispostas ao longo do balcão, foram abertas para os meninos soprarem os plásticos uns para os outros. E estavam sempre a comer. Corriam e brincavam e de vez em quando lá vinham uns quantos comer mais alguma coisa. Depois corriam e berravam e lá vinham mais uns quantos comer. E no meio desta algazarra e na minha pressa de repor no buffet o que ia chegando ao fim, passou a hora de fechar o restaurante eu eu nem me apercebi. Não tivesse o rapaz da recepção vindo em meu auxílio e às 4h da tarde eu ainda estaria a servir o buffet de pequeno almoço à espera que aquela gente se fosse embora....

E houve mais, muito mais que poderia ficar aqui a contar-vos. Mas fica para outro post :)

domingo, 29 de março de 2015

A feira do livro - uma tradição nossa.

Consegui ser mais poupadinha este mês, só que hoje estraguei tudo! A culpa foi da feira do livro mesmo ao lado da minha casa. Já vai sendo tradição e todos os anos, pela Páscoa, é feita uma feira do livro em Castelo de Vide. Por vezes repetem a iniciativa no verão, mas é raro. Varia apenas o sítio onde montam a feira. No ano passado foi dentro do Castelo e este ano é mesmo ao lado da minha casa, na Igreja de São João. Uma tentação, meus caros! 

 A Páscoa tem sempre um sabor especial para mim e eu nem sei bem porquê. Castelo de Vide é uma terra com muita tradição e mesmo quando estava a estudar fora, tentava sempre regressar nesta altura. E quando era mais nova, lá arrastava a minha mãe para a feira do livro para ela me comprar qualquer coisinha. Na altura pouco lia e um livro durava-me para dois ou três meses, pois só lhe pegava quando não tinha mais nada com que me entreter. Mas era algo que me dava prazer e fazia questão de lá ir espreitar, nem que fosse no domingo de Páscoa, depois de comer o sarapatel. 

Começo a sentir que, para além das romarias, procissões, doces e tantas outras coisas que são tradicionais nesta altura, esta ida à feira do livro com a minha mãe começa a ser uma tradição só nossa e que se repete desde que eu me lembro de ser gente. Sei que foi lá que a minha mãe me comprou muitos livros de colorir, que eram sempre muito giros e mais acessíveis. Os meus livros da Carochinha e da Rua Sésamo também foram comprados nesta feira e mais tarde veio a colecção do Clube das Amigas, onde me iniciei nos dramas da adolescência. Hoje lá fomos nós outra vez para aproveitar que é domingo, está bom tempo e que já concluí o meu dia de trabalho. Praticamente não nos temos cruzado nestes últimos dias mas lá conseguimos passar este tempo juntas. 

A feira do livro, em si, não é muito grande e os preços aproximam-se muito dos valores normais. Normalmente as reduções não excedem os 2 ou 3 euros, mas há sempre uma bancada com livros até 5 euros onde se encontram algumas coisas interessantes. A minha mãe acabou por me oferecer dois livros e eu comprei outros dois. Não sei se ainda lá vou voltar porque não estou propriamente a nadar em dinheiro, mas ainda fiquei com alguns debaixo de olho. Mas seja como for, está cumprida a tradição por este ano. 

Tencionava usar este post para vos mostrar as aquisições do mês mas acabou por me sair uma coisa totalmente diferente. Bem, mostro-vos tudo noutro dia. Fica prometido!

sábado, 28 de março de 2015

Uma aventura... n'O Preço Certo

Tudo começou como uma brincadeira. Bem, na verdade começou naquele voluntariado que fiz no Carnaval (e que me valeu o meu trabalho actual) e esses dias não tiveram muito de brincadeira. Só dor e cansaço. Mas passando à frente... Tudo começou com o director do Hotel que nos convidou (a mim e ao meu moço) a fazer parte da sua claque no Preço Certo. Encontrámo-lo por puro acaso no Continente de Portalegre e o homem saiu-se com esta. Acabei por lhe perguntar se estava a referir-se ao programa da RTP, não estivesse ele a gozar connosco. Mas não estava, falava muito a sério e a juntar a tudo, a viagem seria no dia de anos do meu rapaz. Pensámos que poderia ser engraçado e aceitámos o convite.

Partimos de Castelo de Vide por volta das 9h da manhã. A claque era composta por alguns funcionários do hotel e alguns que já não trabalham lá mas que mantêm uma boa relação com o director e os ex-colegas. Não fosse isto uma terra pequena onde todos se conhecem... E lá fomos num autocarro cedido pela Câmara, uma bolsa do pão típica de cá com as prendas da praxe para o gordinho. Comigo levava apenas um pequeno lanche para o meio da manhã, que não era mais do que um pastel de carne para o Samuel e um folhado para mim. O director disse-nos que não era preciso levar merendas e que estariamos em Lisboa ao meio dia. Calculámos que a primeira coisa a fazer, seria almoçar. Só que não.



