Nos últimos dias tenho andado desaparecida. Não apenas do blogger, mas também do Facebook. Cheguei a um ponto em que não me permiti a mais distracções e o meu objectivo passou a ser exclusivamente terminar este livro. Com isto deixei a leitura conjunta de A Cativa, de Manuel Alves, um pouco esquecida e sei que não devo conseguir ir a tempo de recuperar a terceira fase da leitura, mas prometo que vou ver o que consigo fazer este fim de semana e recuperar o tempo para terminar dentro do prazo. Mas perdoem-me isto tudo: foi por uma boa causa!
Aviso já: estou com um feeling que esta opinião se vai alongar, mas nem poderia ser doutra forma. Sinto que devo fazer justiça a este livro. Quem me segue, sabe que já lá vai algum tempo desde que li o primeiro volume dos Pilares. Deixo-vos
aqui o link para a respectiva opinião. A leitura desse primeiro volume começou por ser atribulada pois não me conseguiu cativar e acabou por voltar para a estante. Mas durante os meses que lá ficou, esteve sempre a pesar-me na consciência. Não houve vez alguma que não me aproximasse da estante para escolher um novo livro, que os meus olhos não se prendessem n'
Os Pilares da Terra. Um dia ganhei coragem e fui em frente. Terminei a leitura quase no final de 2013 e entretanto lá passou 2014 e o segundo volume ficou na estante à espera, em boa parte porque eu tinha medo de lhe pegar e de não me sentir motivada, como aconteceu da primeira vez. Mas graças ao desafio deste mês, que me "obriga" a ler pelo menos um Romance Histórico, era muita cobardia da minha parte deixar passar a oportunidade de terminar esta história.
O início revelou-se novamente atribulado, mas não pelos motivos que eu estava à espera. A verdade é que já me escapavam muitos detalhes do livro anterior e em alguns momentos tive dificuldade em reconhecer os personagens. Mas tudo acabou por ir ao sítio. Para além disto, retomamos a narrativa com o fofinho do William que, por inúmeros motivos, me conseguiu dar a volta ao estômago. Estava desejosa por saber novidades da Aliena, do Tom Pedreiro e do Prior Philip, e acabo por ter que começar com o William........ Mas ok, leu-se e em pouco tempo já estava envolvida na leitura.
Não me vou alongar com muitos detalhes do que vai acontecendo pois isso iria originar spoilers e eu prefiro convidar-vos a ler o livro. Ou melhor, os livros. Continuo a achar os livros um pouco maçudos e descritivos, mas a verdade é que sem isso não teríamos esta obra monumental, tal como a capa do livro promete. É graças a esta escrita minuciosa que conhecemos ao pormenor todos os personagens, tenham eles maior ou menor destaque na história, bem como a História de Inglaterra na época retratada. Nada foi deixado ao acaso e até ao final da narrativa, todas as pontas soltas se unem.
Se no primeiro volume temos o Tom Pedreiro como um dos personagens centrais da narrativa, neste volume tudo vai girar em torno do seu enteado, o Jack, destinado a grandes obras. Adorei acompanhar o crescimento deste miúdo da floresta, a tornar-se num homem inteligente, perspicaz, apaixonado e lutador. E muito mais podia ficar aqui a escrever sobre o Jack e a Aliena, que às vezes é uma parva, mas no fundo conquistou-me, só que os spoilers....
Nos últimos dois anos, Ken Follett tem vindo a ganhar destaque na minha estante, à semelhança do que acontece com o Murakami. São sem dúvida os autores que maior espaço ocupam aqui em casa. Bastou-me apenas ler o primeiro volume dos Pilares para começar a investir mais no autor e a qualquer momento posso ler mais alguma obra sua. Adorei a escrita do autor que se torna tão transparente e consegue transmitir-nos na perfeição o que os personagens estão a sentir. O romance entre a Aliena e o Jack, por exemplo, mexeu comigo. Foi a primeira vez que senti realmente que o que estava escrito, estava de facto a acontecer. Quais Nora's quais quê!! Isto sim... O mesmo aconteceu com as atrocidades cometidas pelo William, que em muitos momentos me deram vontade de passar à frente só para não presenciar a sua barbaridade. E pela primeira vez, um livro fez-me vir as lágrimas ao olhos. Aconteceu mais que uma vez mas a mais marcante foi, sem dúvida, o momento em que uma das personagens principais morre. Além de ter sido uma enorme surpresa, era uma personagem por quem sentia um certo carinho. Enfim...
Resta-me apenas referir alguns pontos negativos, que me fizeram abominar a leitura em alguns momentos e que julgo que se prendam exclusivamente com a tradução feita. O primeiro aspecto é a repetição constante da palavra "contudo". De vez em quando lá aparecia um "todavia", mas sem dúvida que o "contudo" é uma bengala linguística. Cheguei a contar esta palavra cinco vezes na mesma página.... Irra!
Outra coisa que me fez ir aos arames era a repetição constante da expressão "de quando em vez". Nunca, nem uma única vez, vi no livro a expressão "de vez em quando". É que nem sequer de vez em quando... Zero! Vão dizer-me que na versão original o Follett escreveu "every while in a once"?? O que eu sei é que quem usa e abusa dessa expressão é mesmo a Ana Garcia Martins, do blog a Pipoca Mais Doce e claro que não condeno a senhora por isso, está no seu pleno direito. De quando em vez lá vejo alguma blogger a imitar-lhe a proeza, mas até abrir este livro nunca tinha passado daí. Lá fui verificar a data da minha edição e o sexo do tradutor e confirma-se: data da tradução 2007, tradutor do sexo feminino. Tendo em conta que o blog da Ana já existe há 11 anos, comprova-se que se trata de uma das suas afincadas seguidoras... Epa, não é por nada, mas se pagamos uma pequena fortuna por um livro de Ken Follett (que pagamos mesmo!), o mínimo que esperamos encontrar é uma boa tradução do mesmo e quando isso não acontece perco as estribeiras... Um erro por outro já se sabe que é normal aparecer, mas ver as mesmas expressões a repetir-se vezes e vezes sem conta.... epa...
Com isto fiquei ainda com mais vontade de ter na minha estante os dois volumes de
Um Mundo Sem Fim, que não se trata exactamente de uma continuação d'
Os Pilares da Terra, mas a acção decorre no mesmo cenário, passados 200 anos. Vou continuar a minha busca por esses livros a um preço fofinho, busca essa que já dura há dois anos, mas cá hão-de chegar!
Dou também por terminado o desafio do mês de Janeiro (pela parte que me toca, claro - a Su ainda não terminou a leitura dela). Ainda ia a tempo de pegar em mais um Romance Histórico, mas prefiro acabar o mês com
A Cativa e também com o livro de Ray Bradbury, para a parceria com a Bizâncio. Em relação ao desafio para Fevereiro posso dizer-vos que eu e a Su já alinhavámos um plano de leitura e devemos fazer a troca de livros ainda este mês. Depois contamo-vos tudo!
Amanhã irá regressar tudo ao ritmo normal (são neste momento 3h da manhã, enquanto escrevo esta opinião) e nessa altura vou então visitar os meus blogs habituais - tenho muita coisa para ir comentar!! Agora vou dormir. Hasta!