Para nossa surpresa encaminhámo-nos directamente para a entrada da RTP. Teriam algum género de buffet para os participantes?? Também não... Assim que o nosso autocarro parou em frente aos estúdios avistámos uma excursão de velhotes (gente pró nas idas ao Preço Certo), todos eles agarrados ao seu farnel bem reforçado. Cada um com uma bela marmita, sandes, pinga e ainda avistei alguns a comer queijo e enchidos. Não é de estranhar, já que as equipas que iam participar eram todas Alentejanas, com excepção de uma de Peniche. Havia gente de Campo Maior, Almodôvar e julgo que da Ponte Sôr. E nós, os totós de Castelo de Vide, que começámos por achar piada aquele banquete às portas da RTP, rapidamente percebemos que os burros éramos nós. No meio daquilo tudo, o director ainda comentou que a produção pediu para chegarmos já almoçados, mas além de não nos ter dado essa informação, ainda disse que não era preciso levarmos almoço. Fuck logic...

Ao entrarmos no estúdio do programa, o primeiro choque foi mesmo o tamanho do estúdio. Na televisão ainda parece grandote, mas ao vivo é tão pequenino que custa a crer como é que pode ser tão enganador. Começaram por sentar todas as equipas na bancada, passaram uma declaração com as regras e condições do programa que tivemos que assinar. Quando comecei a ler o papel percebi que não seria apenas o director que ia a jogo: qualquer um poderia ser chamado. ME-DO!


No centro do estúdio estava um género de biombo preto onde decorriam entrevistas a todas as equipas. Chamaram-nas, uma a uma, enquanto as restantes aguardavam em fila junto à bancada. Por fim chegou a nossa vez e descobrimos que a entrevista seria gravada. Estava um operador de câmara e uma rapariga que começou por nos dar as boas vindas e explicou sucintamente a forma como tudo se iria passar. Iríamos gravar dois programas (DOIS???) e, às 19h entraríamos em directo (ai mãe, onde me vim meter...). Felizmente perguntou se havia alguém que não queria ser chamado para participar no programa e, um pouco envergonhados, alguns de nós lá levantaram a mão. Ao que parece não fui só eu a ser apanhada de surpresa... Depois seguiu-se uma pequena entrevista aos que não se importavam de participar. Nada demais: nome, profissão, etc. No final pediram-nos que estivessemos no estúdio antes das 16h para a gravação do primeiro programa. Nos entretantos fomos à procura de um wc e um bar. Só para vos orientar melhor na minha narrativa, tudo isto se passou entre as 12h e as 14h, o que significa que ainda tínhamos algum tempo para empatar.



O wc encontrámos sem problemas. Mas em relação ao bar já foi mais complicado, pois era de acesso exclusivo aos funcionários da estação. Em alternativa estavam 4 máquinas de venda automática: uma de cafés, uma de sumos e águas e as outras duas tinham bolos, chocolates e algumas sandes. O problema é que aquilo tinha que dar quase para 200 pessoas que iam participar nas gravações e quando quis ir tirar algumas coisas para guardar na mala, percebi que não tinha moedas e as máquinas não aceitavam notas. Que grande merda... E depois de ter percebido que ia passar uma fome enorme o resto do dia, fez-se um clique e caiu-me o coração aos pés. De repente lembrei-me que o meu namorado é diabético, insulino-dependente, que não pode estar mais de duas/três horas sem comer. Já me estava a imaginar num hospital de Lisboa, depois de ele entrar em coma diabético - coisa nada bonita de se ver. Felizmente ele tinha algumas moedinhas na carteira e lá tirou alguns chocolates para ir comendo ao longo do dia. Quando o vejo chegar ao pé de mim com os chocolates só me apeteceu bater-lhe, parecia uma gaiato. Mas percebi a ideia dele. As sandes eram mais caras e não duravam o dia todo e assim dava para ele ir gerindo. Escusado será dizer que passei o tempo a dizer-lhe que não tinha fome para, assim, ele ir comendo os chocolates à vontade e sem pesos de consciência. 

Com isto se passou o tempo e, às 16h estávamos de novo no estúdio a ouvir as piadas do Betão que, ao mesmo tempo, nos ia explicando os sinais que ia fazer atrás das câmaras e como nos devíamos comportar... A Lenka surpreendeu-me pela positiva. E sim, estou a ser sincera. Na televisão parece mais velha que ao vivo. É uma mulher lindíssima, sem dúvida.

No final da primeira gravação voltámos às máquinas de venda automática, acompanhados por dois colegas. Nós não tínhamos mais moedas mas ainda assim ficámos um bocado revoltados quando encontrámos as máquinas completamente vazias. Eram 17horas e ainda faltava uma gravação e o directo, mais a viagem para casa. Sabíamos lá quando íamos ter comida à frente. Então, escapámo-nos. Nem tínhamos a certeza se nos voltariam a deixar entrar nos estúdios, mas a fome já era negra e eu estava a ficar preocupada com o Samuel. Fomos à procura de um café ali perto para comprar umas sandes, pelo menos. Encontrámos um restaurante que por acaso estava aberto, ao final da rua, e perguntámos se tinham alguma coisa rápida para comer. A resposta agradou-nos: lombo com batata assada. Sentámo-nos os quatro, pedimos água e um jarro de tinto e devorámos as entradas. Depois veio o lombo com batatas assadas e tivemos direito a arroz e salada. O rapaz que nos serviu perguntou se vínhamos do Preço Certo e percebemos que deve ser muito frequente aparecer por ali esfomeados como nós. Se calhar não era assim tão por acaso que o restaurante estava aberto a meio da tarde. No final ainda comemos sobremesa e cantámos os parabéns ao Samuel, com direito a vela e tudo, cortesia do restaurante. E voltámos para o estúdio, a tempo de participar no directo.


Quando lá chegámos a produção estava a distribuir um pequeno lanche por todas as pessoas. Umas sandes e um sumo. Ai abençoado lombo... De barriga cheia já estávamos mais animados, mas também estávamos um bocadinho cansados. Se os outros batiam palmas, eu batia palmas. Se os outros se levantavam, eu levantava-me. Enfim... Passou-se. Pouco depois das 20h estávamos a entrar no autocarro, de regresso a casa. Chegámos por volta da meia noite, super cansados, mas ao menos não estávamos esfomeados e o Samuel estava bem - que era o meu maior alívio. Um dia tenho que vos falar um bocadinho sobre a diabetes, porque sinto que as pessoas não sabem muito acerca desta doença. E o pouco que sabem, geralmente está errado...

Mas pronto, isto tudo para vos contar que passei uma fome desgraçada e foi um dia super cansativo. Nunca mais me enganam para uma coisa destas. E se estiver alguém a ler este post que pense ir ao programa, ou conheça alguém que queira lá ir, passem a palavra: levem uma boa merenda, que vá bem abastecida. Assim o suficiente para dois ou três dias. O que me impressionou mais, no meio disto tudo é que para a RTP isto é uma coisa que acontece todos os dias, há imensos anos. Não percebo porque nunca arranjaram uma solução para as pessoas que lá vão. Nem que tivessem um bar para os funcionários e outro para a ralé, faziam uma fortuna à nossa pala. Já agora, quem quiser montar uma barraquinha de cachorros à porta da RTP, também era capaz de se safar. Fica a dica :)

Desculpem lá o testamento!

segunda-feira, 23 de março de 2015

Back to work.../ Novas Parcerias e mais algumas coisas

Nos últimos dias a minha rotina sofreu algumas mudanças drásticas. Comecei uma formação de Técnicas de Procura de Trabalho no início do mês, pelo Centro de Emprego e, quanto a isso, não há muito a dizer. A formação em si não deixou de ser interessante, mas o sistema é o que é e pronto... Passei de inútil a inútil ocupada, a ter aulas todos os dias das 9 às 17h, qual estudante universitária (ou então não!). Valeu-me saber que não ia lá ficar muito tempo, felizmente. 

Lembram-se de vos ter falado de um voluntariado na semana do Carnaval? Na altura fiz um post onde vos contei como aqueles dias foram complicados. Para além de nunca ter feito um trabalho semelhante, comecei logo a fazer 12horas. Foi mesmo a doer. Só de me lembrar no estado em que os meus pés estavam, estremeço. Mas parece que o esforço compensou e o que começou por ser um género de voluntariado à experiência, acabou por me levar a um novo contrato de trabalho. Comecei no sábado passado, excepcionalmente às 11h da manhã para ajudar a limpar a cozinha do hotel e a repor frigoríficos e outros tantos afazeres necessários após uma remodelação. 

Desta vez já não me enganaram e como sabia ao que ia investi nuns bons sapatos ortopédicos. Bem diz o meu novo chefe, e é mais que certo, que ter os pés confortáveis é meio caminho para levar este trabalho na boa. E agora posso dizê-lo com conhecimento de causa. Foram caros com'ó raio, e sim, chego ao fim do dia com os pés e as pernas cansadas, mas nada que se compare ao que sofri no Carnaval. Há coisas em que não me importo de abrir os cordões à bolsa e esta é uma delas, pois sei que fiz um bom investimento.

O mais irónico no meio disto tudo é mesmo o ramo. Sinto que passei anos a fugir destes trabalhos para agora chocar com este. Eu odeio serviço de bar e restaurante!!!! Quando era miúda os meus pais fizeram a exploração de um bar e comecei por ajudar a minha mãe nas limpezas, durante os períodos de férias. Mas à medida que fui crescendo comecei a ter mais responsabilidade e acabei por ficar muitas vezes sozinha no café enquanto a minha mãe ia a casa preparar o almoço ou a tratar de algum assunto. Eu detestava esses momentos e contava os minutos para que ela regressasse. É por isto que nunca pensei enfrentar este trabalho de ânimo leve. Lidar com pessoas cara a cara e em atendimento ao público é algo que me assusta e sempre soube que o serviço em si não é propriamente fácil. Claro que ao fim de três dias (se não contarmos com o Carnaval) ainda tenho muito a aprender, mas já vou conhecendo a rotina da coisa e isso dá-me alguma segurança. Também fico aliviada por perceber que o chefe gosta do meu trabalho e de vez em quando lá diz que eu sou muito desenrascada. Levanta-me o ego e ajuda a suportar melhor as minhas incertezas. 

O pior no meio de tudo é mesmo o horário. Entro às 7h para preparar o buffet de pequeno almoço e fico até às 11h da manhã. E por muito que me custe levantar cedo, a verdade é que prefiro começar a trabalhar por volta destas horas e depois ter o resto do dia por minha conta. O problema é que, pelo menos para já, a segunda metade do meu horário é referente aos jantares, das 18 às 22h. Sim, tenho o dia todo pelo meio, mas fico muito limitada. Se quiser ir a algum lado, tratar de alguma coisa ou, simplesmente jantar com o meu namorado, é muito difícil. Estão a perceber não é? Odeio ser pobre...

No meio disto tudo, onde fica o blogue? Para já é difícil dizer. Neste momento ainda estou numa fase de adaptação aos horários e ontem, logo quando acabei o turno da manhã, cheguei a casa e meti-me na cama. Estava cheia de sono mas acho que com o tempo acabarei por me habituar aos novos horários. Não posso desperdiçar metade do dia a dormir, não é?? E mesmo que acabe por fazer uma sesta de vez em quando, sobra-me muito tempo para por a leitura em dia. Pelo menos assim espero... Para já, ando a meio gás. 

Ainda assim, nos últimos dias tem havido algumas novidades aqui pelo blogue. Só que têm sido muito subtis. Comecei ontem o livro O Meu Nome É... para a parceria com a Bizâncio. Entretanto, na sexta-feira passada, o Delícias à Lareira passou a ser oficialmente mais um parceiro da Saída de Emergência. Não imaginam o pulo de alegria que dei quando recebi o email da Inês!! Na altura acrescentei o logo da editora aqui de lado, mas fui tão discreta que ninguém notou. Oh well, agora já sabem!


AH!! E fui ao Preço Certo, da RTP. Ora aqui está uma experiência que não quero repetir... Mas querem que vos conte como aquilo funciona??

O meu moço, o Rui e eu, na plateia do Preço Certo

O estúdio do programa


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Dias muito complicados...

Esta semana andei desaparecida, não só do mundo virtual, mas da vida em geral. Não, não estou a exagerar! Foi mesmo isto que aconteceu. Passei a semana em modo zombie e a implorar para que se desse algum milagre...

Passo a explicar:

Como sabem, pois já o disse por aqui diversas vezes, eu estou desempregada e felizmente ainda tenho direito a receber subsídio por mais uns meses. Mas claro que uma pessoa não se pode encostar à espera que ele acabe. O melhor é nunca o deixar chegar ao fim e tentar arranjar alguma coisa, entretanto. Na semana passada fui contactada por um hotel de cá pois precisavam de alguém para ajudar no serviço de restaurante por estes dias. O hotel é o mesmo onde o meu namorado trabalha, daí o tachinho. A ideia era eu ir à experiência, para me ambientar ao trabalho e ver se gostava, para mais tarde me chamarem, a contrato. Ou seja, fui em modo voluntária.

Esta semana houve por cá um torneio de futebol feminino, em que as miúdas deviam ter entre os 10 e os 15 anos. Recebemos um total de 7 equipas, mais a equipa médica e o pessoal da organização, num total de cerca de 150 pessoas. A minha tarefa, como funcionária do restaurante, seria servir o pequeno almoço, almoço e jantar, num total de carga horária de 12h diárias - a loucura! Pode parecer que não, mas para quem nunca fez tal trabalho, 12h diárias são um pesadelo!! Felizmente era tudo em regime de buffet, o que já nos facilitou em muito a vida.

O dia começou sempre um pouco antes das 6h da manhã, para entrar ao serviço antes das 7h. Ao chegar ao hotel, juntamente com mais 2 colegas, preparávamos o buffet do pequeno-almoço. Desde colocar café, leite e sumos nas respectivas máquinas, verificar o stock de cereais, arranjar as cestas com 3 variedades de pão, cortar queijo e fiambre entre outras coisas. À medida que as pessoas iam comendo, levantávamos a loiça suja, limpávamos as mesas e voltávamos a colocar toalhetes de papel e talheres para mais pessoas se sentarem. Tudo isto sempre com um olhinho no buffet para repor a comida que fosse chegando ao fim e ainda dando um saltinho à zona do bar para servir cafés. Parece fácil, mas não se iludam... Com o final do pequeno-almoço, começava a preparação das mesas para o almoço e pelo meio era necessário limpar talheres e copos acabados de lavar, para não ficarem com manchas de água. São mariquices, mas que contam muito na apresentação do restaurante. 

Ao meio-dia começava a loucura dos almoços. Novamente, a rotina repetia-se. As equipas iam chegando a seu tempo e serviam os pratos na bancada do buffet, pelo que nós íamos circulando pelas mesas a apanhar os pratos vazios que surgiam e dávamos um olho ao buffet para repor as travessas gigantes de comida. As mesas do restaurante estavam marcadas (se não me engano eram duas mesas por equipa) e a parte boa é que quando alguma mesa vagasse, seria limpa e ficava logo posta para o jantar. Depois de almoço, vinha novamente a saga dos copos e talheres - um inferno! 

Ao jantar corria tudo mais ou menos como ao almoço, por isso não tenho muito a acrescentar. O que me dificultou realmente a vida foi a farda, mais particularmente os sapatos! Dava tudo para ter usado ténis ou alguma coisa com uma sola decente, mas tive que usar sabrinas pretas, por se adequarem mais ao resto da farda. O problema é que as solas das sabrinas são super finas e eu fiquei com dores nos pés desde o primeiro dia, que se agravaram no segundo e se mantiveram o resto do tempo. Os meus pulsos também sofreram um bocado e de cada vez que carregava com pesos tinha uma dor na omoplata esquerda que me fazia ficar sem ar, mas tudo isto se suportava na boa, não estivessem os meus pés a matar-me aos poucos. Podia enlouquecer com esta dor constante que ao fim do dia me impedia de andar direita e, não querendo parecer exagerada, de andar mesmo! Para mais, as horas que conseguia dormir de noite nunca foram suficientes para que eu sentisse que tinha descansado alguma coisa - deitava-me tarde, acordava cedíssimo - e todas as manhãs sentia os músculos das pernas como se estivessem a repuxar... Nem as minhas pantufas fofinhas ajudavam a que a tarefa de pousar os pés no chão fosse algo minimamente confortável. Nunca pensei algum dia sentir tantas dores nos pés, e que isso me afectasse como aconteceu por estes dias. 

Mas, curiosamente, não posso dizer que tenha odiado o trabalho. É verdade que sempre fugi de trabalhos deste género, mas já que a oportunidade surgiu, pelo menos fui experimentar. E até gostei. O ambiente entre os colegas foi porreiro - não fui a única a sofrer com dores mas sempre deu para irmos brincando com o assunto, dentro do possível. Eu era a única novata e posso dizer que me ajudaram sempre que precisei, nem que fosse para me dizer onde se guardavam os caços da sopa. Tive alguma vergonha de lidar com o público nos primeiros dias, e aquela ronda pelas mesas à procura de pratos vazios assustava-me um pouco e acabei por me centrar mais na reposição da comida na bancada do buffet. Mas acho que com os dias este medo foi passando. Mais uns dias e acho que já não me fazia confusão. 

Hoje já fiquei por casa, e dei-me ao luxo de dormir até mais tarde e descansar bem os pés. Ando com um pé elástico e de cada vez que tenho que me levantar de algum lado, os músculos das pernas custam a esticar. É horrível! Mas cheguei ao fim com uma certa sensação de orgulho por ter aguentado as dores e ter dado o meu melhor todos os dias. Muitas vezes custou e só conseguia arrastar com os pés. Não imaginam a quantidade de vezes que entrei e saí da cozinha, sempre com loiça ou comida nas mãos, ao longo de 12 horas de trabalho. No final ainda levei um elogio do chefe de que não estava nada  à espera, mas que soube bem e me fez ganhar o dia. Disse-me que nunca pensou que me desenrascasse tão bem nos primeiros dias, ainda para mais nunca tendo feito este tipo de trabalho. Claro que há muita coisa que precisa de ser melhorada, mas ninguém nasce ensinado, e em geral gostou do meu desempenho. No final perguntou-me se estaria interessada em voltar, mais tarde quando estivessem a contratar, para um horário normal de 8 horas, claro, e eu disse-lhe que sim. Ele viu perfeitamente o quanto me custou estes dias, mas a verdade é que gostei da experiência. E mesmo que não me chamem, bem, valeu isso mesmo, a experiência. Tenho que pensar seriamente em comprar uns sapatos ortopédicos ou algo do género!

Quanto a leituras, como devem calcular, não peguei em nenhum livro, nem para o desafio, nem para a parceria com a Bizâncio. Hoje também não o fiz, pois quero aproveitar para descansar. Amanhã já voltará tudo ao ritmo normal. Tenho muitos blogues para visitar e comentar, muitos emails para ver, muitas notificações no Facebook, mas hoje é dia de descanso. Fica para amanhã!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

642 Temas para escrever - ou qualquer coisa parecida com isto



Descobri este livro há algum tempo e desde então tem estado presente na minha wishlist. Não se trata propriamente de um livro para ler, mas sim de uma compilação de temas diversificados para treinar a escrita.

Os temas acabam por ser um tanto bizarros, em alguns casos, de modo a que a escrita seja criativa. Ando a ponderar seriamente adquirir o livro, não só pelo prazer de escrever que está bastante adormecido desde os tempos do secundário, mas também porque talvez fosse engraçado trazer este tipo de conteúdos para o blog. 

Resta-me ganhar coragem para desembolsar o dinheiro - que não é assim tão caro, ao contrário do segundo volume - mas já estive mais longe de o fazer. No mínimo seria divertido!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bom Ano!!

E com esta mensagem de me despaço, por aqui. Daqui a pouco vou até ao Algarve para ver entrar o novo ano. Alguém por aqui vai estar por Albufeira?

Desejo a todos uma óptima entrada em 2015 e que amanha estejamos todos com a alma revigorada e as energias carregadas, prontos para iniciar mais um ano de grandes leituras (não vai ser fácil!) 

Até pró ano!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

As apresentações quinzenais do desemprego

Não é a primeira vez que digo por aqui que estou desempregada. A situação já dura desde Setembro mas cá se vai levando da melhor forma possível. Ajuda o facto de ter direito a subsídio, por pouco que seja. É a segunda vez que estou nesta situação e, como não usufrui da totalidade do tempo a que tenho direito por ter trabalhado 3 anos na mesma empresa, desta vez ainda tenho alguns meses pela frente em que estou "descansada". E se da primeira vez me soube que nem ginjas, pois precisei de tempo para poder voltar a conseguir dormir de noite, como qualquer pessoa normal, e estava esgotadíssima com o trabalho de call center, desta vez já começo a ficar aborrecida. E não me refiro apenas ao facto de não ter trabalho, porque felizmente ainda vou tendo algumas ocupações. Mas começo seriamente a ficar farta da incompetência das pessoas que se dizem "doutoras" e que se acham no direito de tratar os desempregados que lhe aparecem à beira, a seu bel prazer.

Ora, como deverá ser do conhecimento geral, quem não vive próximo de um centro de emprego ou mesmo de um edificio da segurança social, pode perfeitamente resolver algumas situações na Casa do Povo das respectivas localidades. E é nesse local que me tenho apresentado, quinzenalmente, a fim de comprovar que ainda não fugi com o subsídio chorudo que me dão (sim, porque até parece que eu não trabalhei para ele...). Então lá vou eu, com a pasta cheia de papelada, para comprovar que ainda aqui estou e que, por incrível que pareça, continuo sem trabalho.

Na semana passada vi-me a obrigada a deslocar-me a Portalegre pois recebi uma carta um bocadinho assustadora a informar que, uma vez que andava a faltar às apresentações, me iam suspender o desemprego. Olhei para aquela merda e pensei "mas que caralho???" Peguei na papelada toda e lá fui eu tratar do assunto. O meu sangue fervia e já ia pronta para fazer um escândalo a quem me atendesse no Centro de Emprego. Felizmente, eu não sou mesmo de fazer escândalos e expliquei a situação à senhora que me atendeu e juntas tentámos perceber o que se terá passado. Aparentemente terá havido algum erro de sistema e eu faltei por nunca ter recebido a carta onde deveria constar a data da minha primeira apresentação quinzenal. A primeira carta que recebi, já bem a meio de Outubro, era uma convocatória para me deslocar à Casa do Povo para falar com a "doutora" acerca do assunto. Inocentemente, interpretei a carta como sendo a tal data para iniciar as apresentações e assim fiz, em tal dia lá estava eu para me apresentar. Mas eu sou uma leiga nestas andanças e supõe-se que, quem estivesse atrás do balcão de atendimento me soubesse informar o verdadeiro propósito da carta. Mas parece que não... Dois funcionários da Casa do Povo olharam para a convocatória e limitaram-se a fazer-me a apresentação normalmente. E eu segui a minha vidinha, descansada. Felizmente, todo este mal entendido ficou esclarecido na semana passada e as faltas foram anuladas. Tive sorte...

Ontem, foi dia de me deslocar à Casa do Povo a fim de fazer mais uma apresentação. Como devem calcular, depois do susto que apanhei na semana passada, já não ia com muito boa cara. Costumo ser muito simpática quando lá vou, tal como são para mim, mas agora já não consigo. Não tenho que tolerar a incompetência dos outros que, a brincar a brincar, lixam a vida aos outros. Haverá, com certeza, gente competente para fazer aquele trabalho e que está no desemprego, tal como eu...

Então lá fui eu. Ainda me cruzei com a Su à entrada, que também acabava de se apresentar. Conversámos um pouco e depois lá foi cada uma à sua vida. Quando entrei na Casa do Povo, não havia ninguém à espera de vez. Tanto melhor, mais depressa me despachava. Só que, quando me aproximei do gabinete habitual ouvi uma barulheira vinda dos Infernos. Aproximei-me e disse "bom dia". A "doutora", uma funcionaria da câmara e a funcionária do gabinete, interromperam a conversa e olharam para mim. E então a "doutora" perguntou, muito secamente "É para mim?". Quais bons dias quais quê! E eu respondi que não, que queria falar com a funcionária, ao que a dita cuja me pediu para aguardar. 

Aproveito para esclarecer que quando escrevo "doutora" não é um erro. Para mim, doutores são os médicos e todos os outros são os que têm a mania que são alguém na vida e que podem cagar de alto para os outros. Por aqui há muito disso, os "doutores". E muitas vezes são pessoas que nem uma licenciatura têm, portanto perdoem-me se não suporto o estatuto...

Pensava eu que, quando me pediram para esperar fosse apenas para que se despedissem e seguisse cada uma a sua vidinha. Ao fim ao cabo, é perfeitamente aceitável que estejam à conversa quando não têm ninguém para atender, mas quando chega alguém essa deve ser a prioridade. Pois é, e também acredito em fadas e pós de perlimpimpim e outros que tal... As senhoras voltaram-se a continuaram a sua conversa como se nada fosse. E eu ali, que nem uma otária, à espera que as madames terminasse a sessão de corte e costura. E nunca tinha visto uma coisa assim!! Elas falavam as 3 em simultâneo!! Como é possível uma conversa desta forma??? Mais tarde contei à Su e, conhecendo as peças, disse-me que o mais certo é que cada uma conduzisse o seu monólogo. Não me admirava nada!

E lá se foi passando o tempo... Dei ali um pulinho porque tive que ir ao Pingo Doce, estava de carro e queria despachar o assunto. Já não basta uma pessoa ser tratada como um presidiário, a ter que se apresentar a cada 15 dias... Esta é a coisa mais estúpida que podiam ter inventado. Alguém me explica qual é o propósito?? É que se me chamassem para ir mostrar as provas de procura de trabalho, está tudo certo! Acho muito bem que controlem isso, pois há muitas pessoas a viver de subsídios e que não querem mesmo trabalhar. Pois eu tenho as minhas provas de procura de trabalho, desde Setembro, e até hoje nunca me pediram para mostrar absolutamente nada. Mas lá tenho que ir, religiosamente, a cada 15 dias, apresentar-me. E como se isso não bastasse, ainda é assim... Não sei se acham que, por estarmos desempregados, temos que esperar que as senhoras se dignem a atender-nos (porque é mesmo isso que acontece). Como vos disse, eu vinha do Pingo Doce e, já que estou desempregada e tempo não me falta, não me custa nada ter o almoço pronto para quando os meus pais chegam. Mas ontem tive que ficar à espera que os monólogos terminassem. 

E assim se passaram 5, 10, 15 minutos e eu ali, a ouvir aquelas gralhas, que mais pareciam galinha numa capoeira, a tagarelar non stop. O meu sangue já fervia e decidi que, se não acabassem o paleio até às 12.15h me enchia de coragem e ia lá perguntar quanto tempo mais iria ter que esperar. Mais uma vez, não precisei (e confesso que até fiquei com pena...). Subitamente, quando nada o fazia prever comecei a ouvir despedidas e foram à vidinha delas. A funcionária, cheia de simpatias e de sorrisos, mandou-me entrar. E eu não estive de modas, pus-lhe o papel da apresentação à frente e nem disse mais nada. No fim de contas, nem um minuto lá estive...

E pronto, eu peço desculpa pelo post enorme... Mas ando a remoer isto desde ontem e e tive que deitar cá para fora. Não suporto estas situações... Já desde o tempo em que os clientes do call center entravam em linha, depois de alguma tempo em espera, a acusar-nos de estar à conversa em vez de estarmos a atender telefones, quando na realidade, passavam-se horas a atender chamadas atrás de chamadas, sem uma pausa para ir à casa de banho, muitas vezes... E depois vejo estas pessoas, que fazem atendimento ao público e dão a cara, e como se não bastasse as asneiras que fazem, ainda tratam as pessoas como lixo. Não suporto!!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Filipa

Quando era mais nova, dava comigo por diversas vezes a tentar adivinhar o nome de alguém, olhando para a sua cara. Pensava "hum... tem cara de..." e assim ia conhecendo algumas caras desconhecidas. Claro que nunca se deu o caso de acertar realmente no nome de alguém, e isto também dificultava quando me queria lembrar dos nomes verdadeiros das pessoas. E agora devem estar a pensar que este é um hábito um bocadinho estranho, mas tudo tem a sua explicação!

Tudo começou comigo. Sim, comigo. Quando era pequena, andava sempre acompanhada por duas amigas: a Patrícia e a Filipa. Crescemos e brincámos muito juntas, pois apesar de termos a mesma idade, o mesmo segundo nome e a mesma turma, a Patrícia estava muitas vezes no café dos avós, perto da minha casa, e a Filipa ia muitas vezes à fábrica da Vitalis buscar a mãe, tal como eu, quando as nossas mães lá trabalhavam. Mais tarde, quando fomos para a primária e conhecemos a Ana, que passou a ser a nova aquisição do grupo, lá andávamos as quatro juntas. Sendo assim, não era de estranhar quando alguém se enganava e me chamava Filipa. Já nessa altura pensava que me estavam a confundir com a minha amiga. Isto acontecia muitas vezes com os professores novos, no início do ano. Mas não deixava de ser estranho. A Filipa usava óculos, eu não. A Filipa tinha cabelo comprido, eu não. A Filipa era mais baixinha e magrinha, eu não. Não havia comparação possível, não éramos parecidas e ponto final! 

Quando fui para o secundário, este fenómeno continuou a acontecer. Só que desta vez a Filipa não estava por perto para nos poderem confundir. Seguimos escolas diferentes e só nos cruzávamos no autocarro de manhã e de tarde, quando nos juntávamos as quatro e púnhamos a conversa em dia. E assim lá acabei por me convencer que devo ter cara de Filipa. Era a única explicação possível. Sem a Filipa por perto a toda a hora, não havia forma de me confundirem com ela. Confesso que nunca gostei muito disto, em boa parte porque nem gosto do nome. Não me podiam achar com cara de uma coisa mais engraçadita? E o meu nome, que até é bem bonito? 

Aos 18 anos, entrei na Universidade e deu-se um novo fenómeno: aboliram o meu nome por completo e passaram a tratar-me apenas pelo meu apelido. Ao inicio não achei piada nenhuma e lá ia batendo o pé, mas era escusado... O que começou como uma brincadeira entre os meus colegas de curso, alastrou de tal forma que ao fim do primeiro ano já quase todos os professores me tratavam pelo meu apelido e o mesmo aconteceu com os meus colegas de trabalho do call center e respectivos supervisores, Até o chefe, me tratava pelo meu apelido quando tinha oportunidade. Logo eu, que até gosto do meu nome, passei 6 anos sem que ninguém me tratasse por Sofia. Com o tempo lá acabei por me habituar. Foi um bocadinho como a teoria da Coca-Cola: primeiro estranha-se e depois entranha-se. 

Um dia, aconteceu a situação mais estranha de todas! Ora todos sabem que trabalhar num call center implica atender telefones e isso também implica que não se vejam caras, quer dos assistentes, quer dos clientes. Pois bem! Um dia, estava a atender um cliente e era um daqueles senhores simpáticos, e bem educado e como tal, tratava-me pelo meu nome. Acreditem, normalmente tratam-nos como se fossemos menos que nada, e por isso mesmo este senhor revelou-se uma boa surpresa. Só que o senhor enganou-se no meu nome e logo no inicio da chamada perguntou-me "Como disse que se chamava? Filipa, não era?" A sério??? Nem assim? Fiquei tão aparvalhada que lhe disse que sim e assim continuei o resto da chamada. Durante o atendimento ainda tentei perceber como é que o homem achou que eu me chamava Filipa. Não foi pela sonoridade, de certeza, porque os nomes nem são parecidos. Ainda brinquei com o assunto e imaginei-me a fazer alguma asneira durante a chamada e depois o senhor iria fazer queixa da Filipa. Não deixava de ter a sua piada!

Passei anos a convencer-me que as pessoas me confundiam com a minha amiga. Mais tarde, percebi que devia ser a minha cara, que aparentemente tem Filipa escrito na testa. Ok, tudo fazia sentido. E naquele dia acabou-se a lógica da batata. Não me vão dizer que tenho voz de Filipa, não é? Já é muito estranho.... 

Na semana passada, enquanto me despedia da Isabel ela baralhou-se e deixou escapar a "Filipa". Pronto, tive que me rir... Nunca fez tanto sentido dizer: Story of my life!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Dias como o de hoje.

Adoro dias como o de hoje. 

Saí há pouco à rua para passear os meus cães e apesar de estar um dia de sol, com céu limpo, adorei aquela brisa fresquinha que começa a fazer-se sentir. Se me perguntarem qual é a minha estação do ano favorita, eu não sei bem o que responder. Prefiro o Inverno, é certo. Por muito incómodo que o frio seja, posso sempre agasalhar-me mais um pouco e o problema fica remediado. No Verão, custa-me imenso suportar aqueles dias abafados, em que não corre uma aragem que seja. É desesperante. Mas, ainda assim, quem é que gosta de andar com os cabelos cheios de nós por causa do vento, ou totalmente desalinhados por causa da chuva ou da humidade no ar? Não, decididamente, o Inverno também não é a minha estação favorita. 

Quanto à Primavera e ao Outono, nem sei bem o que isso é. Passamos tão rapidamente por eles que mal dá para aproveitar o meio termo. Este ano então, nem se fala... Já bastava que o Verão mal desse sinais de vida, assim que chegou Setembro vieram também semanas de chuva e trovoada. Mas parece que finalmente acalmou. E verdade seja dita, só no Outono e na Primavera encontramos dias como os de hoje. Se alguma delas é a minha estação favorita? Também não... Mas pouco me deixa tão satisfeita como os dias amenos que trazem. 

Mas não é só a brisa fresca ou o céu azul que me encantam nesta altura. É o aroma das folhas secas que começam a cair das árvores e a colorir as ruas e os jardins. O sabor dos tortulhos em miolada que se fazem esperar o ano inteiro. A Festa da Castanha que já se aproxima. Os passeios pelo campo à procura de nozes que hão-de durar por vários meses. E é também aquela nostalgia de outros tempos, que traziam sempre grandes mudanças. Vem-me sempre à memória aqueles primeiros dias de aulas, tão solarengos que era um martírio estar fechada na sala. E as aulas de biologia, no secundário? Eram sempre no último piso da escola e a única vista que a janela permitia alcançar era o céu azul, enfeitado aqui a acolá, e as andorinhas atarefadas, de roda dos seus ninhos, junto ao telhado. Costumava passar a aula toda a ver esta azáfama.

Mais tarde veio uma nova mudança, que também me vem à memória nesta altura, talvez mais que as restantes. Não posso esquecer o dia em que me vi sozinha, numa nova cidade, sem conhecer ninguém. Foi num dia de Outono como este, e ao final da tarde, quando chegou a hora de os meus pais se despedirem, eu chorei. E eu nem sou nada destas coisas! Hoje sabe tão bem recordar esses momentos, pois foram os melhores da minha vida.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Every night...

Imagem retirada daqui.
Ultimamente tem sido assim quase todas as noites. Assim que encosto a cabeça na almofada surgem as ideias brilhantes, projectos a por em prática, temas para textos que eram perfeitos para o blog. Chego até a recitar o dito texto por alto, construindo frases e fazendo alterações... 

Mas eu trabalho e a única coisa que quero quando chega a hora de ir dormir é (pasmem-se!) DORMIR!! E no dia seguinte, quando tenho realmente disponibilidade para dar atenção aos devaneios da noite anterior, ora não me consigo lembrar do que se tratava, ora já não parece assim tão entusiasmante...


AHHHHHH CA'NERVOS!

Acho que o meu cérebro é bipolar...